Tobias 4
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Julgando pois Tobias que seria ouvida a oração que êle tinha feito de poder morrer, chamou a si a seu filho Tobias, 2e disse-lhe: Ouve, filho meu, as palavras da minha bôca, e imprime-as no teu coração, como fundamento. 3Depois que Deus tiver recebido a minha alma, sepulta o meu corpo: E honra a tua mãe por todos os dias da sua vida: 4Porque te deves lembrar quantos e quão grandes perigos padeceu por amor de ti trazendo-te no seu ventre. 5E quando ela também tiver acabado o tempo da sua vida, a sepultarás ao pé de mim. 6Tem a Deus em teu espírito todos os dias da tua vida: E guarda-te de consentir jamais em o pecado e de violar os preceitos do Senhor nosso Deus. 7Faze esmola dos teus bens, e não voltes a tua cara a nenhum pobre: porque desta sorte sucederá. que também não se aparte de ti a face do Senhor. 8Da maneira que puderes, sê caritativo. 9Se tiveres muito, dá muito: Se tiveres pouco, procura dar de boamente também esse pouco. 10Porque assim entesouras uma grande recompensa para o dia da necessidade: 11Porque a esmola livra de todo o pecado e da morte, e não deixará cair a alma nas trevas. 12A esmola servirá duma grande confiança diante do Sumo Deus para todos os que a fazem. 13Preserva-te, meu filho, de tôda a impureza, e fora de tua mulher nunca consintas em conhecer o crime. 14Nunca permitas que a soberba domine nos teus pensamentos, ou nas tuas palavras, porque nela teve princípio tôda a perdição. 15A todo o homem que te tiver feito algum trabalho, paga-lhe logo o salário, e nunca fique em teu poder a paga do mercenário. 16Acautela-te, não faças nunca a outro o que tu levarias a mal que outro te fizesse. 17Come o teu pão com os pobres e com os que tem fome, e veste dos teus vestidos os que estão nus. 18Põe o teu pão. e o teu vinho sobre a sepultura do justo, e não comas nem bebas com os pecadores: 19Pede sempre conselho ao sábio. 20Bendize a Deus em todo o tempo: E pede-lhe que dirija os teus caminhos, e que todos os teus intentos se firmem nele. 21Também te advirto, filho meu, que, quando tu ainda eras criança, dei eu dez talentos de prata a Gabelo, estando em Ragés, cidade dos medos, e que eu tenho em meu poder o seu escrito: 22E por isso busca o modo de o achar, e cobrar dêle a sobredita quantia de prata, e de lhe entregares o seu escrito. 23Não temas, meu filho. Em verdade nós vivemos pobres, mas nós teremos muitos bens, se temermos a Deus, e nos desviarmos de todo o pecado, e obrarmos bem.