Tobias 10
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Quando porém o moço Tobias se demorava, por causa da sua voda, estava seu pai Tobias em cuidados. dizendo: Quem sabe por que tarda meu filho, e por que se tem lá detido? 2Acaso morreria Gabelo, e não haja ninguém que lhe restitua o dinheiro? 3Começou êle pois a entristecer-se em extremo, e Ana sua mulher com êle: E ambos juntos se puseram a chorar: Porque seu filho não voltara para êles no dia assinalado. 4Mas sua mãe derramava lágrimas inconsoláveis, e dizia: Ai, ai de mim, meu filho, para que te mandamos nós tão longe, a ti que eras a luz dos nossos olhos, o bordão da nossa velhice, a consolação da nossa vida, e a esperança da nossa posteridade? 5Nós que em ti só tínhamos juntas tôdas as coisas não devíamos alongar-te da nossa companhia. 6Tobias lhe dizia: Cala-te, e não te turbes, nosso filho passa com saúde: Aquêle homem com o qual nós o enviamos, é muito fiel. 7Mas ela não se podia consolar de modo algum, mas saindo todos os dias fora, andava olhando para tôdas as partes, e corria por todos os caminhos, por onde esperava que o filho poderia tornar, para o ver vir ao longe, se lhe fôsse possível. 8Mas porém Raguel dizia a seu genró: Fica-te aqui, e eu mandarei a Tobias teu pai um mensageiro com novas da tua saúde. 9Tobias lhe respondeu: Eu sei que meu pai è minha mãe contam agora os dias, e que seu espírito está num contínuo tormento. 10E tendo Raguel feito ainda muitas instâncias a Tobias, e não querendo este de modo algum condescender com êle, lhe entregou sua filha Sara, e metade de tudo o que possuía em servos, em servas, em rebanhos, em camelos, e em vacas, e em grande quantidade de dinheiro: E o deixou ir de sua companhia são e alegre, 11dizendo: O santo anjo do Senhor seja no vosso. caminho, e vos conduza sem perigo algum, e que acheis tudo bem em casa de vossos pais, e que os meus olhos vejam a vossos filhos antes que eu morra. 12E tomando os pais a sua filha, a beijaram, e a deixaram ir: 13Advertindo-a que honrasse a seus sogros, que. amasse a seu marido, que regesse a sua família, que governasse a sua casa, e que ela mesma se comportasse irrepreensível.