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Provérbios 29

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Sôbre aquêle homem, que despreza com uma cerviz dura a quem o repreende, virá de repente a sua total ruína: E não terá mais remédio. 2Na multiplicação dos justos se alegrará o vulgo: Quando os ímpios tomarem o govêrno, gemerá o povo. 3O homem, que ama a sabedoria, alegra a seu pai: O que porém sustenta prostitutas, perderá os seus bens. 4O rei justo faz florescer o seu estado: O homem avarento destrui-lo-á. 5O homem que, quando fala ao seu amigo, usa de uma linguagem lisonjeira, e fingida, arma uma rede aos seus passos. 6Ao homem pecador iníquo envolverá o laço: E o justo louvará e se regozijará. 7O justo toma conhecimento da causa dos pobres: O ímpio ignora a ciência. 8Os homens pestilentes destroem a cidade: Os sábios, porém, apartam o furor. 9Se o homem sábio disputar com o insensato, ou êle se agaste, ou se ria, não achará descanso. 10Os homens sangiinários aborrecem o simples: Mas os justos procuram conservar-lhe a vida. 11O homem produz logo tudo o que tem no seu espírito: O sábio não se apressa, mas reserva-se para O depois. 12O príncipe, que ouve de boamente as palavras da mentira, só os ímpios tem por ministros. 13O pobre e o credor se encontraram: O Senhor é que alumia um e outro. 14Quando o rei julga os pobres conforme a verdade, o seu trono será firmado para sempre. 15A vara e a correção dão sabedoria: O menino porém, que é deixado à sua vontade, serve de confusão a sua mãe. 16Com a multiplicação dos ímpios se multiplicarão as maldades e os justos verão a sua ruína. 17Cria bem a teu filho, e consolar-te-á, e servirá de delícias à tua alma. 18Quando faltar a profecia, dissipar-se-ã o povo: Aquêle porém que guarda a lei, é bem-aventurado. 19O escravo não pode ser ensinado por palavras: Porque êle entende o que tu dizes, e despreza responder. 20Viste um homem precipitado no falar? mais se devem dêle esperar loucuras, do que emenda. 21Aquêle que cria delicadamente o seu criado desde a infância, ao depois experimentá-lo-á contumaz. 22O homem iracundo excita reixas: E o que fácil-mente se indigna será mais propenso a pecar. 23Ao soberbo segue a humilhação: E o humilde de espírito receberá a glória. 24Aquele que se associa com o ladrão, aborrece a sua própria alma: Ouve ao que o toma para juramento, e nada denuncia. 25Aquêle que teme ao homem, depressa cairá: O que espera no Senhor será levantado. 26São muitos os que buscam a face do príncipe: Mas do Senhor sai o juízo de cada um. 27Os justos abominam o homem ímpio: E os ímpios abominam aquêles que se acham no caminho direito. O filho que guarda a palavra, será isento da perdição.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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