Mateus 23
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Então falou Jesus às turbas, e aos seus discípulos, 2dizendo: Sôbre a cadeira de Moisés se assentaram os escribas, e os fariseus. 3Observai pois, e fazei tudo quanto êles vos disserem: Porém não obreis segundo a prática das suas ações: Porque dizem, e não fazem. 4Porque atam cargas pesadas, e incomportaveis, e as põem sôbre os ombros dos homens: Mas nem com seu dedo as querem mover. 5E fazem tôdas as suas obras, para serem vistos dos homens: Por isso trazem as suas largas tiras de per-gaminho, e grandes franjas. 6E gostam de ter nos banquetes os primeiros lugares, e nas sinagogas as primeiras cadeiras. 7E que os saúdem na praça, e que os homens os chamem mestres. 8Mas vós não queirais ser chamados mestres: Porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos. 9E a ninguém chameis pai vosso sobre a terra: Porque um só é o vosso Pai, que está nos Céus. 10Nem vos intituleis mestres: Porque um só é vosso Mestre, o Cristo. 11O que de entre vós é o maior, será o vosso servo. 12Porque aquele que se exaltar, será humilhado: E o que se humilhar, será exaltado. 13Mas ai de vós, escribas, e fariseus hipócritas: Que fechais o reino dos Céus diante dos homens: Pois nem vós entrais, nem aos que entrariam deixais entrar. 14Ai de vós, escribas, e fariseus hipócritas: Porque devorais as casas das viúvas, fazendo largas orações: Por isto levareis um juízo mais rigoroso. 15Ai de vós, escribas, e fariseus hipócritas: Porque rodeais o mar e a terra por fazerdes um prosélito: E depois de o terdes feito, o fazeis em dôbro mais digno do inferno do que vós. 16Ai de vós, condutores cegos, que dizeis: Todo o que jurar pelo Templo, isso não é nada: Mas'o que jurar pelo ouro do Templo, fica obrigado ao que jurou. 17Estultos, e cegos: Pois qual é mais: o ouro ou o Templo que santifica o ouro? 18E todo o que jurar pelo Altar, isso não é nada; mas qualquer que jurar pela oferenda, que está sobre êle, está obrigado ao que jurou. 19Cegos: pois qual é mais, a oferenda ou o Altar, que santifica a oferenda? 20Aquele pois que jura pelo Altar, jura por êle, e por tudo quanto sôbre êle está: 21E todo o que jurar pelo Templo, jura por êle, e pelo que habita nele: 22Eo que jura pelo Céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que está sentado nele. 23Ai de vós, escribas, e fariseus hipócritas, que pagais o dízimo da hortelã, e do endro, e do cominho, e haveis deixado as coisas, que são mais importantes da lei, a justiça, e a misericórdia, e a fé; estas coisas eram as que vós devíeis praticar, sem que entretanto omitisseis aquelas outras. 24Condutores cegos, que coais um mosquito, e en-gulis um camelo. 25Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque limpais o que está por fora do copo, e do prato, e por dentro estais cheios de rapinas e imundícies. 26Fariseu cego, purifica primeiro o interior do copo e do prato, para que fambém o exterior fique limpo. 27Ai de vós, escribas, e fariseus hipócritas: Porque sois semelhantes aos sepulcros branqueados, que parecem por fora formosos aos homens, e por dentro estão cheios de ossos de mortos, e de tôda a asquerosidade: 28Assim também vós outros por fora vos mostrais na verdade justos aos homens: Mas por dentro estais cheios de hipocrisia, e iniquidade. 29Ai de vós, escribas, e fariseus hipócritas, que edificais os sepulcros dos profetas, e adornais os monu-mentos dos justos, 30e dizeis: Se nós houvéramos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido seus companheiros no sangue dos profetas. 31E assim dais testemunho contra vós mesmos, de que sois filhos daqueles que mataram os profetas. 32Acabai vós pois de encher a medida de vossos pais. 33Serpentes, raça de viboras, como escapareis vós de serdes condenados ao inferno? 34Por isso eis aqui estou eu que vos envio profetas, e sábios, e escribas, e dêles matareis, e crucificareis a uns, e deles açoutareis a outros nas vossas sinagogas, e os perseguireis de cidade em cidade. 35Para que venha sôbre vós todo o sangue dos jus-tos, que se tem derramado sôbre a terra, desde o sangue do justo Abel, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem vós destes a morte entre o Templo e o Altar. 36Em verdade vos digo, que tôdas estas coisas virão a cair sôbre esta geração. 37Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados, quantas vezes quis cu ajuntar teus filhos, do modo que uma galinha recolhe debaixo das asas os seus pintos, e tu o não quiseste? 38Eis ai vos ficará deserta a vossa casa. 39Porque eu vos declaro que desde agora não me tornareis a ver até que digais: Bendito seja o que vem em nome do Senhor.