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1 Macabeus 12

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Viu pois Jônatas que o tempo lhe corria favorável, e escolheu certos homens, e enviou-os a Roma a confirmar, e renovar a amizade com os romanos: 2Mandou também aos lacedemônios, e a outros lugares cartas do mesmo teor: 3E foram os seus embaixadores a Roma, e entraram no senado, e disseram: Jônatas, sumo sacerdote, e o povo judeu nos enviaram aqui a renovar convosco a amizade, e a aliança, como ela foi antes feita entre nós. 4E os romanos lhes deram cartas dirigidas aos seus oficiais em cada província, para êles os fazerem conduzir em paz até a Judéia. 5E a cópia das cartas, que Jônatas escreveu aos lacedemônios, é como se segue: 6JôNAT AS, sumo sacerdote, e os anciãos da nação e os sacerdotes, e o resto do povo judeu, aos lacedemônios seus irmãos, saúde. 7Muito tempo há que foram enviadas cartas ao sumo sacerdote Onias por Ário, que reinava entre vós, que testemunharam que vós éreis nossos irmãos, como se contém no seu transunto, que vai junto. 8E Onias recebeu com grande honra o mensageiro, que tinha sido enviado: E aceitou as cartas, onde êle lhe falava desta aliança, e amizade. 9Nós, pôsto que não tivéssemos necessidade alguma destas coisas, tendo para nossa consolação os santos livros, que estão entre nossas mãos, 10quisemos antes contudo enviar-vos mensageiros para renovarmos esta confraternidade, e amizade, temendo não viéssemos a ficar como estranhos a vosso respeito: visto ter já passado muito tempo, desde que vós cá mandastes. 11Nós pois em todo o tempo sem interrupção, nos dias solenes, e nos outros, em que convém, nos lembra-mos de vós nos sacrifícios, que oferecemos, e nas nossas santas cerimônias como é justo, e pede a decência que nos lembremos dos irmãos. 12Nós portanto nos regozijamos da vossa glória. 13Mas a nós outros nos têm cercado grandes tribulações, e várias guerras, e nos têm invadido os reis que estão em nossos contornos. 14Entretanto não quisemos ser pesados nem a vós, nem aos outros aliados, e nossos amigos, em todos êstes combates: 15Porque temos tido o socorro do céu, e nós fomos livres, e os nossos inimigos se viram: humilhados. 16Portanto escolhemos a Numenio, filho de Antíoco, e a Antipatro, filho de Jasão, e os enviamos aos romanos a renovar a antiga aliança, e amizade. que temos com êles. 17Assim que nós lhes demos ordem, que fôssem também a vós, e que vos cumprimentassem da nossa parte: E que vos entregassem as nossas cartas sobre a renovação da nossa confraternidade. 18E agora fareis bem se nos responderdes a isto. 19E êste é O traslado das cartas, que Ário tinha enviado a Onias: 20Ário, rei dos lacedemônios, ao sumo sacerdote Onias, saúde. 21Achou-se aqui numa escritura sobre os lacedemônios, e os judeus, que êles são irmãos, e que todos vêm da linhagem de Abraão. 22Agora pois desde que nós soubemos isto, fazeis bem de nos escrever acêrca da vossa paz: 23E também nós vos respondemos: Os nossos gados e todos os nossos bens são vossos: E os vossos são nossos: E isto é o que nós ordenamos que se vos declarasse da nossa parte. 24Entretanto ouviu dizer Jônatas, que os generais de Demétrio tinham voltado com um exército muito maior que o de antes, para pelejar contra êle: 25E partiu Jônatas de Jerusalém, e se foi encontrar com eles no país de Ama ti te: Porque não queria dar-lhes tempo de entrarem pelas suas terras. 26E mandou espias ao arraial dos inimigos: E depois de voltarem os avisaram de que êles tinham resolvido vir sôbre êles de noite. 27Tanto pois que se pôs o sol, mandou Jônatas aos seus que vigiassem, e estivessem tôda a noite sôbre as armas, apercebidos para a peleja, e pôs guardas em tôrno do arraial. 28E ouviram os inimigos que Jônatas com a sua gente se conservava prestes para o combate: E tiveram -mêdo, e perderam o alento sobressaltados de pavor: E acenderam fogos no seu campo. 29Mas Jônatas, e os que com êle estavam, não deram fé da sua retirada até pela manhã: E estavam vendo as fogueiras acesas. 30E Jônatas foi atrás dêles mas não os pôde apanhar: Porque já tinham passado o rio Eleutero. 31Dali marchou Jônatas na volta dos árabes que se chamam zabadeus, e desbaratou-os, e tomou os seus despojos. 32Depois reuniu a sua gente, e veio a Damasco, e fazia correrias por tôda aquela província. 33Ao mesmo tempo saiu Simão, e foi até Ascalon, e até as fortalezas vizinhas: E de lá partiu para Jope e a tomou. 34(Porque tinha sabido que êles queriam entregar a praça aos do partido de Demétrio) e pôs ali guarnição que guardasse a cidade. 35E voltou Jônatas, e convocou os anciãos do povo, e assentou com êles levantar fortalezas na Judéia, 36e edificar muros em Jerusalém, e levantar um muro de grande altura entre a fortaleza e a cidacle para a separar da cidade, de sorte que ficasse ela sem comunicação, e os de dentro não pudessem comprar nem vender. 37Êles pois se ajuntaram, para edificarem a cidade; e havia caído o muro, que estava sôbre o ribeiro da banda do nascente, e Jônatas reparou aquêle que se chama Café-teta: 38Simão da mesma sorte edificou Adiada em Sé-fela, e a fortificou, e lhe pôs portas e fechaduras. 39Mas Trifão tendo resolvido fazer-se rei da Ásia, e tomar o diadema, e matar o rei Antíoco: 40Temendo não lho tolhesse Jônatas, e não lhe declarasse guerra, buscava meios de se apoderar da sua pessoa, e de o matar. E levantando o seu campo se foi para Betsan: 41E marchou Jônatas em seu encontro com quarenta mil homens escolhidos para lhe dar batalha, e veio para Betsan. 42E quando Trifão viu que Jônatas era chegado com um grande exército para o combater, ficou cheio de mêdo: 43E recebeu-o com grande honra, e recomendou-o a todos os seus amigos, e fêz-lhe presentes: E mandou a todo o seu exército que lhe obedecessem, como a êle mesmo. 44Depois disse a Jônatas: Porque fatigaste tu inútilmente todo êste povo, quando nós não temos guerra um com outro? 45Manda-os pois agora para suas casas, e escolhe dentre êles alguns poucos, que fiquem contigo e vem comigo para Ptolemaida, que eu ta entregarei com as outras fortalezas, e com as tropas, e com todos os que têm a intendência dos negócios, e feito isto eu me retirarei: Porque a isto é que eu vim. 46E creu-o Jônatas, e fêz o que êle lhe disse: E despediu as suas tropas, as quais se tornaram para a terra de Judá. 47E êle não reteve consigo senão três mil homens: Dos quais mandou ainda dois mil para Galiléia, e mil se foram com êles. 48E tanto que Jônatas entrou em Ptolemaida, fecharam as portas da cidade os ptolemenses: E o apanharam e passaram ao fio da espada todos os que tinham entrado com êle. 49E Trifão enviou as suas tropas, e a sua cavalaria para Galiléia e para o campo grande para matarem todos os companheiros de Jônatas. 50Mas êstes, tendo sabido que Jônatas tinha sido prêso, e tinha perecido com todos os que com êle estavam, uns aos outros se animaram, e saíram apercebidos para combater. 51Os que os tinham perseguido porém, vendo-os de todos resolutos a vender bem caro as suas vidas, tornaram para trás: 52Assim êles vieram.todos em paz para a terra de Judá. E choraram muito a Jônatas, e aos que com êle tinham estado: E Israel tomou apertado nôjo. 53Então todos os povos, que estavam ao redor dêles, procuraram perdê-los: Porque disseram: 54Êles não têm chefe, nem pessoa que os auxilie: Ataquemo-los pois agora: E apaguemos o seu nome da memória dos homens.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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