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2 Esdras 9

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo · Nas Bíblias atuais: Neemias

1E no dia vinte e quatro deste mês se ajuntaram os filhos de Israel em jejum, e vestidos de sacos, e cobertos de terra. 2E os da linhagem dos filhos de Israel foram separados de todos os filhos estrangeiros: E êles se apresentaram, e confessavam os seus pecados, e as iniquidades de seus pais. 3E levantaram-se para se porém em pé: E leram no volume da lei do Senhor seu Deus, quatro vezes no dia, e quatro vezes bendiziam e adoravam o Senhor seu Deus. 4E puseram-se sôbre o degrau dos levitas Josué, e Bani, e Cedmiel, Sabania, Boni, Sarebias, Bani, e Cana-ni: E levantaram as suas vozes, e gritaram ao Senhor seu Deus. 5E os levitas Josué, e Cedmiel, Boni, Hasebnia, Serebia, Odaia, Sebnia, Fataia disseram: Levantai-vos, bendizei o Senhor vosso Deus de século em século: E êles bendigam, ó Senhor, o sublime nome de tua glória, dando-lhe tôda a sorte de bênção e de louvor. 6Tu só és o Senhor, tu só fizeste o céu, e o céu dos céus, e todo o seu exército: A terra, e tudo o que há nela: Os mares, e tudo o que nêles se contém: E tu dás vida a tôdas estas coisas, e o exército do céu te adora. 7Tu mesmo és, ó Senhor nosso Deus, o que escolheste Abrão, e que o tiraste do fogo dos caldeus, e lhe deste o nome de Abraão. 8E achaste o seu coração fiel aos teus olhos: E fizeste concerto com êle, que lhe darias a terra dos cananeus, dos heteus, e dos amorreus, e dos fereseus, e dos jebuseus, e dos gergeseus, para a dares à sua descendência: E tu cumpriste as tuas palavras, porque és justo. 9E viste a aflição de nossos pais no Egito: E ouviste os seus clamores sôbre o mar Vermelho. 10E obraste maravilhas e prodígios sôbre Faraó, e sôbre todos os seus servos, e sôbre todo o povo daquele país: Porque sabias que êles os tinham tratado com soberba: E tu alcançaste para ti nome; assim como no dia de hoje. 11E tu dividiste o mar diante deles, e êles passaram em sêco pelo meio do mar: E tu precipitaste os seus perseguidores no fundo, como uma pedra que cai em águas profundas. 12E tu fôste o seu condutor de dia pela coluna de nuvem, e de noite pela coluna de fogo, para conhecerem o caminho, por onde iam. 13Tu também desceste ao monte Sinai, e do céu falaste com êles, e lhes deste ordenanças justas, e uma lei de verdade, cerimônias e bons preceitos: 14E os ensinaste a santificar o teu sábado, e lhes prescreveste por Moisés teu servo os mandamentos, e as cerimônias, e a lei. 15Tu lhes deste também pão do céu, quando tiveram fome, e tu lhes fizeste arrebentar água do rochedo, quando tinham sêde, e lhes disseste que entrassem e possuíssem a terra, sôbre a qual levantaste tua mão jurando que lha darias. 16Mas êles e nossos pais obraram soberbamente, e endureceram as suas cervizes, e não ouviram os teus mandamentos. 17E não quiseram ouvir, e não se lembraram das tuas maravilhas, que tinhas obrado a seu favor. E endureceram as suas cervizes, e se obstinaram voltando para a sua escravidão, como de teima. Mas tu, ó Deus propício, clemente, e misericordioso, sempre paciente, e de muita compaixão, tu não os desamparaste, 18ainda mesmo quando eles fizeram para si ura bezerro fundido, e que disseram: Êste é o teu Deus, que te tirou do Egito: E cometeram grandes blasfêmias. 19Mas tu pela multidão das tuas misericórdias não os desamparaste no deserto: A coluna de nuvem não se apartou deles de dia para os guiar pelo caminho, nem a coluna de fogo durante a noite, para lhes mostrar o caminho por onde deviam ir. 20E tu lhes deste o teu bom espírito que os ensinasse, e tu não retiraste o teu maná da sua bôca, e lhes deste água na sua sede. 21Tu os sustentaste quarenta anos no deserto, e não lhes faltou nada: Os seus vestidos não se fizeram velhos, e os Seus pés não se trilharam. 22E tu lhes deste reinos, e povos, e lhos repartiste por sortes: E êles possuíram o país de Seon, e o país do rei de Hesebon, e o pais de Og, rei de Basan. 23E multiplicaste os seus filhos como' as estrelas do Céu, e os trouxeste à terra, onde tinhas prometido a seus pais que êles entrariam e possuiriam. 24E vieram seus filhos, e possuíram a terra, e tu humilhaste diante dêles os cananeus habitantes da terra, e lhos entregaste nas suas mãos, e os seus reis e os povos do país, para fazerem deles como lhes desse na vontade. 25Êles pois tomaram fortes cidades, e um bom terreno, e possuíram casas cheias de tôda a sorte de bens: Cisternas que outros tinham edificado, vinhas, e olivais, e muitas árvores frutíferas: E comeram, e fartaram-se, e engordaram, e abundaram em delícias pela tua grande bondade; 26Mas êles te provocaram à ira, e se retiraram de. ti, e rejeitaram com desprêzo a tua lei: E mataram os teus profetas, que os conjuravam que voltassem para ti: E cometeram grandes blasfêmias. 27E tu os entregaste nas mãos de seus inimigos, e êstes os oprimiram. E no tempo da sua tribulação clamaram a ti, e tu os ouviste do Céu, e segundo a multidão das tuas misericórdias lhes deste salvadores, que os salvassem das mãos de seus inimigos. 28E quando se viram em descanso, tornaram a fazer o mal diante de ti: E tu cs deixaste nas mãos de seus inimigos, que se senhorearam dêles. E depois êles se converteram, e clamaram a ti: E tu os ouviste do Céu, e os livraste uma e muitas vêzes a efeito das tuas misericórdias. 29E tu os solicitaste para que tornassem para a tua lei. Mas êles obraram soberbamente, e não ouviram os teus mandamentos e pecaram contra as tuas ordenan-sas, as quais se o homem as observar, acha nelas a vida: E êles te deram as costas, e endureceram a sua cerviz, e não te deram ouvidos. 30E tu por muitos anos deferiste o castigá-los, e os exortaste com teu espírito por meio dos teus profetas: E eles não deram ouvidos, e tu os entregaste nas mãos dos povos da terra. 31Mas tu pela multidão de tuas misericórdias não os confundiste de todo, nem mesmo os desamparaste: Porque és um Deus misericordioso, e clemente. 32Agora pois, ó Deus nosso, grande, e terrível, que conservas o teu pacto e a tua misericórdia, não apartes de tua face todos os males que nos têm oprimido a nós, aos nossos reis, e aos nossos príncipes, e aos nossos sacerdotes, e aos nossos profetas, e a nossos pais, e a todo o teu povo desde o tempo do rei da Assíria até hoje. 33E tu és justo em tôdas as coisas, que têm vindo sôbre nós: Porque tu obraste segundo a verdade, e nós nos conduzimos impiamente. 34Os nossos reis, os nossos príncipes, os nossos sacerdotes, e nossos pais não guardaram a tua lei, não atenderam os teus mandamentos, nem os teus testemunhos que neles declaraste. 35E eles nos seus reinos, e na muita abundância de bens que lhes tinhas dado, e na terra tão espaçosa e fértil, que tu lhes entregaste na sua presença, eles te não serviram, nem se converteram das suas corrompidas inclinações. 36Tu vês que nós mesmos hoje somos escravos: Como. também o é a terra, que tu tinhas dado a nossos pais, para lhe comerem o pão, e os frutos que ela produzisse, nós mesmos também somos escravos nela. 37E os seus frutos se multiplicam para os reis, que tu puseste sôbre as nossas cabeças por causa dos nossos pecados, e êles dominam" sôbre os nossos corpos, e sôbre os nossos animais, como bem lhes apraz, e nós estamos numa grande tribulação. 38Em atenção a tôdas estas coisas nós mesmos celebramos um pacto, e o escrevemos e o assinam os nossos príncipes, os nossos levitas, e os nossos sacerdotes.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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