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Marcos 1

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. 2Conforme está escrito no profeta Isaías: Eis aí envio o meu anjo ante a tua face, o qual irá adiante de ti preparar-te o caminho. 3Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. 4Estava João batizando no deserto, e pregando o. batismo de penitência, para remissão de pecados. 5E saía concorrendo a êle tôda a terra de Judéia, e todos os de Jerusalém, e eram batizados por êle no rio Jordão, confessando os seus pecados. 6E João andava vestido de peles de camelo, 'e trazia uma cinta de couro à roda de seus lombos, e comia gafanhotos, e mel silvestre. E pregava dizendo: 7Após de mim vem outro mais forte do que eu: Ante o qual não sou digno de me prostrar para lhe desatar a correia'dos sapatos. 8Eu tenho-vos batizado em água, porém êle batizar-vos-á no Espírito Santo. 9E aconteceu isto: Naqueles dias veio Jesus de Nazaré, cidade de Galiléia: E foi batizado por João no Jordão. 10E logo que saiu da água, viu Jesus os Céus abertos, e que o Espirito Santo descia, e pousava sôbre êle.em figura de pomba. 11E ouviu-se dos Céus esta voz: Tu és aquêle meu filho singularmente amado, em ti tenho pôsto tôda a minha complacência. 12E logo o Espírito o lançou para o deserto. 13E esteve no deserto quarenta dias e quarenta noites: E ali foi tentado por satanás: e habitava com as feras, e os anjos o serviam. 14Mas depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para Galiléia, pregando o Evangelho do reino de Deus, 15e dizendo: Pois que o tempo está cumprido, e se aproximou o reino de Deus: Fazei penitência, e e êde no Evangelho. 16E passando ao longo do mar de Galiléia, viu a Simão, e a André seu irmão, que lançavam saas rêdes ao mar (porque eram pescadores). 17E disse-lhes Jesus: Vinde após mim, ec eu vos farei pescadores de homens. 18E no mesmo ponto, deixadas as rêdes, o segui-vam. 19E dali tendo passado um pouco mais adiante, viu a Tiago, filho de Zebedeu, e a João seu irmão, que também numa barca estavam consertando as rêdes: 20E chamou-os logo. E êles, tendo deixado na barca a seu pai Zebedeu com os jornaleiros, foram-no seguindo. 21Entraram depois em Cafarnaum: E Jesus vindo logo nos dias de sábado para a sinagoga, ensinava O povo. 22E os que ouviam a sua doutrina, estavam pasmados: Porque êle os ensinava, como quem tinha autoridade, e não como os escribas. 23Ora na sinagoga deles achava-se um homem. possesso do espírito imundo, que gritou, 24dizendo: Que tens tu conosco, Jesus Nazareno? Vieste a perder-nos? bem sei quem és, que és o Santo Deus. 25Mas Jesus o ameaçou, dizendo: Cala-te e sai dêsse homem. 26Então o espírito imundo agitando-o com violentas convulsões, e dando um grande grito, saiu dele. 27E ficaram todos tão espantados, que uns a outros se perguntavam, dizendo: Que é isto? que nova doutrina é esta? porque êle põe preceito com império até aos espíritos imundos, e obedecem-lhe. 28E correu logo sua fama por tôda a terra de Galiléia. 29E êles saindo logo da sinagoga, foram à casa de Simão, e de André, juntamente com Tiago, e João. 30E a sogra de Simão estava de cama com febre: E lhe falaram logo a respeito dela. 31E chegando-se Jesus ao pé dela, depois de a tomar pela mão, a fêz levantar: E imediatamente a deixou a febre, e ela se pôs a servi-los. 32E de tarde, sendo já sol pôsto, trouxeram-lhe todos os enfermos e possessos: 33E tôda a cidade se tinha ajuntado à porta. 34E curou a muitos, que se achavam oprimidos de diversas doenças, e expeliu muitos demônios, aos quais não permitia que dissessem quie o conheciam. 35E levantando-se muito de madrugada. srin, e foi a um lugar deserto, e fazia ali oração. 36E foram-no seguindo Simão, e os que com êle estavam. 37E depois de darem com êle disseram-lhe: Todos andam em busca de ti. 38E respondeu-lhe Jesus: Vamos para as aldeias, e cidades circunvizinhas, porque também quero lá pregar, que a isso é que vim. 39Pregava pois nas suas sinagogas, e em tôda: a Galiléia, e expelia os demônios. 40E veio a êle um leproso, fazendo-lhe suas rogativas. E pondo-se de joelhos, lhe disse: Se queres. podes limpar-me. 41E Jesus, compadecido dele, estendeu a sua mão: E tocando-lhe, disse-lhe: Quero: Sê limpo. 42E tendo dito estas palavras, em um momento desapareceu dele a lepra, e ficou limpo. 43E Jesus o ameaçou, e logo o fêz retirar: 44E lhe disse: Guarde-te, não o contes a alguém: Mas vai, mostra-te ao príncipe dos sacerdotes, e oferece pela tua purificação o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho. 45Porém o homem tanto que saiu, começou a contar, ce a publicar o sucedido, de sorte que Jesus não podia já entrar descobertamente numa cidade, mas ficava fora nos lugares desertos, e de tôdas as partes vinham ter com êle.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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