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Tiago 1

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Tiago, servo de Deus e de Nosso. Senhor Jesus Cristo, às doze tribos, que estão dispersas, saúde: 2Meus irmãos, tende por um motivo da maior alegria para vós as diversas tribulações que vos sucedem. 3Sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência. 4Ora, a paciência deve ser perfeita nas suas obras: A fim de que vós sejais perfeitos ecompletos, não faltando em coisa alguma. 5E se algum de vós necessita da sabedoria peça-a a Deus, que a todos a dá liberalmente e não impropera: E ser-lhe-á dada. 6Mas peça-a com fé, sem hesitação alguma: Por- «que aquêle que duvida, é semelhante à onda do mar, que é agitada e levada de uma parte para a outra pela violência do vento. 7Não cuide, pois, êste tal que alcançará do Senhor' alguma: coisa. 8O homem que tem o espírito repartido é inconstante em todos os seus caminhos. 9Aquêle porém de nossos irmãos, que é duma condição baixa, glorie-se na sua exaltação: 10Pelo contrário, o que é rico, na sua baixeza, porque êle passará como a flor da erva: 11Porque bem como ao sair com ardor o sol, a erva logo se seca, e a flor cai e perde a gala da sua beleza: Assim também se murchará o rico nos seus caminhos. 12Bem-aventurado o homem que sofre com paciência a tentação: Porque depois que êle tiver sido provado, receberá a coroa da vida, que Deus tem prometido aos que o amam. 13Ninguém, quando é tentado, diga que Deus é o que o tenta: Porque Deus é incapaz de tentar para o mal: E êle a ninguém tenta. 14Mas cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o abstrai e alicia. 15Depois, quando a concupiscência concebeu, pare ela o pecado: E o pecado, quando tiver sido consumado, gera a morte. 16Não queirais, pois, errar, irmãos meus muito amados. 17Tôda a dádiva em extremo excelente, e todo o dom perfeito vem lá de cima, e desce do Pai das luzes, no qual não há mudança, nem sombra alguma de variação. 18Porque de pura vontade sua é que êle nós gerou pela palavra da verdade, a fim de que sejamos como as primícias das suas criaturas. 19Vós o sabeis, meus diletissimos irmãos. Assim cada um de vós seja pronto para ouvir: Porém, tardo para falar e tardo para se irar. 20Porque a ira do homem não cumpre a justiça de Deus. 21Pelo que, renunciando a tôda a imundícia e abundância de malícia, recebei com mansidão a palavra que em vós foi enxertada e que pode salvar as vossas almas. 22Sêde, pois, fazedores da palavra e não ouvidores tão sômente, enganando-vos a' vós mesmos. 23Porque se algum é ouvinte da palavra e não fazedor: Êste será comparado a um homem que contempla num espelho o seu rosto nativo: 24Porque se considerou a si mesmo, e se foi, e logo se esqueceu qual haja sido. 25Mas o que contemplar a Lei perfeita, que é a da liberdade, e perseverar nela, sendo não ouvinte esquecidi-ço, mas fazedor de obra: Êste será bem-aventurado no seu feito. 26Se algum, pois, cuida que tem religião não re-freando à sua língua, mas seduzindo o seu coração, a sua religião é vã. 27A religião pura e sem mácula aos olhos de Deus e nosso Pai consiste nisto: Em visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições, e em se conservar cada um a.si isento da corrupção dêsté século.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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