Provérbios 6
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Meu filho, se ficares por fiador do teu amigo, deste por êle a tua mão a um estranho, 2com as palavras da tua bôca te meteste no laço, e ficaste preso pelas tuas próprias expressões. 3Faze pois, meu filho, o que te digo, e livra-te a ti mesmo: Pois que caíste nas mãos do teu próximo. Discorre duma para outra parte, apressa-te, desperta ao teu amigo: 4Não deixes entregarem-se ao sono os teus olhos, nem dormitem as tuas pálpebras. 5Salva-te como uma corçazinha que escapa da mão e como um pássaro que foge dentre as mãos do armador. 6Vai ter, ó preguiçoso, com a formiga e considera os teus caminhos, e aprende dela a sabedoria: 7A qual não tendo condutor, nem mestre, nem príncipe, 8faz o seu provimento no estio, e ajunta no tempo da ceifa de que se sustentar. 9Até quando dormirás tu, ò preguiçoso? Quando te levantarás tu do teu sono? 10Um poucochinho dormirás, outro poucochinho dormitarás, outro poucochinho cruzarás as mãos para dormires: 11E virá sôbre ti a indigência, como um caminheiro, e a pobreza, como um homem armado. Se tu porém fôres diligente, virá a tua messe como uma fonte, e a indigência fugirá longe de ti. 12O homem apóstata é um homem inútil, caminha com bôca perversa, 13êle faz sinais com os olhos, bate com o pé, fala com os dedos, 14com depravado coração maquina o mal, e em todo o tempo semeia distúrbios: 15A êste tal virá de repente a sua perdição, e de improviso será quebrantado, e não terá mais daí por diante remédio. 16Seis são as coisas que o Senhor aborrece, e a sua alma detesta a sétima: 17Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, 18coração que maquina malvadíssimos projetos, pés prontos para correr ao mal, 19testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia discórdias entre seus irmãos. 20Conserva, meu filho, preceitos de teu pai, e não largues a lei de tua mãe. 21Traze-os incessantemente atados ao teu coração, e põe-nos à roda da tua garganta. 22Quando andares,êles te acompanhem: Quando dormires, êles te guardem, e em acordando fala com êles: 23Porque o mandamento é uma candeia, e a lei uma luz e a repreensão da disciplina o caminho da vida: 24Para que te guardem da má mulher, e da língua lisonjeira da estranha. 25Não cobice o teu coração a sua formosura, nem te deixes prender dos seus acenos: 26Porque o preço da meretriz apenas é de um pão: Mas a mulher cativa a alma do homem, a qual não tem preço. 27Acaso pode o homem esconder o fogo no seu seio, sem que ardam os seus vestidos? 28Ou pode êle andar por cima das brasas, sem que se queime a planta dos seus pés? 29Assim o que se chega à mulher de seu próximo, não ficará limpo depois de a tocar. 30Não é grande culpa, quando algum furtar: Porque furta para saciar a sua esfaimada alma: 31Também depois de colhido às mãos, pagará sete vêzes em dôbro, e entregará todos os bens da sua casa. 32Porém o que é adúltero perderá a sua alma por causa da loucura do seu coração: 33Êle ajunta para si a infâmia e a ignomínia e não se apagará o seu opróbrio: 34Porque o ciúme e o furor do marido não lhe perdoará no dia da vingança, 35nem êle se dobrará aos rogos de nenhum, nem receberá em satisfação presentes, ainda que sejam em mui grande número.