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Provérbios 30

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Palavras do que congrega, filho do que arrevesa sabedoria., Visão que expôs um varão, com quem está Deus, e que tendo sido confortado pela assistência de Deus que reside nêle, disse: 2Eu sou o mais insensato dos homens, e a sabedoria dos homens não está comigo. 3Eu não aprendi a sabedoria, e não conheci a ciência dos santos. 4Quem subiu ao céu, e desceu dele? quem reteve o vento nas suas mãos? quem atou as águas como num vestido? quem firmou tôda a extensão da terra? qual é o seu nome, e qual é o nome de seu filho, se é que o sabes? 5Tôda a palavra de Deus é purificada ao fogo: Êle é um escudo para os que esperam nêle: 6Não acrescentes nada às suas palavras, para não seres por isso repreendido, e achado mentiroso. 7Duas coisas são as que te pedi: Não mas negues antes que morra. 8Alonga de mim a vaidade, e as palavras de mentira: Não me dês nem a pobreza, nem as riquezas: Dá-me somente o que fôr necessário para viver: 9Para que não suceda que, estando farto, seja eu tentado a te renunciar, e a dizer: Quem é o Senhor? Ou que, constrangido da indigência, me ponha a furtar, e viole por um juramento o nome de meu Deus. 10Não acuses o servo diante de seu Senhor, para gue não suceda amaldiçoar-te êle, e caíres tu. 11Há uma progênie, que amaldiçoa a seu pai, e que não abençoa a sua mãe. 12Há uma progênie, que crê de si que é pura, e contudo ela não está limpa das suas manchas. 13Há uma progênie, cujos olhos são altivos, e as suas pálpebras levantadas para cima. 14Há uma progênie, que em lugar de dentes tem espadas, e mastiga com os seus queixais, para devorar os que não têm nada na terra, e que são pobres entre os homens. 15Duas são as filhas da sanguessuga, que dizem: Traze, traze. Há três coisas, que são insaciáveis, e uma quarta que nunca diz: Basta. 16O inferno, e a bôca da madre, e a terra, que se não farta de água: Do mesmo modo o fogo nunca diz: Basta: 17Quanto ao ôlho do que escarnece de seu pai, e do que despreza a paridura de sua mãe, arranquem-no os corvos, que andam à borda das torrentes, e comam-no os filhos da águia. 18Três coisas me são dificultosas de entender, e uma quarta eu a ignoro inteiramente: 19O caminho da águia no ar, o caminho da cobra sôbre a pedra, o caminho da nau no meio do mar, e o caminho do homem na sua mocidade. 20Tal é também o caminho da mulher adúltera, a qual come, e alimpando a sua bôca, diz: Eu não fiz mal nenhum. 21A terra estremece com três coisas, e a quarta não a pôde ela suportar: 22Com um escravo, quando êste reinar: Com um insensato, quando estiver farto de comer: 23Com uma mulher odiosa, quando um homem a receber: E com uma escrava, quando esta vier a ficar herdeira de sua senhora. 24Quatro coisas há na terra, que são muito pequenas, e que são mais sábias do que os mesmos sábios. 25As formigas, aquêle fraco povo, que faz o seu provimento durante a messe: 26Os coelhos, aquela débil tropa, que faz a sua habitação nos rochedos: 27Os gafanhotos, que não têm rei, e que todavia. saem todos ordenados em seus esquadrões: 28O lagarto, que se sustém nas suas mãos, e que mora no palácio dos reis. 29Há três coisas, que andam bem, e uma quarta que nada magnificamente: 30O leão, o mais forte dos animais, de nada que encontre terá mêdo: 31O galo, que anda mui senhor de si: E o carneiro: E um rei, a quem nada resiste. 32Tal homem há que pareceu um insensato, depois que foi elevado a uma sublime ordem: Porque se êle tivesse tido inteligência, teria pôsto a mão na sua bôca. 33Aquêle que com fôrça espreme a têta para tirar leite, faz sair dela um suco crasso: E aquêle que excita a ira produz discórdias.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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