1 Macabeus 11
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Passado isto, o rei do Egito ajuntou um exército, como a areia que está na ourela do mar, e um grande número de naus: E êle andava vendo, como se faria senhor do reino de Alexandre por surprêsa, e o ajuntaria ao seu reino.: 2Marchou pois para a Síria em tom de paz, e os habitantes das cidades lhe abriam as portas, e o vinham receber: Porque o rei Alexandre tinha mandado que saíssem a recebê-lo, pelo motivo de que o rei do Egito era seu sogro. 3Mas Ptolomeu logo que entrava numa cidade punha guarnição militar em cada uma delas. 4E quando chegou perto de Azot, mostraram-lhe o templo de Dagon queimado, e Azot, e os seus subúrbios demolidos, e os cadáveres por terra, e ao longo do caminho os montões que tinham feito daqueles que haviam sido mortos na batalha. 5E disseram ao rei, que Jônatas era quem tinha feito todos êstes estragos, para lho fazerem odioso: Mas o rei a tudo isto se calou. 6E Jônatas veio com grande pompa encontrar-se com o rei em Jope, e sé cumprimentaram um ao outro, e passaram ali a noite. 7E Jônatas acompanhou o rei até ao rio, que se chama Eleutero: E voltou para Jerusalém. 8Mas o rei Ptolomeu se levantou com o domínio de tôdas as cidades até Seléucia que está sobre o mar, e trazia maus intentos contra Alexandre. 9E enviou embaixadores a Demétrio, dizendo: VEM, façamos aliança um com outro, e eu te darei minha filha que Alexandre tem por mulher, e tu reinãrás no reino de teu pai: 10Porque eu estou arrependido de lhe ter dado minha filha em matrimônio: Visto que êle procurou matar-me. 11E acusava dêste modo Ptolomeu a Alexandre, pelo desejo que tinha de lhe tirar o seu reino. 12E lhe tirou sua filha, e a deu a Demétrio, e se descartou inteiramente de Alexandre, e então se.fêz pública a sua inimizade. 13Ptolomeu entrou pois em Antióquia, e pôs na sua cabeça dois diademas, um do Egito, e outro da Ásia. 14E o rei Alexandre naquele tempo achava-se em Cilícia: Porque os que estavam naquelas províncias se tinham rebelado contra êle. 15E quando Alexandre ouvia esta notícia, veio logo ter com êle para o combate; E o rei Ptolomeu fêz sair a campo o seu exército, e lhe saiu ao encontro com um grande poder, e o pôs em fugida. 16E Alexandre fugiu para a Arábia, a ver se acha- '"ª ali alguma proteção: E o rei Ptolomeu foi exaltado a grande glória. 17Mas Zabdiel, príncipe dos árabes, fêz cortar a cabeça a Alexandre: E a mandou a Ptolomeu. 18Mas a cabo de três dias morreu o rei Ptolomeu: E os da sua gente, que estavam nas fortalezas, foram mortos pelos que se achavam no arraial. 19Entrou pois Demétrio a reinar no ano cento e sessenta e sete. 20Naqueles dias ajuntou Jônatas os que estavam na Judéia, para combaterem a fortaleza, que havia em Jerusalém: E aplicaram muitas máquinas de guerra para a tomar. 21Mas certos homens iníquos que aborreciam a sua gente, foram ter com o rei Demétrio, e lhe contaram que Jônatas tinha de cêrco a fortaleza. 22E Demétrio, quando tal ouviu, ficou irritado: E veio logo para Ptolemaida, e escreveu a Jônatas que não sitiasse a fortaleza, mas que viesse sem demora ver-se com êle, para terem uma conferência. 23Mas Jônatas logo que recebeu esta carta, mandou que se continuasse o cêrco: Ti escolheu alguns dos anciãos de Israel, e dos sacerdotes, e foi com êles expor-se ao perigo. 24E tomou quantidade de ouro, e de prata, e de vestidos, e outros presentes, e deu consigo em Ptolemaida, a ver-se com o rei, e achou graça diante dêle. 25Ainda alguns homens perdidos da sua nação formavam queixas contra êle. 26Mas o rei o tratou como o tinham tratado os príncipes seus predecessores: IE o elevou a grande honra à vista de todos os seus amigos. 27E confirmou-o no sumo sacerdócio, e em todos os outros distintivos de honra, que antes tinha, e fê-lo o primeiro dos seus amigos. 28E Jônatas suplicou ao rei que concedesse imunidade de tributos à Judéia, e às três toparquias. e à Samaria, e ao seu território: E prometeu-lhe trezentos talentos. 29E conveio nisso o rei: E fêz expedir a Jônatas sôbre tôdas estas coisas cartas patentes, que eram con-cebidas nestes têrmos: 30O rei Demétrio a seu irmão Jônatas, e à gente dos judeus, saúde. 31Nós vos mandamos entregar uma cópia da carta, que a vosso respeito escrevemos a Lastenes, nosso pai, para serdes informado de tudo. 32O rei Demétrio a Lastenes seu pai, saúde. 33Temos resolvido fazer bem à nação dos judeus, que são nossos amigos, e nos conservam a fidelidade que lhes cumpre, por causa da sua boa vontade, que tem para conosco. 34Temos pois decretado em benefício dêles que todos os têrmos da Judéia, e que as três cidades de Lida, e Ramata, as quais foram anexadas à Judéia da pro-vincia da Samaria, e todos os seus territórios, sejam destinados para todos os sacerdotes de Jerusalém, em lugar dos impostos que o rei cobrava já deles cada ano, e em lugar do que lhe rendiam os frutos da terra, e dos pomares. 35Remitimos-lhes também desde agora as outras coisas, que nos pertenciam de dízimos, e de tributos: Da mesma sorte as lagoas das marinhas, e. as coroas que se nos. costumavam trazer: 36Todas estas coisas lhes damos: E nada disto será anulado desde agora, e para sempre. 37Cuidai pois de tirar agora uma cópia desta ordenação, e ela se entregue a Jônatas, e seja posta no monte santo em lugar público. 38E o rei Demétrio vendo que a terra estava sossegada diante dêle, e que nada lhe resistia, licenciou todo o seu exército, mandando cada um para sua casa. exceto as tropas estrangeiras, que êle tinha levantado das ilhas das gentes: E isto excitou contra êle o ódio de tôdas as tropas, que tinham servido a seus pais. 39Havia então um certo Trifão, que antes tinha sido do partido de Alexandre: Quando viu que tôdas as gentes de guerra murmuravam contra Demétrio, foi logo ter com Emalcuel Árabe, que criava ao pé de sia Antíoco, filho de Alexandre. 40E por muitos tempos apertou com êle, que lhe desse aquêle moço príncipe, para o fazer reinar em lugar de seu pai: E contou-lhe tudo o que Demétrio tinha feito, e o ódio que tôdas as gentes de guerra haviam concebido contra êle. E lá se demorou muitos dias. 41Entretanto Jônatas enviou embaixadores ao rei Demétrio, suplicando-lhe que deitasse fora os que estavam na fortaleza de Jerusalém, e os que havia nos outros presídios: Porque faziam muitos danos a Israel. 42E Demétrio mandou dizer a Jônatas: Não só farei por ti, e pela tua gente o que me pedes, mas elevar-te-ei em glória a ti, e ao teu povo, tanto que o tempo me der lugar. 43Agora pois farás tu uma ação de justiça, se mandares tropas em meu socorro: Porque todo o meu exército me desamparou. 44Então lhe mandou Jônatas para Antióquia três mil homens esforçados, que vieram ter com o rei, e o rei se alegrou muito com a sua chegada. 45Ao mesmo tempo ajuntaram-se dos habitantes da cidade cento e vinte mil homens, que queriam matar O rei. 46E fugiu o rei para o seu palácio: E os da cidade se fizeram senhores de tôdas as ruas dela, e-começaram a atacá-lo. 47E o rei chamou os judeus em seu socorro, e êles se ajuntaram todos ao pé dele, e fizeram todos suas correrias pela cidade: 48E mataram naquele dia cem mil homens, e puseram fogo à cidade, e tomaram naquele mesmo dia muitos despojos, e livraram o rei. 49Quando porém os da cidade viram que os judeus se tinham apoderado dela como desejavam: Logo perderam o ânimo, e com deprecações gritaram misericórdia ao rei, dizendo: 50Dá-nos a tua destra, e cessem os judeus de nos atacar a nós, e à cidade. 51Ao mesmo tempo largaram as suas armas, e fizeram a paz, e os judeus adquiriram grande glória no conceito do rei, e no conceito de todos os que se achavam no seu reino, e ficaram afamados em todo o reino: E voltaram para Jerusalém carregados de muitos despojos. 52E o rei Demétrio se assentou no trono do seu reino: E o país ficou apaziguado diante dêle. 53Mas êste príncipe faltou a tudo que tinha prometido, e se alienou de Jônatas, e não lhe correspondeu segundo os benefícios, que lhe havia feito, antes em grande maneira o molestava. 54E depois disto voltou Trifão, e com êle Antíoco mui moço, que reinou, e se pôs o diadema na cabeça. 55E todas as tropas, que Demétrio tinha despedido, se ajuntaram logo ao pé de Antíoco, e batalharam contra Demétrio: O qual fugiu, e voltou as costas. 56Trifão se apoderou então dos elefantes, e se fêz senhor de Antióquia: 57E escreveu o moço Antíoco a Jônatas, nestes têrmos: Eu te confirmo no sumo pontificado, e eu te constituo sôbre as quatro cidades, para que tu sejas dos amigos do rei. 58Mandou-lhe também vasos de ouro para o seu serviço, e lhe deu poder de beber por copo de ouro, e de se vestir de púrpura, e de trazer fivela de ouro: 59Ea seu irmão Simão nomeou-o governador das terras, que vão desde a costa de Tiro até a fronteira de Egito. 60E saiu Jônatas, e andava visitando as cidades de além do rio: E se lhe ajuntou em seu socorro todo o exército da Síria, e marchou para Ascalon e os da cidade saíram a recebê-lo com grandes honras. 61E daqui passou êle a Gaza: E os de Gaza lhe fecharam as portas: E êle a sitiou, e queimou tudo quanto havia ao redor da cidade, e fêz saque do que achou. 62Então mandaram os de Gaza dizer a Jônatas, que queriam capitular, e êle lhes deu a sua mão direita: E tomou seus filhos em reféns, e os remeteu a Jerusalém: Depois correu todo o país até Damasco. 63Mas depois que Jônatas ouviu dizer que os generais de Demétrio tinham vindo com um poderoso exército a sublevar os de Cadés, que é na Galiléia, com o fim de o apartar do manejo dos negócios do reino: 64Logo lhes foi ao encontro, e deixou na província seu irmão Simão. 65E Simão pôs cêrco a Betsura, e a atacou por muitos dias, e teve bloqueados os de dentro. 66I£ lhe pediram que lhes desse a sua mão direita, e êle lha concedeu: E os lançou fora dali, e se apoderou da cidade, e pôs nela guarnição. 67Jônatas porém, e as suas tropas se avizinharam até à borda dágua de Genesar, e antes de amanhecer deram consigo na campina de Asor: 68E eis-que acham lá o exército dos estrangeiros, que vinham a encontrar-se com êles na campina, e que lhe armavam emboscadas nos montes: E êle mesmo marchou direito a êles. 69E neste comenos os que estavam escondidos saíram dos lugares da sua emboscada, e travaram a batalha. 70E todos os que eram da parte de Jônatas fugiram, Sem ficar nem só um dêles, senão Matatias, filho de Absolomi, e Judas, filho de Calfi, general do seu exército. 71Então rasgou Jônatas os seus vestidos, e pôs terra sôbre a sua cabeça, e orou. 72Feito isto, tornou Jônatas sôbre êles para os combater, e os fêz voltar as costas e pelejaram. 73E os do seu partido que fugiram, quando o viram pelejar tornaram logo a vir-se ajuntar com êle, e todos perseguiram com êle os inimigos até Cadés, onde tinham o arraial, e chegaram só até ali: 74E ficaram naquele dia mortos três mil homens do exército estrangeiro: E Jônatas se recolheu a Jerusalém,