Marcos 12
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Começou depois Jesus a falar-lhes por parábolas:. Um homem plantou uma vinha e cercou-a com uma sebe, e cavando fêz um lagar, e edificou uma tôrre, e arrendou-a a uns lavradores; depois ausentou-se para longe. 2E chegado o tempo enviou aos lavradores um servo, que fôsse reteber dos mesmos lavradores o que lhe deviam do fruto da sua vinha. 3les apanhando-o às mãos o feriram e o remeteram com as mãos vazias. 4E enviou-lhes de novo outro servo: E também a êste o feriram na cabeça, e o carregaram de afrontas. 5E de novo enviou outro, e o mataram: E outros muitos: Dos quais feriram a uns, e mataram a outros. 6Mas como tivesse ainda um filho, a quem êle muito amava: Também lho enviou por último, dizendo: Terão respeito a meu filho. 7Porém os lavradores disseram uns para os outros: Êste é o herdeiro: Vinde, mate-mo-lo: E será nossa a herança. 8E pegando nele mataram-no: E lançaram-no fora da vinha. 9Que fará pois o Senhor da vinha? Virá, e acabará de todo com êstes lavradores: -E dará a sua vinha a outros. 10Vós nunca lestes êste lugar da Escritura: A pedra, que fôra rejeitada pelos que edificavam, essa veio a ser a. principal da esquina: 11Pelo Senhor é que foi feito isto, e é coisa maravilhosa nos nossos olhos? 12E buscavam meios para o prenderem: Mas temeram o povo: Porque entenderam que contra êles havia dito esta parábola. E deixando-o se retiraram. 13E lhe enviaram alguns dos fariseus, e dos herodianos, para que o apanhassem no que falasse. 14les vindo lhe dizem: Mestre, sabemos que és homem verdadeiro, e que não atendes a respeitos humanos: Porque não olhas os homens pela aparência, mas ensinas o caminho de Deus segundo a verdade: E'-nos permitido dar o tributo aCésar, ou não lho devemos dar? 15Jesus, conhecendo a sua hipocrisia, respondeu-lhes: Por que me tentais? Dai-me cá um dinheiro para o ver. 16E êles lho trouxeram. Então lhes perguntou Jesus: De quem é esta imagem e inscrição? Responderam-lhe êles: De Cesar. 17E, respondendo, Jesus lhes disse: Pois daia César o que é de César: E a Deus o que é de Deus. E desta resposta ficaram admirados. 18E vierama êle os saduceus, que negam a Ressurreição: E lhe perguntavam, dizendo: 19Mestre, Moisés nos deixou escrito que, se morrer o irmão de algum, e deixar mulher, e não tiver filhos, que tome seu irmão a mulher dele, e que dê sucessão a seu irmão. 20Eram pois sete irmãos: E o maior tomou mulher, e morreu sem deixar sucessão. 21E o segundo a tomou, e morreu: E nem êstc deixou filhos. E da mesma sorte o terceiro. 22E assim mesmo a tomaram os sete: E não deixaram filhos. E sendo já a última de todos, morreu também a mulher. 23Ao tempo pois da ressurreição, quando tornarem a viver, de qual dêstes será a mulher? Porque todos sete a tiveram por mulher. 24E, respondendo, Jesus lhes disse: Não vêdes que por isso. errais, porque não compreendeis as Escrituras, nem o poder de Deus? 25Porque quando ressuscitarem dentre os mortos, não hão de os homens ter mulheres, nem as mulheres homens, mas todos serão como os anjos nos Céus. 26E dos mortos que têm de ressuscitar, não haveis lido no livro de Moisés, como Deus lhe falou sôbre a sarça, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, e o Deus de Isaac, e o Deus de Jacó? 27Êle não é Deus de mortos, senão de vivos, logo estais vós num grande êrro. 28Então se chegou um dos escribas, que os tinha ouvido disputar, e vendo que Jesus lhes havia respondido bem, lhe perguntou qual era o primeiro de todos os man-damertos. Pres Rr 29E Jesus lhe respondeu: Que de todos o primeiro mandamento era êste: Ouve, Israel, o Senhor teu Deus é só o que é Deus: 30E amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de tôda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de tôdas as tuas fôrças. Êste é o primeiro mandamento. 31E o segundo semelhante ao primeiro é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Nenhum outro mandamento há que seja maior do que êstes. 32Disse-lhe então o escriba: Mestre, na verdade disseste bem, que Deus é um só e que não ha outro fora êle. 33E que o amá-locada-um de todo o seu coração. e de todo o seu entendimento, e de tôda a sua alma, e de tôdas as suas forças: E o amar ao próximo como a si mesmo, é uma coisa que excede todos os holocaustos, e sacrifícios. 34E vendo Jesus que o escriba. tinha respondido sàbiamente, lhe disse: Não estás.longe do reino de Deus. E desde então ninguém mais se atreveu a fazer-lhe perguntas. 35E falando Jesus dizia ensinando no. Templo: Como dizem os escribas que o Cristo é Filho de Davi? 36Porque o mesmo Davi por bôca do Espírito Santo diz: Disse o Senhor ao meu Senhor, senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por estrado de teus pés. 37Pois se o mesmo Davi lhe chama Senhor, como é êle logo seu Filho? E uma grande multidão de povo o ouvia com gôsto. 38E êle lhes dizia segundo o seu modo de ensinar: Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com roupas largas, e de que os cumprimentem nas praças, 39e de ocupar nas sinagogas as primeiras cadeiras, e nos banquetes os primeiros lugares. 40Que devoram as casas das viúvas debaixo d» pretexto de longas orações: Fstes serão julgados com maior rigor. 41E estando Jesus assentado defronte donde era o gazofilácio, observava êle de que modo deitava o povo ali o dinheiro, e muitos que eram ricos deitavam com mão larga. 42E tendo chegado uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, que importavam um real. 43E convocando a seus discípulos, lhes disse: Na verdade vos digo, que mais deitou esta pobre viúva, que todos os outros que lançaram no gazofilácio. 44Porque todos os outros deitaram do que tinham na sua abundância: Porém esta deitou dá sua mesma indigência tudo o que tinha, e tudo o que lhe restava para seu sustento.