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Salmo 108 (109)

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

Numeração da Vulgata. Nas Bíblias atuais este é o Salmo 109.

1Ao regente do côro, salmo de Davi. 2O' Deus, não cales o meu louvor: Porque a bôca do pecador, e a bôca do traidor se abriu contra mim. 3Falaram contra mim com línguas aleivosas, e com palavras de ódio me cercaram: E sem causa me têm feito guerra. 4Em vez de amar-me, diziam mal de mim: Mas eu orava. 5E tornaram contra mim males por bens: E ódio em câmbio do amor que lhes tinha. 6Põem sôbre êle ao pecador: E o diabo esteja à sua direita. 7Quando fôr julgado, saia condenado: E a sua oração se lhe impute a pecado. 8Sejam abreviados os seus dias: 9Fiquem seus filhos órfãos: E sua mulher viúva. 10Prófugos andem de um lugar para outro seus filhos, e mendiguem: E sejam lançados fora das suas habitações. 11O usurário dê caça a todos os seus bens: E os estranhos roubem o fruto dos seus trabalhos. 12Não tenha quem o ajude: Nem haja quem se compadeça dos seus órfãos. 13Sejam seus filhos para extermínio: Em uma só geração fique apagado o seu nome. 14A iniquidade de seus pais reviva na presença do Senhor ocorrendo à sua lembrança: E o pecado de sua mãe não seja apagado. 15Estejam sempre diante do Senhor, e seja riscada da terra a memória dêles. 16Porquanto se não lembrou de usar de misericórdia. 17E perseguiu ao homem sem amparo, e ao mendigo, e ao quebrantado de coração para o entregar à morte. 18E como amou a maldição, ela lhe virá: E como não quis a bênção ela se apartará dêle. E vestiu-se de maldição como dum vestido, e entrou como água nas suas entranhas, e como azeite nos seus ossos. 19Seja-lhe como o vestido, com que se cobre: E como a cinta, com que sempre se cinge. 20Esta é diante do Senhor a obra daqueles que dizem mal de mim: E que falam males contra a minha alma. 21E tu, Senhor, Senhor, toma à tua conta a minha defensa por amor de teu Nome: Porque suave é a tua misericórdia. Livra-me. 22Porque eu sou necessitado, e pobre: E o meu coração está turbado dentro de mim. 23Tenho desaparecido, como a sombra que vai caindo: E tenho sido arrojado como os gafanhotos. 24Os meus joelhos se têm debilitado pelo jejum: E minha carne se tem mudado pelo azeite. 25E eu tenho chegado a ser o opróbrio dêles: Viram-me e menearam as suas cabeças. 26Assiste-me, Senhor Deus meu: Salva-me segundo a tua: misericórdia. 27E saibam que isto é um golpe da tua mão: E que tu, Senhor, tens feito estas coisas. 28Êles me amaldiçoarão, e tu me abençoarás: Confundidos sejam os que se levantam contra mim: Mas o teu servo se alegrará. 29Vestidos sejam de afronta os que me caluniam: E fiquem cobertos da sua confusão como de uma capa dobrada. 30Glorificarei altamente ao Senhor com a minha bôca: E no meio de muitos o louvarei. 31Porque se pôs à direita do pobre, para salvar a minha alma dos perseguidores.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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