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Salmo 88 (89)

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

Numeração da Vulgata. Nas Bíblias atuais este é o Salmo 89.

1Salmo didático de Etan ezraita. 2Eu cantarei eternamente as misericórdias do Senhor. Anunciarei a tua verdade pela minha bôca de geração em geração. 3Porquanto disseste: A misericórdia será estabelecida para sempre nos céus: Estará preparada nêles a tua verdade. 4Tenho feito aliança com os meus escolhidos, jurei a Davi meu servo: 5Para sempre estabelecerei a tua descendência. E farei firme o teu trono de geração em geração. 6Os céus celebrarão, Senhor, as tuas maravilhas: E a tua verdade se louvará na Igreja dos Santos. 7Porque nas nuvens quem se igualará com o Senhor: Quem entre os filhos de Deus será semelhante a Deus? 8Deus que é glorificado na congregação dos santos: Grande e terrível sôbre todos os que estão em roda dêle. 9Senhor Deus das virtudes, quem é semelhante a ti? poderoso és Senhor e a tua verdade está sempre em roda de ti. 10Tu dominas sôbre o poder do mar: E tu amansas o movimento das suas ondas. 11Tu humilhaste ao soberbo assim como um ferido: Com o braço do teu poder puseste em dispersão a teus inimigos. 12Teus são os céus, e tua é a terra: A redondeza da terra e a sua plenitude a fundaste: 13O Aquilão, e o Mar tu o criaste. O Tabor e o Hermon em teu Nome saltarão de contentamento: 14O teu braço está cheio de poder. Firmada seja a tua mão, e exaltada a' tua destra: 15Justiça e equidade são a base do teu trono. Misericórdia e verdade irão diante da tua face: 16Bem-aventurado o povo que sabe louvar-te com júbilo. Senhor, no lume do teu rosto andarão. 17E em teu Nome se regozijarão todo o dia: E na tua justiça serão exaltados. 18Porque tu és a glória da sua virtude: E por tua boa vontade será exaltado o nosso poder. 19Porque o Senhor nos tem tomado sob sua proteção: E o Santo de Israel é nosso Rei. 20Então falaste em visão aos teus Santos, e lhes disseste: Eu tenho pôsto o socorro em um poderoso: E tenho exaltado a um escolhido do meu povo. 21Achei a Davi meu servo: Com o meu santo óleo o ungi. 22Porque a minha mão lhe assistirá a êle: E o meu braço o confortará. 23Nada adiantará o inimigo nêle, e o filho da iniquidade não poderá ofendê-lo. 24E quebrantarei diante dêle a seus inimigos: E aos que o aborrecem porei em fuga. 25E a minha verdade, e a minha clemência serão com êle: E no meu Nome será exaltado o seu poder. 26E estenderei a sua mão sôbre o mar: E a sua destra sôbre os rios. 27Êle me invocará, dizendo: Tu és meu Pai: Deus meu, e amparador da minha salvação: 28E eu o estabelecerei por primogênito excelso sôbre os reis da terra. 29Eternamente o guardará a minha misericórdia: E a minha aliança será estável com êle. 30E farei que a sua descendência subsista por todos os séculos: E o seu trono como os dias do Céu. 31Mas se seus filhos abandonarem a minha lei: E não andarem nos meus preceitos: 32Se violarem as minhas justiças, e não guardarem os meus mandamentos. 33Visitarei com vara as suas maldades: E com açoites os seus pecados. 34Mas não apartarei dêle a minha misericórdia: Nem lhe faltarei em minha verdade: 35Nem violarei a minha aliança: Nem farei vãs as promessas que saem dos meus lábios. 36Uma vez jurei pela minha santidade, não faltarei a Davi: 37A sua descendência permanecerá eternamente. 38E o seu trono será para sempre como o sol diante de mim, e como a lua cheia: E como o testemunho fiel no céu. 39Mas tu repeliste, e desprezaste: Afastaste o teu Cristo. 40Transtornaste a aliança do teu servo: Tens pôsto por terra o seu santuário. 41Destruíste todos os seus valados: Puseste medo na sua fortaleza. 42Despojaram-no todos os que passavam pelo caminho: Chegou a ser o opróbrio dos seus vizinhos. 43Exaltaste a destra dos que o humilhavam: Alegraste a todos os seus inimigos. 44Apartaste a defensa da tua espada: E não o auxiliaste na batalha. 45Fizeste cessar o seu esplendor: E derribaste por terra o seu trono. 46Abreviaste os dias do seu tempo: Cobriste-o de confusão. 47Que acaso estarás apartado, Senhor, até ao fim: Escandecer-se-á como fogo a tua ira? 48Lembra-te de qual é a minha subsistência: Pois que, acaso criaste em vão todos os filhos dos homens? 49Que homem há, que viva, e não veja a morte: Que haja de livrar a sua alma do poder do inferno? 50Onde. estão as tuas antigas misericórdias, Senhor, as que juraste a Davi na tua verdade? 51Lembra-te, Senhor, do opróbrio que os teus ser-vos têm sofrido de muitas nações, o qual eu tenho depositado no meu seio. 52Lembra-te Senhor do que disseram contra nós os teus inimigos, quanto nos insultaram na aflição do teu Cristo. 53Bendito seja o Senhor para sempre: Assim seJa, assim seja.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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