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Números 11

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Entretanto se levantou uma murmuração do povo contra o Senhor, como de quem se queixava da fadiga que padecia. O que ouvindo o Senhor, se irou. E acendido contra êles o fogo do Senhor devorou a última parte do campo. 2E como o povo clamasse a Moisés, orou Moisés ao Senhor, e se extinguiu o fogo. 3E chamou àquele lugar o Incêndio; porque ali se tinha acendido'o fogo do Senhor contra êles. 4Porque uma multidão do povo miúdo, que tinha vindo com êles, ardeu em desejos, sentando-se e pondo-se a chorar, unindo-se-lhe também os filhos de Israel, e disse: Quem nos dará carnes para comer? 5Lembra-nos o peixe que comíamos no Egito sem nos custar nada: vem-nos à memória os pepinos, e 'melões, os porros e as cebolas, e os alhos. 6A nossa alma está sêca, os nossos olhos não vêem senão maná. 7Ora, o maná era como os grãos do coentro, da côr do bdélio. 8O povo ia ao redor do campo, e colhendo-o, o moía numa mó, ou o pisava num gral, e cozendo-o numa panela, fazia dêle tortas de sabor como de pão amassado em azeite. 9E ao tempo que de noite caia o orvalho no campo, caía também o maná. 10Ouviu pois Moisés chorar o povo pelas suas famílias cada um à porta da sua tenda. Então se enfureceu o Senhor fortemente: e até a Moisés pareceu isto uma coisa intolerável: 11e disse ao Senhor: Por que afligiste a teu servo? por que não acho eu graça diante de ti? e por que puseste sôbre mim o pêso de todo êste povo? 12Acaso concebi eu tôda esta multidão, ou a gerei, para me dizeres: Traze-os no teu seio assim como uma ama costuma trazer uma criança, e leva-os à terra que, com juramento prometi a seus pais? 13Donde me virão carnes para dar a uma tão grande multidão? êles choram contra mim, dizendo: Dá-nos carnes" para comermos. 14Eu só não posso suportar todo êste povo, porque se me faz pesado. 15Se a ti te parece outra coisa, peço-te que me tires a vida, e ache eu graça diante dos teus olhos, para me não ver oprimido de tamanhos males. 16E respondeu o Senhor a Moisés: Ajunta-me setenta homens dos anciãos de Israel, qúe tu souberes serem os mais experimentados e mestres do povo: e os trarás à porta do tabernáculo do concerto, e fá-los-ás esperar ali contigo, 17para que eu desça a falar-te: e tirarei do teu espírito, e lho darei a êles, para que sustentem contigo a carga do povo, e não sejas tu só o gravado. 18Dirás também ao povo, purificai-vos: à manhã comereis carnes; porque eu vos ouvi dizer: Quem nos dará a comer carnes? nós estávamos bem no Egito. Assim o Senhor vos dará carnes para que comais: 19Não só um dia, nem dois, nem cinco, nem dez, nem ainda vinte; 20mas um mês inteiro, até elas vos saírem pelos narizes, e vos causarem enjôo, visto que rejeitastes o Senhor que está no meio de vós, e chorastes diante dêle, dizendo: Por que saímos nós do Egito? 21E Moisés disse: Isto é um povo de seiscentos mil homens de pé: e tu dizes: Eu lhes darei a comer carnes todo um mês? 22Acaso matar-se-á tanta quantidade de ovelhas e bois, que possa bastar para sua comida? ou ajuntar-se-ão num monte todos os peixes do mar, para Os fartarem? 23Aó qual o Senhor respondeu: Porventura é fraca a mão do Senhor? Agora mesmo verás tu se a minha palavra se põe por obra. 24Veio pois Moisés, e referiu ao povo as palavras do Senhor, ajuntando setenta homens dos anciãos, de Israel, os quais fêz estar junto do tabernáculo. 25E desceu o Senhor em a nuvem, e lhe falou, e tirando do espírito que havia em Moisés, deu dêle aos setenta homens. E tendo repousado neles o espírito, profetizaram, e não cessaram de o fazer. 26Haviam porém ficado no campo dois varões, um dos quais se chamava Eldad, e o outro Medad, sobre os quais repousou o espírito: porque também eles mesmos tinham sido alistados, mas não haviam saído para irem ao tabernáculo. 27E como profetizassem no campo, veio correndo um-moço, e deu por notícia a Moisés, dizendo: Eldad e Medad. profetizam no campo. 28Então Josué, filho de Nun, ministro de Moisés, e escolhido entre muitos, disse: Meu Senhor, proíbe-lho. 29Moisés lhe respondeu: Que zelos são estes que mostras por mim? Quem dera que todo o povo profetizasse, e que o Senhor lhe desse o seu espírito? 30Voltou pois Moisés para o campo com os anciãos de Israel. 31Um vento porém excitado pelo Senhor, vindo da outra banda do mar, arrebatou consigo codornízes, e as lançou sobre o arraial ao redor do campo -por tanto espaço, quanto se pode andar num dia; e voavam pelo ar dois côvados de alto sôbre a terra. 32Levantando-se pois o povo, apanhou todo aquêle dia, e a noite, e o outro dia, uma tão grande multidão de codornízes, que o que menos recolheu, se achou com dez medidas delas: e as puseram a secar à roda do campo. 33Ainda as carnes estavam nos seus dentes, e ainda se lhes não tinha acabado este manjar: quando o furor do Senhor se acendeu contra o povo, e o feriu com uma praga terribilíssima. 34E aquele lugar se ficou chamando os sepulcros da concupiscência: porque ali sepultaram o povo, que tinha tido os desejos. Tendo partido porém dos sepulcros da concupiscência, vieram a Haserot, e ali ficaram

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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