Salmo 21 (22)
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
Numeração da Vulgata. Nas Bíblias atuais este é o Salmo 22.
1Ao regente do côro, salmo de Davi, com o tom do canto Ayyeleth asch-schakhar. 2Deus, Deus meu, olha para mim: Por que me desamparaste? Os clamores de meus pecados são causa de estar longe de mim a salvação. 3Meu Deus, clamarei durante o dia, e tu não me ouvirás: Clamarei de noite, e não por insipiência minha. 4Mas tu moras no lugar santo, ó Glória de Israel. 5Em ti esperaram nossos pais: Esperaram, e os livraste. 6A ti clamaram, e foram salvos: Em ti esperaram, e não foram confundidos. 7Mas eu sou bichinho, e não homem: O opróbrio dos homens, e a abjeção da plebe. 8Todos os que me viam escarneceram de mim: Falaram com os lábios, e menearam a cabeça. 9Esperou no Senhor, livre-o: Salve-o: se é que o ama. 10Porque tu és o que me tiraste do ventre: A minha esperança desde os peitos de minha mãe. 11Eu fui lançado nos teus braços desde o seu seio: Tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe. 12Não te retires de mim: Porque a tribulação está próxima: Porque não há quem me ajude. 13Um grande número de novilhos me cercaram: Eu me vi sitiado de gordos touros. 14Abriram sôbre mim a sua bôca, como leão roubador e que dá rugidos. 15Eu me derramei como água, e todos os meus ossos se desconjuntaram. O meu coraçãono meio das minhas entranhas se tornou como cêra que se derrete, 16Secou-se como barro cozido o meu vigor, e a minha língua se pegou às minhas fauces: E me tens conduzido até ao pó da sepultura. 17Porquanto me rodearam muitos cães: Uma tur-ha de malignos me sitiou. Êles trespassaram as minhas mãos e os meus pés: 18Contaram todos os meus ossos. E êles mesmos me estiveram considerando e olhando: 19Repartiram entre si os meus vestidos, e lançaram sorte sôbre a minha túnica. 20Mas tu, Senhor, não afastes de mim o teu socorro: Aplica-te a me defenderes. 21Livra, ó Deus, a minha alma da espada: E da mão do cão a minha vida. 22Salva-me a mim da bôca do leão: E a minha humildade dos cornos dos unicórnios. 23Então anunciarei o teu nome a meus irmãos: No meio da Igreja te louvarei. 24Vós os que temeis ao Senhor, louvai-o: Vós todos os que sois a descendência de Jacó, glorificai-o: 25Tema-o tôda a posteridade de Israel: Porque êle não desprezou, nem se indignou da humilde suplica do pobre: Nem apartou de mim a sua face: Mas êle me ouviu quando eu lhe clamava. 26Para contigo o meu louvor na Igreja grande: Eu cumprirei os meus votos em presença dos que o temem. 27Os pobres comerão, e serão fartos: E os que buscam ao Senhor louvá-lo-ão: Os seus corações viverão pelos séculos dos séculos. 28Lembrar-se-ão, e converter-se-ão ao Senhor todos os limites da terra: E adorarão na sua presença tôdas as famílias das gentes. 29Porquanto do Senhor é o reino, êle mesmo reinará sôbre as gentes. 30Comeram e o adoraram todos os poderosos da terra: Diante dêle se prostraram todos os que descem à terra. 31E a minha alma viverá para êle: E a minha descendência o servirá a êle mesmo. 32A geração que há de vir será chamada com o -nome do Senhor: E anunciarão os céus a justiça dêle ao povo que há de nascer,