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Números 16

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Por êste tempo Coré filho de Isaar, filho de Caat, filho de Levi, e Datan, e Abiron filhos de Eliab, como também Hon filho de Fclet da família de Rúben, 2se levantaram contra Moisés, e outros duzentos e cinquenta dos filhos de Israel, homens principais da sinagoga, e que quando se convocava o conselho eram chamados pelos seus nomes. 3E como se tivessem feito fortes contra Moisés e Aarão, disseram: Baste-vos que todo o povo seja um povo de santos, e que o Senhor esteja com êles: Por que vos elevais vós sôbre o povo do Senhor? 4O que tendo ouvido Moisés, lançou-se com o rosto em terra: 5E falando a Coré e a tôda a multidão, disse: Amanhã fará o Senhor conhecer, quais são os que lhe pertencem, e chegará a si os que são santos: e os que escolher, se chegarão a êle. 6Fazei pois isto: Cada um tome o seu turíbulo, ta Coré, e tôda a tua companhia, 7e amanhã depois de terdes lançado fogo, ponde incenso sôbre êle diante do Senhor: e a quem êle escolher, êsse será o santo: vós vos elevais muito, ó filhos de Levi. 8E disse de novo a Coré: Ouvi, filhos de Levi: 9Acaso é pouco para vós, que o Deus de Israel vos tenha separado de todo o Povo, e chegado a si, para o servirdes no culto do tabernáculo e para assistirdes diante de todo o povo, fazendo as funções do vosso ministério? 10Foi acaso para isso que êle chamou para junto de si, a ti e a todos teus irmãos filhos de Levi, a fim de usurpardes para vós também o sacerdócio, 11e para tôda a tua tropa se sublevar contra o Senhor? Pois quem é Aarão para vós murmurardes contra êle? 12Mandou pois Moisés chamar a Datan e a Abiron filhos de Eliab. Os quais responderam: Nós não vamos. 13Porventura não estás contente com haver-nos tirado de uma terra, que manava leite e mel, para nos fazeres morrer no deserto, para também te senhoreares de nós? 14Por certo que tu nos meteste numa terra, onde corre o leite e o mel a regatos e que nos deste possessões de campos e vinhas. Quererás tu tirar-nos também os nossos olhos? Nós não vamos. 15E Moisés, irado grandemente, disse ao Senhor: Não olhes para os seus sacrifícios: Tu sabes que eu nunca recebi dêles nem tanto como um asninho, e que nunca afligi a nenhum dêles. 16E disse a Coré: Tu e tôda a tua tropa estai amanhã de uma parte diante do Senhor, e Aarão estará noutra parte. 17Tomai todos e cada um os vossos turíbulos, e ponde-lhes em cima o incenso, oferecendo ao Senhor duzentos e cinquenta turíbulos: E Aarão tenha também o seu turíbulo. 18O que tendo êles feito diante de Moisés e de Aarão, 19e tendo contra êles ajuntado tôda a multidão à entrada do tabernáculo, apareceu a todos a glória do Senhor. 20E falando o Senhor a Moisés e a Aarão, disse: 21Separai-vos do meio desta congregação, para que eu de improviso os destrua. 22Os quais se lançaram com o rosto em terra, e disseram: O' Deus fortíssimo dos espíritos de tôda a carne, acaso pelo pecado de um só homem se acenderá a tua ira contra todos? 23E o Senhor disse a Moisés: 24Manda a todo o povo que se separe das tendas de Coré, e de Datan e de Abiron. 25Levantou-se.pois Moisés, e foi às tendas de Datan e Abiron: e seguindo-o os anciãos de Israel, 26disse para a turba: Apartai-vos das tendas destes homens ímpios, e não toqueis coisa que lhes pertença, para que não sejais envolvidos nos seus pecados. 27E como se tivessem retirado todos do contorno das suas tendas, saíram fora Datan e Abiron, e estavam em pé à porta dos seus pavilhões com suas mulheres e filhos, e com tôda a sua tropa. 28Então disse Moisés: Nisto conhecereis que ò Senhor é quem me enviou, para fazer tudo o que vós vedes, e que não sou eu que o inventei de minha cabeça. 29Se estes morrerem de uma morte ordinária entre os homens, e forem feridos de uma praga, de que também os outros homens costumam ser feridos, não é o Senhor quem me enviou: 30Mas se o Senhor fizer por um novo prodígio, que a terra, abrindo a sua bôca, os engula com tudo o que lhes pertence, e que desçam vivos ao inferno, então sabereis que êles blasfemaram contra o Senhor. 31Logo pois que êle acabou de falar, se rompeu a terra debaixo. dos seus pés: 32e abrindo a sua bôca, os tragou com as suas tendas e com tudo o que lhes pertencia. 33E desceram vivos ao inferno cobertos de terra, e pereceram do meio da multidão. 34Todo o Israel, porém, que estava na circunvizinhança, fugiu ao clamor dos que pereciam, dizendo: Não suceda que a terra nos engula também a nós. 35Ao mesmo tempo saindo um fogo do Senhor, matou os duzentos e cinquenta homens, que ofereciam o incenso. 36E o Senhor falou a Moisés, dizendo: 37Manda ao Sacerdote Eleazar filho de Aarão que tire os turíbulos que estão no meio do incêndio, e que espalhe o fogo duma para outra parte; porque foram santificados 38na morte dos pecadores: e que os reduza a lâminas, e os pregue no altar, porque neles se ofereceu incenso ao Senhor, e foram santificados, para que filhos de Israel os contemplem como sinal e monumento. 39Tirou pois o sacerdote Eleazar os turíbulos de metal, nos quais tinham oferecido os que foram consumidos pelo incêndio, e os converteu em lâminas, pregando-os no altar, 40para que os filhos de Israel tivessem ao depois em que escarmentar, a fim de que nenhum estrangeiro, nem algum que não seja da linhagem de Aarão se chegue para oferecer incenso ao Senhor, e padeça a mesma pena, que padeceu Coré, e tôda a sua tropa, conforme o Senhor tinha dito a Moisés. 41Mas no dia seguinte tôda a multidão dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e contra Aarão, dizendo: Vós matastes o povo do Senhor. 42E como se formasse sedição, e crescesse o tu-muito, 43fugiram Moisés e Aarão para o tabernáculo do concerto. Ao qual, depois que eles entraram cobriu a nuvem, e apareceu a glória do Senhor. 44E o Senhor disse a Moisés: 45Retirai-vos do meio desta multidão, ainda agora os destruirei. E como se prostrassem por terra, 46disse Moisés a Aarão: Toma o turíbulo, e pondo-lhe fogo do altar, deita-lhe em cima incenso, e vai depressa ao povo, para rogares por êle: Porque já do Senhor saiu a ira, e já a mortandade começa a sentir-se, 47O que tendo feito Aarão, e correndo ao meio da multidão, a quem já abrasava o incêndio, ofereceu o incenso: 48E pôsto em pé entre mortos e vivos, rogou pelo povo, e cessou a mortandade. 49Os que porém pereceram, foram catorze mil e setecentos homens, fora os que tinham perecido na sedição de Coré. 50E Aarão voltou para Moisés para a porta do tabernáculo do concerto, depois que cessou a mortandade.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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