Tobias 12
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Então chamou Tobias a seu filho, e lhe disse: Que poderemos nós dar a êste santo homem, que veio contigo? 2Tobias respondendo, disse a seu pai: Meu pai, que galardão lhe daremos nós? ou que coisa poderá haver proporcionada aos seus benefícios? 3Êle me levou e me trouxe salvo, êle recebeu de Gabelo o dinheiro, êle me fêz ter mulher, e êle expeliu dela o demônio, êle encheu de alegria a seus pais, êle me livrou a mim mesmo de ser tragado do peixe, e a ti fêz-te ver a luz do céu, e por êle nós fomos cheios de todos os bens. Que lhe poderemos nós dar que iguale tais benefícios? 4Mas rogo-te, meu pai, que lhe peças, se digne ao menos aceitar para si metade de tudo o que nós trouxemos. 5E chamando-o, a saber o pai, e o filho, o trouxeram à parte: e começaram a rogar-lhe que quisesse de boamente receber metade de tudo o que tinham trazido. 6Então lhes falou o anjo assim em segredo: Bendizei ao Deus do céu, e dai-lhe glória diante de todos os viventes, por ter usado convosco da sua misericórdia. 7Porque é bom conservar escondido o segredo do rei: Mas é coisa de honra manifestar e publicar as obras de Deus. 8É boa a oração acompanhada de jejum, e da esmola mais do que ajuntar tesouros de ouro: 9Porque a esmola livra da morte, e ela é a que apaga os pecados, e faz achar a misericórdia e a vida eterna. 10Mas os que cometem pecado, e iniquidade, são inimigos das suas almas. 11Eu pois vos descubro a verdade, e não vos ocultarei o que está em segredo. 12Quando tu oravas com lágrimas, e enterravas os mortos, e deixavas o teu jantar, e ocultavas os mortos em tua casa de dia, e os enterravas de noite, presentei eu as tuas orações ao Senhor. 13E porque tu eras aceito a Deus, por isso foi necessário que a tentação te provasse. 14E agora me enviou o Senhor a curar-te, e a livrar do demônio a Sara, mulher de teu filho. 15Porque eu sou o Anjo Rafael, um dos sete que assistimos diante do Senhor. 16E ao ouvir estas palavras, se turbaram, e espavoridos caíram com o rosto em terra. 17E o anjo lhes disse: A paz seja convosco, não temais. 18Porque quando eu estava convosco, eu o estava. por vontade de Deus: Bendizei-o, e cantai-lhe louvores. 19A vós parecia-vos que eu comia, e bebia convosco: mas eu sustento-me de um manjar invisível, e duma. bebida, que não pode ser vista dos homens. 20É pois tempo que eu volte para aquele que me enviou: Vós porém bendizei a Deus, e contai tôdas as suas maravilhas. 21E tendo dito estas palavras, desapareceu de diante deles, e eles o não puderam ver mais. 22Então tendo-se prostrado sôbre o rosto por três horas, bendisseram a Deus: E erguendo-se contaram. tôdas as suas maravilhas.