Lucas 8
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E aconteceu depois, que Jesus caminhava por cidades e aldeias pregando, e anunciando o reino de Deus: E os doze com êle. 2E também algumas mulheres, que êle tinha livrado de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, que se chama Madalena, da qual Jesus havia expelido sete demônios, 3e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Susana, e outras muitas, que lhes assistiam de suas posses. 4E como houvesse concorrido um crescido número de povo, e acudissem solícitos a êle das cidades, lhes disse Jesus por semelhança: 5Saiu o que semeia, a semear o seu grão: E ao semeá-lo, uma parte caiu junto ao caminho, e foi pisada, e a comeram as aves do Céu. 6E outra caiu sôbre pedregulho: E quando foi nascida se secou, porque não tinha umidade. 7Ea outra caiu entre espinhos, e logo os espinhos que nasceram com ela, a afogaram. 8E outra caiu em boa terra: E depois de nascer, deu fruto, cento por um. Dito isto, começou a dizer em alta voz: Quem tem ouvidos de ouvir, ouça. 9Então os seus discipulos lhe perguntaram que -queria dizer esta parábola. 10Êle lhes respondeu: A vós foi-vos concedido conhecer o mistério do reino de Deus, mas aos outros se lhes fala por parábolas: Para que vendo não vejam, e ouvindo não entendam. 11E” pois êste o sentido da parábola: A semente é a palavra de Deus. 12A que cai à borda do caminho, são aqueles que a ouvem: Mas depois vem o diabo, e tira a palavra do coração deles, porque não se salvem crendo. 13Quanto à que cai em pedregulho, significa os que recebem com gôsto a palavra quando a ouviram: E êstes não têm raízes: Porque até certo tempo crêem, e no tempo da tentação voltam atrás. 14Ea que caiu entre espinhos: Estes são os que a ouviram, porém indo por diante, ficam sufocados dos cuidados, e das riquezas, e deleités desta vida, e não dão fruto. 15Mas a que caiu em boa terra: Êstes são os que ouvindo a palavra com coração bom, e muito são, a retém e dão fruto pela paciência. 16Ninguém pois acende uma luzerna, e a cobre com alguma vasilha, ou a põe debaixo da cama: Põe-na sim sôbre um candeeiro, para que vejam a luz os que entram. 17Porque não há coisa encoberta que não haja de ser manifestada: Nem escondida, que não haja de saber-se, e fazer-se pública. 18Vêde pois como ouvis, porque àquele que tem lhe será dado: E ao que não tem, ainda aquilo mesmo que entende ter, lhe será tirado. 19E vieram ter com êle sua mãe, e seus irmãos, e não podiam chegar a êle, pela muita gente 20E vieram-lhe dizer: Tua mãe e teus irmãos estão lã fora, querem-te ver. 21Êle respondendo, lhes disse: Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus, e a põem por obra. 22E aconteceu isto num daqueles dias, que entrou êle e os seus discípulos em uma barca, e lhes disse: Passemos à outra ribeira do lago. E êles partiram. 23E enquanto êles iam navegando, dormiu Jesus, e levantou-se uma tempestade de vento sôbre o lago, e se encheu dágua, e perigavam. 24E chegando-se a êle o despertaram, dizendo: Mestre, nós perecemos. E êle, levantando-se, increpou ao vento, e a tempestade da água, e logo tudo cessou. E veio bonança. 25Disse-lhes então Jesus: Onde está a vossa fé? Êles, cheios de temor, se admiraram, dizendo uns. para os outros: Quem cuidas que é êste, que assim manda aos ventos e ao mar, e êles lhe obedecem? 26E navegaram para a terra dos gerascnos, que está fronteira à Galiléia. 27E logo que saltou em terra, veio fer com êle um homem que estava endemoninhado havia já muitos tempos, e não vestia roupa alguma, nem habitava em casa, senão nos sepulcros. 28ste, logo que viu a Jesus, prostrou-se diante dele, e gritando muito alto, disse: Que tens tu comigo, Jesus, Filho de Deus Altíssimo? Peço-te que me não atormentes. 29Porque Jesus mandava ao espirito imundo, que saisse do homem. Porque havia muitos tempos que o ar-rebatava, e ainda que o guardassem preso em cadeias, e grilhões, logo rompia as cadeias, e agitado do demônio, fugia para os desertos. 30E fêz-lhe Jesus esta pergunta, dizendo: Que nome é o teu? Êle então respondeu: Legião: Porque eram em grande número os demônios que tinham entrado nele. 31E êstes lhe pediram que os não mandasse ir para o abismo., t 32Ora, andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos, e lhe rogavam que lhes permitisse en-, trar neles. E Jesus lho permitiu. 33Saíram pois do homem os demônios, e entraram -nos porcos,. e logo a manada dos porcos se arrojou por um despenhadeiro impetuosamente no lago, e ali. ficou tôda afogada. 34Quando isto viram os porqueiros, fugiram e foram-no contar às cidades, e pelas granjas. 35E saíram a ver o que havia acontecido, e vieram ter com Jesus, e acharam a seus pés sentado, já vestido, e em seu juízo, ao homem, de quem haviam saído os demônios, e tiveram grande mêdo. 36E os que haviam presenciado o que tinha sucedido, lhes contaram também como o possesso fôra livrado da legião: 37E tôda a gente do território dos gerasenos pediu a Jesus que se retirasse deles: Porque estavam pos-suidos de grande mêdo. Pelo que êle, embarcando-se, se retirou de volta. 38E pedia-lhe o homem, de quem tinham saído os demônios, que o deixasse estar com êle. Porém Jesus o despediu, dizendo:. 39Volta para tua casa, e conta as grandes coisas que Deus te fêz. E foi publicando por tôda a cidade as singulares graças, que lhe fizera Jesus. 40E aconteceu que tendo voltado Jesus, o receberam as gentes: Pois todos o estavam esperando. 41E eis que veio um homem chamado Jairo, que era príncipe da Sinagoga: E lançou-se aos pés de Jesus, pedindo-lhe que viesse a sua casa. 42Porque tinha uma filha única que teria doze anos, e estava morrendo. E sucedeu que enquanto ia Jesus caminhando, molestavam-no os apertões do povo. 43E uma mulher padecia fluxo de sangue havia doze anos, e tinha dispendido com médicos todo o seu cabedal, sem poder de nenhum deles ser curada: 44Chegou por detrás, e tocou a orla do vestido de Jesus: E no mesmo instante lhe parou o fluxo de sangue. 45Disse então Jesus: Quem é que me tocou? E respondendo todos que nenhum fôra, disse Pedro, e os que com êle estavam: Mestre, as gentes te apertam e oprjmem. e ainda perguntas: Quem é que me tocou? 46Replicou todavia Jesus: Alguém me tocou: Porque eu conheci que de mim saía uma virtude. 47Quando a mulher se viu assim descoberta, veio tôda tremendo e se prostrou aos pés de Jesus: E declarou diante de todo o povo a causa por que lhe havia tocado: E como ficará logo sã. 48E êle lhe disse: Filha, a tua fé te salvou: Vai-te em paz. 49Ainda êle não tinha acabado de falar, quando veio um dizer ao príncipe da sinagoga: E” morta tua filha, não lhe dês o trabalho de cá vir: 50Mas Jesus, tendo ouvido estas palavras, disse para o pai da menina: Não temas, crê somente, e ela será -salva. 51E depois de chegar à casa, mandou que ninguém entrasse com êle, senão Pedro, e Tiago, e João, e o pai, e a mãe da menina. 52Entretanto todos a choravam, e se feriam de pena. Porém Jesus lhes disse: Não choreis, que a menina não está morta, mas dorme. 53Mas os que sabiam que ela estava morta, zombavam dele. 54Então Jesus tomando-lhe a mão, disse. em alta voz: Menina, levanta-te, 55Então a sua alma tornou ao corpo, e ela se levantou logo. E Jesus mandou que lhe dessem de comer. 56Ficaram pois cheios de assombro seus pais, a quem Jesus pôs preceito de não contarem a pessoa alguma o que se tinha passado.