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Salmo 68 (69)

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

Numeração da Vulgata. Nas Bíblias atuais este é o Salmo 69.

1Ao regente do côro. Sôbre os Schoschannim. De Davi. 2Salva-me, ó Deus: Porque as águas têm entrado até à minha alma. 3Atolado estou no lôdo do profundo: Nem há consistência. Cheguei ao alto m ar: E a tempestade me submergiu. 4Cansei-me clamando, enrouqueceram-se as minhas fauces: Desfaleceram os meus olhos, enquanto espero no meu Deus. 5Têm-se multiplicado mais que os cabelos da minha cabeça, os que me aborrecem sem razão. Têm-se fortalecido os meus inimigos que me perseguiram injustamente: Paguei então o que não tinha roubado. 6Ó Deus, tu conheces as minhas faltas: E os meus delitos não te são ocultos. 7Não sejam envergonhados por minha causa os que te esperam, Senhor: Senhor das virtudes. Não sejam confundidos a meu respeito aqueles que te buscam, ó Deus de Israel. 8Pois por tua causa tenho sofrido afronta: Foi coberto de confusão o meu rosto. 9Tenho-me tornado estranho a meus irmãos, e desconhecido aos filhos de minha mãe. 10Porque o zelo da tua casa me devorou: E os opróbrios dos que te improperavam a ti, recaíram sôbre mim. 11E cobri pelo jejum a minha alma: E tornou-se-me em opróbrio. 12E tomei por vestido cilício: E fui para com êles escárnio. 13Contra mim falavam os que se sentavam à porta: E sôbre mim cantavam os que bebiam vinho. 14Porém eu, Senhor, dirigia-te a minha oração, dizendo: Tempo é de beneplácito, ó Deus. Ouve-me segundo a multidão da tua misericórdia, segundo a verdade da tua salvação. 15Tira-me do lôdo para que não fique atolado: Livra-me daqueles que me aborrecem, e da profundidade das suas águas. 16Não me afogue a tempestade de água, nem me absorva o mar profundo: Nem cerre apertadamente o poço a sua bôca sôbre mim. 17Ouve-me, Senhor, porque benigna é a tua misericórdia: Segundo a multidão das tuas comiserações olha para mim. 18E não apartes o teu rosto do teu servo: Porque estou angustiado, ouve-me prontamente. 19Atende à minha alma, e livra-a: Por causa de meus inimigos salva-me. 20Tu sabes o meu opróbrio, e a minha confusão, e a minha vergonha. 21À tua vista estão todos os qtie me afligem, im-' propério aguardou o meu coração e miséria. E esperei se algum se entristecia comigo e não houve ninguém: E esperei se algum me consolava, e não o achei. 22E deram-me na minha comida fel: E na minha sêde me propinaram vinagre. 23Torne-se a sua mesa diante dêles em laço, e em tribulação, e em ruína. 24Obscureçam-se os olhos dêles para que não vejam: E encurva sempre o seu espinhaço. 25Derrama sôbre êles a tua ira: E o furor da tua ira os alcance. 26Deserta fique a sua morada: E nas choupanas dêles não haja quem habite. 27Porquanto ao que tu feriste, perseguiram, e sôbre a dor das minhas chagas acrescentaram novas chagas. 28Ajunta-lhes maldade sôbre maldade: E não cheguem a entrar nos caminhos da tua justiça. 29Sejam riscados do livro dos viventes: E com os justos não sejam escritos. 30Eu sou pobre e dolorido; na tua salvação, ó Deus, me acolhe. 31Glorificarei o nome de Deus com cântico: E o engrandecerei com louvor. 32E isto agradará a Deus mais que o tenro novilho, quando lhe saem as pontas e as unhas. 33Vejam-no os pobres e alegrem-se: Buscai a Deus, e viverá a vossa alma: 34Porquanto ouviu aos pobres o Senhor: E não desprezou aos que por êle estão em cadeias. 35Louvem-no os céus e a terra, o mar, e todos os animais que nêles se encerram. 36Porquanto Deus fará salva a Sião: E edificar-se-ão as cidades de Judá. E morarão ali, e ganhá-la-ão como sua herança. 37E a linhagem de seus servos a possuirá, e os que animam o seu nome, habitarão nela.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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