Irmãos e médicos
Segundo a tradição, Cosme e Damião eram irmãos gêmeos, nascidos na Arábia na segunda metade do século III, e exerciam a medicina na região de Ciro, na Síria. Eram cristãos numa época em que professar a fé podia custar a vida. Sua marca era a gratuidade: atendiam ricos e pobres, pessoas e animais, e não aceitavam pagamento. Por isso as Igrejas do Oriente os chamam de "anárgiros", palavra grega que significa "sem prata".
A cura do corpo e da alma
Para os dois irmãos, a medicina era uma forma de caridade e de anúncio. Enquanto tratavam das feridas, falavam de Jesus, o médico das almas. Muitos se converteram ao ver a bondade com que eram cuidados. A fama de suas curas se espalhou, e com ela a fama da fé que os movia.
O martírio
Durante a perseguição do imperador Diocleciano, por volta do ano 303, foram presos por ordem do governador da região. Recusaram-se a oferecer sacrifícios aos deuses pagãos. A tradição narra que sofreram diversos tormentos e foram, por fim, decapitados. Seus corpos foram sepultados em Ciro, e muito cedo começaram as peregrinações ao seu túmulo.
Uma devoção que atravessou o mundo
O culto a Cosme e Damião chegou a Roma, onde o papa Félix IV dedicou a eles uma basílica no Fórum Romano, no século VI. Seus nomes estão na Oração Eucarística I, o Cânon Romano. São padroeiros dos médicos, cirurgiões, farmacêuticos e dentistas. No Brasil, a devoção ganhou um jeito próprio: por serem gêmeos, são associados às crianças, e em muitas famílias é tradição distribuir doces nesta época em agradecimento por graças recebidas.
Santos Cosme e Damião, rogai por nós!
Fontes
- Martirológio Romano
- Missal Romano, Oração Eucarística I
- Santi e Beati (santiebeati.it)
Imagem: Jean Bourdichon · Public domain · Wikimedia Commons