Um discípulo pelo nome
O Evangelho de São Lucas guarda o nome de poucos entre os muitos seguidores de Jesus que não faziam parte dos Doze. Cleofas é um deles. Ele aparece no capítulo 24, na tarde do primeiro dia da semana, caminhando com outro discípulo de Jerusalém para o povoado de Emaús. Uma antiga tradição, registrada por historiadores dos primeiros séculos, o identifica como parente próximo de Jesus e pai de Simeão, que mais tarde seria bispo de Jerusalém.
O caminho da tristeza
Os dois caminhavam desanimados. Tinham esperado que Jesus fosse o libertador de Israel, e agora ele estava morto havia três dias. Um desconhecido se juntou a eles e perguntou do que falavam. Cleofas, surpreso, respondeu: "És tu o único forasteiro em Jerusalém que não sabe o que ali aconteceu nestes dias?". O desconhecido era o próprio Jesus ressuscitado, mas os olhos deles estavam impedidos de reconhecê-lo.
O coração que arde
Pelo caminho, Jesus explicou tudo o que as Escrituras diziam a seu respeito, começando por Moisés e pelos profetas. Ao chegarem, insistiram: "Fica conosco, pois já é tarde". À mesa, Jesus tomou o pão, abençoou, partiu e deu a eles. Então os olhos se abriram e eles o reconheceram — e ele desapareceu. "Não ardia o nosso coração enquanto ele nos falava pelo caminho?"
Testemunha da Ressurreição
Na mesma hora, apesar da noite, voltaram a Jerusalém e encontraram os Onze reunidos, que confirmaram: "O Senhor ressuscitou de verdade!". Cleofas tornou-se assim uma das primeiras testemunhas da Páscoa. A tradição posterior fala de sua morte como mártir, mas o que a Igreja guarda com certeza é o seu caminho: do desânimo à alegria, do encontro com Cristo na Palavra e no Pão à missão de anunciá-lo.
São Cleofas, rogai por nós!
Fontes
- Evangelho segundo São Lucas, capítulo 24
- Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica
- Martirológio Romano
Imagem: Caravaggio · Public domain · Wikimedia Commons