Lucas 15
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Chegavam-se pois a Jesus os publicanos, e os pecadores para o ouvirem. 2E os fariseus, e os escribas murmuravam, dizendo: Êste recebe os pecadores, e come com êles. 3E êle lhes propôs esta parábola, dizendo: 4Qual de vós outros é o homem que tem cem ovelhas: E se perde uma delas, não é assim que deixa as noventa e nove no deserto, e vai a buscar a que se havia perdido, até que a ache? 5E que depois de a achar, a põe sôbre seus ombros cheio de gôsto: 6E vindo à casa chama a seus amigos, e vizinhos, dizendo-lhes: Congratulai-vos comigo, porque achei a minha ovelha, que se havia perdido? 7Digo-vos que assim haverá maior júbilo no Céu, sobre um pecador que fizer penitência, que sôbre noventa e nove justos, que não hão mister de penitência. 8Ou que mulher há que, tendo dez dracmas, e perdendo uma, não acende a candeia, não varra a casa, e não a busque com muito sentido, até que a ache? 9E que, depois de a achar, hão convoque as suas amigas, e vizinhas, para lhes dizer: Congratulai-vos comigo, porque achei a dracma que tinha perdido? 10Assim vos digo eu, que haverá júbilo entre os anjos de Deus por um pecador que faz penitência. 11Disse-lhes mais: Um homem teve dois filhos: 12E disse o mais moço deles a seu pai: Pai, dá-me a parte da fazenda que me toca. E êle repart: u entre ambos a fazenda. 13E passados não muitos dias, entrouxando tudo o que era seu, partiu o filho mas moço para uma terra muito distante num país estranho, e lá dissipou tôda a sua fazenda vivendo dissolutamente. 14E depois de ter consumido tudo, sucedeu haver naquele pais uma grande fome, e êle começou a neces-sitar. 15Retirou-se pois dali, e acomodou-se com um dos cidadãos da tal' terra. Êste porém o mandou para um ca-sal seu a guardar os porcos. 16Aqui desejava êle encher a sua barriga de landes, das que comiam os porcos: Mas ninguém lhas dava. 17Até que tendo entrado em si, disse: Quantos jornaleiros há em casa de meu pai, que têm pão em abun 18Levantar-me-ei, e irei buscar a meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o Céu, e diante de ti: 19Já não sou digno de ser chamado teu filho: Faze de mim como de um dos teus jornaleiros. 20Levantou-se pois, e foi buscar a seu pai. E quando êle ainda vinha longe, viu o seu pai, que ficou movido de compaixão, e correndo lhe lançou os braços ao pescoço para o abraçar, eo beijou. 21E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o Céu, e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. 22Então disse o pai aos seus servos: Tirai depressa o set primeiro vestido, e vesti-lho, e metei-lhe um anel no dedo, e os sapatos nos pés: 23Trazei também um vitelo bem gordo, matai-o, para comermos e para nos regalarmos: 24Porque êste meu filho era morto, e reviveu: Tinha-se perdido, e achou-se. E começaram a banquetear-se. 25E o seu filho mais velho estava no campo e quando veio, e foi chegando a casa, ouviu a sinfonia, e o côro: 26E chamou um dos servos, e perguntou-lhe que era aquilo. 27E êste lhe disse: E” chegado teu irmão, e teu pai mandou matar um novilho cevado, porque veio com saúde. 28Êle então se indignou, e não queria entrar. Mas, saindo o pai, começou a rogá-lo que entrasse. 29Êle porém deu esta resposta a seu pai: Há tantos anos que te sirvo, sem nunca transgredir mandamento algum teu e tu nunca me deste um cabrito, para me regalar com os meus amigos: 30Mas tanto que veio este teu filho, que gastou tudo quanto tinha com prostitutas, logo lhe mandaste matar o novilho gordo. 31Então lhe disse o pai: Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu: 32Era porém necessário que houvesse banquete, e festim, pois que este teu irmão era morto, e reviveu: Tinha-se perdido, e achou-se.