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Rute 3

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Tendo Rute voltado para sua sogra, esta lhe disse: Minha filha, eu ando cuidando em te pôr em descanso, e o farei de modo que fiques bem. 2Êste Booz, com cujas moças tu andaste unida no campo, é nosso parente chegado, e esta noite há de alimpar a sua cevada na eira. 3Lava-te pois, e unge-te e toma os teus melhores vestidos, e vai à sua eira. Não te veja êste homem, menos que não tenha acabado de comer e beber. 4E quando se fôr deitar, nota bem o lugar em que dorme: e irás, e levantar-lhe-ás a capa com que se cobre da parte dos pés, e ali te deitarás, e te deixarás estar: e êle te dirá o que deves fazer. 5Ela lhe respondeu: Farei tudo o que ordenas. 6E partiu para a eira, e fêz tudo o que sua sogra lhe tinha mandado. 7E quando Booz, depois de ter comido, estava mais alegre, e se foi deitar a dormir ao pé duma meda, veio ela muito de mansinho, e tendo-lhe levantado a capa pelos pés, deitou-se ali. 8E eis que pela meia-noite espertou o homem espavorido, e turbado: e viu uma mulher deitada aos pés, 9e lhe disse: Quem és tu? Ela lhe respondeu: Sou Rute tua escrava. Estende a tua capa sôbre a tua serva, porque és parente chegado. 10E êle disse: Filha, bendita sejas do Senhor, que excedeste a tua primeira bondade com esta de agora: Pois que não buscaste mancebos pobres, ou ricos. 11Não temas pois que eu te farei tudo que me disseres: Porque todo o povo, que mora das portas para dentro da minha cidade, sabe que és uma mulher de virtude. 12Nem eu nego que sou teu parente, mas há outro mais próximo. 13Descansa esta noite: e quando fôr manhã, se êle te quiser receber pelo direito de parentesco, muito embora: Mas se o não quiser; viva o Senhor, que eu in-dubitàvelmente te hei de receber. Dorme até pela manhã. 14Dormiu ela pois a seus pés, até que se passou a noite. E levantou-se antes que os homens se pudessem entreconhecer, e Booz lhe disse: Vê, não saiba ninguém que vieste aqui. 15E ajuntou: Estende a capa com que te cobres, w segura-a bem com ambas as mãos. Tendo-a Rute estendido, e segurando-a, êle lhe mediu seis alqueires de cevada, e lhos pôs em cima. Ela carregada com êles entrou na cidade, 16e voltou para sua sogra. Esta lhe disse: Que fizeste, filha? E ela lhe contou tudo o que o homem lhe fizera. 17E acrescentou: Eis-aqui seis alqueires de cevada que êle me deu, dizendo: Não quero que tornes vazia para tua sogra. 18E Noemi lhe disse: Espera, filha, até vermos em que pára êste negócio: Porque Booz não há de descansar, enquanto não cumprir o que. disse.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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