Uma oração do povo
O Rosário nasceu da piedade simples do povo. Na Idade Média, quem não sabia ler os 150 salmos rezava 150 pai-nossos ou ave-marias, contados em cordões com nós ou contas. Com o tempo, essa oração foi ligada à meditação dos mistérios da vida de Jesus e de Maria. Os dominicanos, a partir de São Domingos e sobretudo do beato Alano da Rocha, no século XV, foram grandes pregadores dessa devoção, que se espalhou por toda a Igreja.
A origem da festa
Em 7 de outubro de 1571, uma frota cristã enfrentou a armada otomana na batalha de Lepanto, no mar Jônico. O papa São Pio V pediu que os fiéis rezassem o Rosário pela vitória. Após a batalha, ele instituiu uma festa de Nossa Senhora da Vitória, que seu sucessor, Gregório XIII, passou a chamar de Nossa Senhora do Rosário. Mais tarde, a celebração foi estendida a toda a Igreja.
Contemplar Cristo com Maria
O Rosário não é uma repetição mecânica: enquanto os lábios rezam as ave-marias, o coração contempla os mistérios. São os mistérios gozosos (a infância de Jesus), dolorosos (a paixão), gloriosos (a ressurreição e a glória) e, desde 2002, por iniciativa de São João Paulo II, os luminosos (a vida pública de Jesus). Os papas chamaram o Rosário de "compêndio do Evangelho". Outubro é, por tradição, o mês do Rosário.
Nossa Senhora do Rosário no Brasil
No Brasil colonial, as irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos reuniram escravizados e libertos, que construíram igrejas, cuidavam dos seus doentes e sepultavam os seus mortos com dignidade. Muitas dessas igrejas estão de pé até hoje, e as festas do Rosário, com congadas e reinados, fazem parte da cultura religiosa do povo brasileiro.
Nossa Senhora do Rosário, rogai por nós!
Fontes
- São João Paulo II, carta apostólica Rosarium Virginis Mariae (2002)
- Missal Romano, memória de Nossa Senhora do Rosário
- Martirológio Romano
Imagem: Simone Cantarini · Public domain · Wikimedia Commons