Salmo 17 (18)
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
Numeração da Vulgata. Nas Bíblias atuais este é o Salmo 18.
1Ao regente do côro do servo do Senhor, de Davi, que pronunciou para glória do Senhor as palavras dêste cântico, no dia em que o Senhor o livrou da mão de todos os seus inimigos, assim como poder de Saul, 2Eu te amarei, Senhor, que és a minha fortaleza: 3O Senhor é a firmeza, e o meu refúgio, e o meu libertador. Êle é meu Deus, meu favorecedor, e nêle esperarei. Meu protetor, e a fôrça da minha salvação, e meu amparador. 4Louvando-o, invocarei ao Senhor: E serei salvo de meus inimigos. 5Cercaram-me de dores de morte: E torrentes de iniquidade me conturbaram. 6Dores de inferno me cercaram: Surpreenderam-me laços de morte. 7Na minha tribulação invoquei o Senhor, e clamei ao meu Deus. E êle ouviu desde o seu santo templo a minha voz: E o clamor que eu dei na sua presença, entrou nos seus ouvidos. 8Comoveu-se a terra, e tremeu: Os fundamentos dos montes estremeceram, e se abalaram, porque se indignou contra êles. 9Subiu fumo na ira dêle: E saiu fogo ardendo do seu rosto: Por êle foram incendiados carvões. 10Inclinou os céus, e desceu: E obscuridade debaixo de seus pés. 11E subiu sôbre querubins, e voou: Voou sôbre as asas dos ventos. 12E se ocultou nas trevas como em um pavilhão seu, que o cercava: Água tenebrosa nas nuvens do ar. 13Pelo resplendor da sua presença se desfizeram as nuvens em chuva de pedra, e carvões de fogo. 14E o Senhor trovejou desde o céu, e o Altíssimo fêz ouvir a sua voz: E caíram pedra e carvões de fogo. 15E enviou as suas setas e desbaratou-os: Multiplicou relâmpagos, e os aterrou. 16E apareceram os mananciais das águas, e ficaram descobertos os fundamentos da terra: Às tuas ameaças, ó Senhor, ao sôpro impetuoso da tua ira. 17Enviou desde o alto, e me tomou: E me tirou das muitas águas. 18file me livrou de meus fortíssimos inimigos, e dos que me aborreciam: Porque se tinham feito mais poderosos do que eu. 19Eles me atacaram no dia da minha aflição: E o Senhor se declarou meu protetor. 20Êle me tirou ao largo: Êle me salvou, por efeito de me querer bem. 21E o Senhor me retribuirá segundo a minha justiça, e êle me retribuirá segundo a pureza das minhas mãos. 22Porque guardei os caminhos do Senhor, e não procedi impiamente contra o meu Deus. 23Porque todos os seus juízos estão diante de mim: E porque não repeli de diante de mim as suas justiças. 24E serei sem mácula diante dêle: E me guardarei da minha iniquidade. 25E o Senhor me retribuirá segundo a minha justiça: E segundo a pureza das minhas mãos que é presente aos seus olhos. 26Tu serás santo com o santo, e serás inocente com varão inocente: 27E com escolhido escolhido serás: E serás perverso com o perverso. 28Porque ín salvarás ao povo humilde: E humilharás os olhos dos soberbos. 29Pois que tu, Senhor, alumias a minha candeia: Esclarece, meu Deus, as minhas trevas. 30Porque por ti sairei livre da tentação, e com o meu Deus traspassarei a muralha. 31Meu Deus, sem mácula é o caminho do Senhor: As suas palavras são examinadas no fogo: file é o protetor de todos os que nêle esperam. 32Porque quem e Deus fora do Senhor? Ou que Deus há fora do nosso Deus? 33Êle é o Deus que me revestiu de fôrça: E fêz que o caminho fôsse imaculado. 34Que fêz os meus pés como de servos, e me estabeleceu sôbre lugares altos. 35Que adestra as minhas mãos para a peleja: E formaste os meus braços, como arco de bronze. 36Que me deste a tua proteção para me salvar: E a tua direita me susteve: A tua disciplina me corrigiu até o fim: E essa tua mesma disciplina ela me ensinará. 37Alargaste os mesmos passos debaixo de mim: E não se enfraqueceram os meus pés: 38Perseguirei os meus inimigos, e apanhá-los-ei: E não me volverei até que êles acabem. 39Eu lhes quebrarei as forças, e êles não poderão ter-se em pé: E cairão debaixo de meus pés. 40Porque tu me guarneceste de fôrça para a guerra: E abateste debaixo de mim aos que se levantaram contra mim: 41E fizeste que os meus inimigos me dessem costas, e aniquilaste aos que me aborreciam. 42Gritaram, e não havia quem os salvasse, ao Senhor: E não os ouviu. 43E os desfarei, como o pó que o vento espalha: Fá-los-ei desaparecer como a lama das ruas. 44Livrar-me-ás das contradições do povo: Estabelecer-me-ás em cabeça das gentes. 45Um povo, que não conheci, me serviu: Ao ouvir a minha voz me foi obediente. 46Os filhos estranhos me mentiram, os filhos estranhos se: envelheceram, e claudicaram dos seus caminhos. 47Viva o Senhor, e seja bendito o meu Deus, e seja exaltado o Deus da minha salvação. 48Deus que me dás vinganças, e sujeitas os povos debaixo de mim, meu libertador dos meus inimigos enfurecidos. 49E tu me elevarás por cima daqueles, que se levantam contra mim: Tu me livrarás do homem iníquo. 50Por isso eu, Senhor, te louvarei entre as nações: E cantarei um salmo ao teu nome. 51O qual engrandece com magnificência a salvação do rei, e que faz misericórdia a Davi seu Cristo, e fará à sua posteridade por todos os séculos.