Mateus 21
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Como êles pois se avizinharam a Jerusalém, e chegaram a Betfagé, ao monte das Oliveiras, enviou então Jesus dois de seus discípulos, 2dizendo-lhes: Ide a essa aldeia, que está defronte de vós e logo achareis presa uma jumenta e um jumentinho com ela: Desprendei-a, e trazei-mos: 3E se alguém vos disser alguma. coisa, respondei-lhe que o Senhor os ha de mister: E logo vo-los deixará trazer. 4E isto tudo sucedeu para que se cumprisse o que tinha sido anunciado pelo profeta, que diz: 5Dizei à filha de Sião: Eis aí o teu rei, que vem a ti cheio de doçura, montado sôbre uma jumenta, e sôbre um jumentinho, filho do que está debaixo do jugo. 6E indo os discípulos, fizeram como Jesus lhes ordenara. 7E trouxeram a jumenta e o jumentinho, e cobriram-nos com os seus vestidos, e fizeram-no montar em cima. 8Então da gente do povo, que era muita, uns estendiam no caminho os seus vestidos, e outros corttvam ramos de árvores, e juncavam com êle a passagem: 9E tanto as gentes que iam adiante, como as que iam atrás, gritavam, dizendo: Hosana ao filho de Davi: Bendito o que vem em nome do Senhor: Hosana nas. maiores alturas. 10E quando entrou em Jerusalém, se alterou tôda a cidade dizendo: Quem é este? 11TE os povos diziam: Este é Jesus o profeta de Nazaré de Galiléia. 12E entrou Jesus no templo de Deus, e. lançava fora todos os que vendiam e compravam no templo; e pôs por terra as mesas dos banqueiros, e as cadeiras dos que vendiam pombas: 13E lhes disse: Escrito está: A minha casa será chamada casa de oração: Mas vós a tendes feito covil de ladrões." 14E chegaram-se a êle cegos, e coxos no Templo: E os sarou. 15E quando os príncipes dos sacerdotes, e os escribas viram as maravilhas que êle tinha feito e os meninos no Templo gritando e dizendo: Hosana ao filho de Davi, se indignaram. 16E lhe disseram: Ouves o que dizem êstes? E Jesus lhes respondeu: Sim: Nunca lestes: Que da bôca dos meninos, e dos que mamam, tiraste o perfeito louvor? 17E tendo-os deixado, retirou-se Jesus para fora da cidade passando a Betânia, e ali ficou. 18Mas pela manhã quando voltava para a cidade teve fome. 19E vendo uma figueira junto do caminho, se chegou a ela: E não achou nela senão ùnicamente folhas, e lhe disse: Nunca jamais nasça fruto de ti. E no mesmo ponto se secou a figueira. 20E vendo isto os discípulos, se admiraram, dizendo: Como se secou para logo? 21E respondendo Jesus, lhes disse: Na. verdade vos digo que, se tiverdes fé, e não duvidardes, não só fareis o que eu acabo de fazer à figueira, mas ainda se disserdes a êste monte, tira-te, e lança-te no mar, assim se fará. 22E todas as coisas que pedirdes, fazendo oração com fé, haveis de conseguir. 23E tendo ido ao. Templo, os príncipes dos sacerdotes, e os anciãos do povo se chegaram a êle quando estava ensinando, e lhe disseram: Com que autoridade fazes estas coisas? E quem te deu este poder? 24Respondendo Jesus, lhes disse: Também eu tenho que vos fazer uma pergunta; se me responderdes a ela, então eu vos direi com que autoridade faço estas coisas. 25Donde era o batismo de João? do Céu, ou dos homens? Mas êles faziam entre si êste discurso, dizendo: 26Se nós lhe dissermos que do Céu, dir-nos-á êle: Pois por que não crestes nele? E se lhe dissermos que dos homens, tememos as gentes, porque todos tinham a João na conta dum profeta. 27E respondendo a Jesus, disseram: Não o sabemos. Disse-lhes também êle: Pois nem eu vos digo com que poder faço estas coisas. 28Mas que vos parece? Um homem tinha dois filhos e chegando ao primeiro lhe disse: Filho, vai hoje, trabalha na minha vinha. 29E respondendo êle, lhe disse: Não quero. Mas depois tocado de arrependimento, foi. 30E chegando ao outro, lhe disse do mesmo modo. E respondendo, êle disse: Eu vou, Senhor, e não foi: 31Qual dos dois fêz a vontade do pai? Responderam êles: O primeiro. Jesus lhes disse: Na verdade vos digo, que os publicanos e as neretrizes vos levarão a dianteira para o reino de Deus. 32Porque veio João a vós no caminho da justiça, e não o crestes, e os publicanos, e as prostitutas o creram, e vós outros, vendo isto, nem ainda fizestes penitência depois, para o crerdes. 33Ouvi outra parábola: Era um homem pai de família, que plantou uma vinha, e a cercou com uma sebe, e cavando fêz nela um lagar, e edificou uma torre e depois a arrendou a uns lavradores, e ausentou-se para longe. 34E estando próximo o tempo dos frutos, enviou os seus servos aos lavradores, para receberem os seus frutos. 35Mas os lavradores, lançando a mão aos servos dele, feriram um, mataram outro, e a outro apedreja 36Enviou ainda outros servos em maior número, do que os primeiros, e fizeram-lhes ó mesmo. 37E por último enviou-lhes seu filho. dizendo: Hãc.de ter respeito a meu filho. 38Porém os lavradores vendo o filho, disseram entre si: Êste é o herdeiro, vinde, matemo-lo, e ficarzmos senhores da sua herança. 39E, lançando-lhe as mãos, puseram-no fora da vinha e mataram-no. 40Quando pois vier o senhor da vinha, que fará êle àqueles lavradores? 41Responderam-lhe: Aos maus destruirá rigorosamente: E arrendará a sua vinha a outros lavradores que lhe paguem o fruto a seus tempos devidos. 42Tesus lhes disse: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que fôra rejeitada pelos que edificavam, essa tornou-se o vértice do ângulo? Pelo Senhor foi feito isto, e é coisa maravilhosa nos nossos olhos: 43Por isso é que eu vos declaro, que tirado vos-será o reino de Deus, e será dado a um povo que faça. os frutos dêle. 44O que cair sôbre esta pedra far-se-á em pedaços: E aquêle sôbre que esta pedra cair, ficará esmagado. 45E os príncipes dos sacerdotes, e os fariseus, de pois de ouvirem as suas parábolas, conheceram que dêles é que falava Jesus. 46E quando procuravam. prendê-lo, tiveram mêdo do povo, porque êste o tinha na estimação de um profeta.