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Provérbios 24

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Não tenhas inveja aos homens maus, nem desejes estar com êles: 2Porque o seu espírito medita rapinas, e os seus lábios falam enganos. 3A casa fundar-se-á com a sabedoria, e fortificar-se-à com a prudência. 4Pela doutrina encher-se-ão as despensas de tôda a substância preciosa e formosíssima. 5O varão sábio é forte: E o varão douto, robusto e valente. 6Porque a guerra pela boa ordem se maneja: E a salvação achar-se-á onde há muitos conselhos. 7Para o insensato é árdua a sabedoria; êle não abrirá na porta a sua bôca. 8Aquêle que anda cuidando em fazer males, será chamado insensato. 9O pensamento do insensato é o pecado: E o de-trator é a abominação dos homens. 10Se tu perderes a esperança descorçoado no dia da angústia: Será minguada a tua fortaleza. 11Tira do perigo aquêles que são levados à morte: E não cesses de livrar aos que são arrastados ao degoladouro. 12Se tu disseres: As fôrças não me ajudam: O mesmo que é inspetor do coração, o conhece, e ao guar-dador da tua alma nada se esconde, e êle retribuirá ao homem segundo as suas obras. 13Come, meu filho, do mel, porque é bom, e do favo docissimo à tua garganta: 14Tal será também para a tua alma a doutrina da sabedoria: Quando tu a achares, terás esperança na tua última hora, e a tua esperança não perecerá. 15Não armes traições ao justo, e não andes buscando a impiedade na sua casa, nem perturbes o seu repouso. 16Porque o justo cairá sete vêzes, e tornar-se-á a levantar: Porém os ímpios serão precipitados no mal. 17Não te alegres, quando cair o teu inimigo nem o teu coração se regozije com a sua ruína. 18Por não suceder que o Senhor o veja, e que isto lhe desagrade, e que tire de cima dêle a sua ira. 19Não andes em competência com os homens péssimos, nem invejes aos ímpios: 20Porque os maus não têm esperança alguma para o futuro, e a candeia dos ímpios apagar-se-á. 21Teme, meu filho, ao Senhor, e ao rei: e não te mistures com os detratores: 22Porque de repente se levantará a sua perdição: E quem sabe a ruína de ambos? 23O que vou a dizer, é também para os sábios: Não é bom fazer acepção de pessoas nos juízos. 24Aqueles que dizem ao ímpio: Tu és justo: Amaldiçoá-los-ão os povos, e detestá-los-ão as tribos. 25Aquêles que o repreendem serão louvados: E virá sôbre êles a bênção. 26Aquêle que dá uma resposta direita, beijará os seus lábios. 27Prepara de fora a tua obra, e lavra cuidadosamente o teu campo: Para que depois edifiques a tua casa. 28Não sejas testemunha em vão contra o teu próximo: Nem seduzas a ninguém com os teus lábios. 29Não digas: Como êle me fêz a mim, assim farei eu a êle: Tornarei a cada um segundo as sas obras. 30Passei pelo campo do homem preguiçoso, e pela vinha do homem insensato: 31E eis-que achei que tudo estava cheio de urtigas, e que os espinhos cobriam a sua superfície, e que o muro de pedra estava caído. 32O que tendo eu visto, pu-lo no meu coração, e dêste exemplo aprendi a disciplina. 33Um pouco, disse eu comigo, dormirás, outro breve espaço dormitarás, outro poucochinho cruzarás as mãos, para descansares: 34E virá sôbre ti a indigência como um caminheiro, e a mendiguez como homem armado.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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