Tiago 3
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Não queirais, irmãos meus, fazer-vos muitos de vós mestres, sabendo que vos expondes a um juízo mais severo. 2Porque todos nós tropeçamos em muitas coisas. Se algum não tropeça em qualquer palavra, êste é varão perfeito: Êle pode também suster com o freio a todo o corpo. 3E se pomos freio nas bôcas dos cavalos, para que nos obedeçam, também governamos todo o corpo dêles. 4Vêde também as naus, ainda que sejam grandes, e se achem agitadas de impetuosos ventos, com um pequeno leme se voltam para onde quiser o impulso do que as governa. 5Assim também a língua, pequeno membro é na verdade, mas de grandes coisas se glória. Vede como um pouco de fogo não abrasa um grande bosque! 6Também a língua é um fogo: Um mundo de iniquidade. Entre os nossos membros sé conta a língua, a qual contamina todo o corpo, e tisna a roda do nosso nascimento, inflamada do fogo do inferno. 7Porque tôda a natureza de alimárias, e de aves, e de serpentes, e de peixes do mar se doma, e a natureza humana as tem domado tôdas: 8Porém a língua nenhum homem a pode domar: Ela é um mal inquieto, está cheia de veneno mortífero: 9Com ela louvamos a Deus e Pai: E com ela amal-diçoamos aos homens, que foram feitos à semelhança de Deus. 10De uma mesma bôca procede a bênção e a maldição. Não convém, meus irmãos, que isto assim seja. 11Porventura uma fonte lança por uma mesma bica água doce e água amargosa? 12Acaso, irmãos meus, pode uma figueira dar uvas ou uma videira dar figos? Assim uma fonte dágua salgada não pode dar água doce. 13Quem é entre vós-outros sábio e instruído? Mostre pela boa conversação as suas obras em mansidão de sabedoria. 14Mas se tendes um zêlo amargo, e reinarem contendas em vossos corações: Não vos glorieis, nem sejais mentirosos contra a verdade: 15Porque esta não é a sabedoria que vem lá do alto: Mas 'é uma sabedoria terrena, animal, diabólica. 16Porque onde há citme e contenda, ali há inconstância e tôda a obra má. 17A sabedoria, porém, que vem lá de cima,-primeiramente é na verdade casta, depois pacífica, moderada, dócil, susceptível de todo o bem, cheia de misericórdia e de bons frutos, não julga, não é dissimulada. 18Ora o fruto da justiça se semeia em, paz, por aquêles que fazem obras de paz.