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Salmo 103 (104)

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

Numeração da Vulgata. Nas Bíblias atuais este é o Salmo 104.

1Do mesmo Davi. Bendiz, ó alma minha, ao Senhor: Senhor Deus meu, tu te tens engrandecido poderosamente. De glória, e de formosura te tens vestido: 2Coberto de lume como de vestidura: Que estendes o céu como um pavilhão: 3Que cobres com águas os seus mais altos lugares. Que pões uma nuvem para tua subida: Que andas sôbre as asas dos ventos. 4Que fazes aos teus anjos espíritos e aos teus ministros fogo queimador. 5Que fundaste a terra sôbre a sua própria estabilidade: Não se inclinará pelos séculos dos séculos. 6O abismo a cinge a ela, como um vestido: Sôbre os montes estarão as águas. 7À tua ameaça fugiram: À vòz do teu trovão temeram. 8Sobem os montes, e descem as campinas ao lugar que lhes estabeleceste. 9Têrmo lhes puseste, que não traspassaram e não voltaram a cobrir a terra. 10Que fazes sair fontes nos vales: Por meio dos montes passarão as águas. 11Beberão todos os animais do campo: Suspirarão por elas os onagros na sua sêde. 12Sôbre elas morarão as aves do Céu: As quais do meio dos rochedos darão vozes. 13Que regas os montes das águas mais altas: Do fruto de tuas obras se saciará a terra: 14Que produzes feno para as alimárias, e erva para o serviço dos homens, Para fazer sair o pão do seio da ferra: 15E o vinho que alegra o coração do homem. O azeite para que o homem faça brilhar o seu rosto: E com o pão corrobore o seu coração. 16Saciar-se-ão as árvores do campo, e os cedros do Líbano que plantou: 17Ali farão ninho as aves. A casa da cegonha lhes serve de guia a elas: 18Os montes altos são refúgio aos cervos: Os penhascos para os ouriços cacheiros. 19Fêz a lua para designar os tempos: O sol conheceu e seu ocaso. 20Puseste trevas, e foi feita a noite: Nela transitarão tôdas as alimárias da selva. 21Os cachorros dos leões rugem em busca da presa, e para pedirem a Deus o seu sustento. 22Saiu o sol, e recolheram-se: E meter-se-ão nos seus covis. 23Sairá o homem à sua obra: aos seus trabalhos até à.noite. 24Quão magníficas são as tuas obras, Senhor! tôdas as coisas fizeste com sabedoria! cheia está a terra da tua possessão. 25Êste mar grande, e largo de braços: Ali existem peixes que não têm número. Animais pequenos e grandes: 26Ali transitaram as naus. Êste dragão, que formaste para zombar no mar: 27Todos esperam de ti que lhes dês de comer a seu tempo. 28Dando-lho tu, êles recolherão: Abrindo tu a tua mão, todos se encherão de bens. 29Mas se tu apartares o teu rosto, turbar-se-ão: Tirar-lhe-ás o espírito, e deixarão de ser, e tornar-se-ão no seu pó. 30Enviarás o teu espírito, e serão criados: E renovarás a face da terra. 31Seja a glória do Senhor para sempre: Alegrar-se-á o Senhor nas suas obras: 32O que olha para a terra, e a faz estremecer: O que toca os montes, e fumegam. 33Cantarei ao Senhor em todo o espaço da minha vida: Cantarei salmos ao meu Deus enquanto eu subsistir. 34Sejam-lhe aceitas as minhas palavras: Eu certamente me deleitarei no Senhor. 35Feneçam da terra os pecadores, e vos iníquos, de modo que não subsistam: Bendiz, ó alma minha, ao Senhor.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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