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1 Macabeus 3

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Então se levantou em lugar dêle seu filho Judas, que tinha o sobrenome de Macabeu. 2E todos os seus irmãos o ajudavam: E todos aquêles que se tinham unido a seu pai, e pelejavam com alegria em defensa de Israel. 3E dilatou a glória do seu povo, e se vestiu de couraça como um gigante, e se forrou com as suas armas bélicas nos combates, e protegia todo o arraial com a sua espada. 4Êle se fêz semelhante ao leão nas suas grandes ações, e como o leãozinho que ruge à vista da prêsa. 5E êle perseguiu os maus, buscando-os por tôda a parte: E queimou em vivas chamas os que perturbavam O seu povo: 6E todos os seus inimigos foram rechaçados pelo temor que lhe tinham, e todos os obreiros da iniqüidade se turbaram: E pelo seu braço foi procurada a salvação do povo. 7E exasperava a muitos reis, e alegrava a Jacó -com seus grandes feitos, e a sua memória será eternamente em bênção: 8E correu as cidades de Judá, e lançou fora delas os ímpios, e apartou a ira de Deus de cima de Israel. 9E êle se fêz célebre com grande nomeada até às extremidades da terra, e reuniu os que estavam a ponto de perecer. 10Neste tempo Apolônio ajuntou as nações, e levantou de Samaria um grande e poderoso exército para pelejar contra Israel. 11E soube-o Judas, e lhe saiu ao encontro: É o derrotou, e matou; e cairam muitos feridos, e os demais fugiram: 12E tomou os despojos dêles: e tirou Judas a espada de Apolônio, e com ela pelejava sempre. 13E ouviu Seron, general do exército da Síria, que Judas havia reunido consigo uma multidão, e congre-, gação de fiéis à lei. 14E disse: Eu alcançarei grande reputação. e ficarei com grande glória no meu reino, e debelarei a Judas. e aos que estão com êle que desprezavam as ordens do rei. 15Êle pois se preparou para o atacar: E o exército dos ímpios o seguiu, servindo-lhe de um poderoso socorro, para tomarem vingança dos filhos de Israel. 16E chegaram até Betoron: E Judas lhe saiu ao encontro com pouca gente. 17Mas êstes, tanto que viram marchar contra êles o exército inimigo, disseram a Judas: Como poderemos nós, sendo tão poucos, e vindo fatigados do jejum de hoje, pelejar contra um tão numeroso e forte exército? 18E Judas lhes disse: É coisa fácil virem a cair os muitos nas mãos dos poucos: E quando o Deus do céu quer salvar, diante de seus olhos não há diferença entre o grande número e o pequeno: 19Porque a vitória, que se alcança na guerra não depende da grandeza dos exércitos, mas dos céus é que vem tôda a fórtaleza. 20Êles vêm contra nós com uma grande multidão de gentes soberbas, e insolentes, para nos perderem a nós, e a nossas mulheres, e a nossos filhos, e para se enrique-cerem com os nossos despojos: 21Mas nós nos havemos de pelejar pelas nossas vidas e pelas nossas leis: 22E o mesmo Senhor quebrará todos os seus esforços diante da nossa face: Por isso não tenhais vós mêdo deles. 23E tanto que cessou de falar, lançou-se Judas de repente sôbre êles: Foi desbaratado Seron, e o seu exército diante dêle: 24E Judas o perseguiu na descida de Betoron até a planície, e morreram deles oitocentos homens; os mais porém fugiram para a terra dos filisteus. 25Então o terror e mêdo que infundiam Judas, e seus irmãos, se espalhou por tôdas as gentes em contôrno deles: 26E chegou a fama do seu nome até ao mesmo rei, e todos os povos falavam das batalhas de Judas. 27Tanto porém que o rei Antíoco ouviu estas novas, concebeu grande ira: E mandou logo levantar em todo seu reino tropas, de que formou um exército sobremaneira poderoso:. 28E abriu o seu erário, e pagou às suas gentes um ano: E lhes mandou que estivessem prestes para tudo. 29Mas viu que lhe faltava o dinheiro de seus tesouros, e que eram limitados os tributos do pais em razão do alvorôço, e do mal que tinha feito naquela terra, porque lhes havia tirado os foros de que gozavam desde tempos antigos: 30E temeu que não teria, como dantes costumava, para os gastos e donativos, que dantes havia feito com mão larga: E em que tinha excedido aos reis seus predecessores. 31E êle estava consternado em extremo no seu interior. e resolveu ir à Pérsia, e arrecadar os tributos daquelas províncias, e ajuntar muita prata. 32Deixou pois a Lísias, príncipe esclarecido da casa real, para que tivesse cuidado dos negócios do reino, e mandasse nêle desde o rio Eufrates até o rio do Egito: 33E outrossim curasse da educação de seu filho Antíoco, até êle voltar. 34E deixou-lhe a metade do exército e os elefantes: E deu-lhe as suas ordens sobre tudo o que queria fazer, e sôbre o que tocava aos habitantes da Judéia e de Jerusalém: 35E mandou-lhe que enviasse lá um exército, para perder e extirpar inteiramente tôdas as fôrças de Israel, e os restos de Jerusalém, e para apagar dêste lugar tudo o que pudesse renovar a sua memória: 36E que pusesse por habitadores em todos os têrmos dêles a filhos de estrangeiros, e repartisse por sorte a sua terra. 37O rei, pois, tomou a outra metade do exército que lhe restava, e saiu de Antióquia, capital do seu reino, no ano cento e quarenta e sete: e passou o rio Eufrates, e atravessava ja as altas províncias. 38E Lísias escolheu a Ptolomeu, filho de Dori-mino, e a Nicanor, e a Gorgias, que eram homens poderosos entre os amigos do rei: 39E mandou com êles quarenta mil infantes, e sete mil cavalos para que fôssem à terra de Judá, e asso-lassem conforme a ordem do rei. 40Êles pois marcharam com tôdas as suas tropas, e chegaram lá, e se acamparam numa planície do território de Emaús. 41E os mercadores das províncias ouviram a fama dêles: E" tomaram muita prata, e ouro em abundância, e criados: E foram ao arraial, com o fim de comprarem os filhos de Israel para escravos, e os exércitos da Síria se ajuntaram a êles, como também os das terras estrangeiras. 42Então viu Judas, e seus irmãos, que os males se tinham multiplicado, e que os exércitos se vinham chegando para as suas fronteiras: E tiveram notícia das ordens do rei, que êle tinha dado para destruir e acabar de uma vez com o povo: 43E disseram cada um para o seu companheiro: Levantemos o nosso povo caído no abatimento, e pelejemos pelo nosso povo, e pelas santas coisas da nossa religião. 44Êles pois se ajuntaram num corpo para se prepararem para a peleja: E para fazerem oração ao Senhor, e implorarem a sua misericórdia, e as suas comiserações. 45E Jerusalém não estava então habitada, mas parecia como um deserto: Entre seus filhos nenhum havia que entrasse e saísse dela: E o santuário estava pisado aos pés: E os filhos dos estrangeiros estavam no Alcacer; ali era a habitação dos gentios: E foi desterrada de Jacó tôda a alegria, e faltou ali a flauta e a cítara. 46Eles pois se ajuntaram, e vieram para Masfa, que é defronte de Jerusalém: Porque antes havia em Masfa um lugar de oração para Israel. 47E jejuaram aquêle dia, e vestiram-se de cilícios, e puseram cinza sôbre as suas cabeças: E rasgaram os seus vestidos: 48E abriram os livros da lei, nos quais os gentios procuravam achar alguma coisa. que tivesse semelhança com os seus ídolos: 49E trouxeram os ornamentos sacerdotais, e as primícias, e os dízimos: E fizeram vir os nazarenos, que tinham cumprido os seus dias: 50E gritaram com grandes brados ao céu, dizendo: Que faremos nós dêstes? e para onde os levaremos? 51E o teu santuário foi pisado aos pés, e contaminado, e os teus sacerdotes estão em luto e em humilhação: 52E eis-aí se ajuntaram as nações contra nós, para nos perderem: Tu sabes que desígnios são os seus contra nós. 53Como poderemos nós subsistir diante da sua face, se tu, ó Deus, nos não assistires? 54E fizeram retinir as trombetas com grande estrondo. 55E depois disto nomeou Judas oficiais, que comandassem o exército, coronéis sôbre mil homens, e capitães sôbre cem, e subalternos sôbre cinqüenta, e sobre dez. 56E disse aos que acabavam de edificar casas, e de receber mulheres, e de plantar vinhas, e aos que eram tímidos, que voltassem cada um para suas casas confor-mc a lei. 57Feita esta diligência abalaram, e se foram alojar perto de Emaús, da banda do meio-dia. 58E Judas lhes disse: Tomai as vossas armas e sêde homens de valor, e estai prontos para amanhã pela manhã, a fim de pelejardes contra estas nações, que se ajuntaram contra nós para nos perderem, e para destruírem a nossa santa religião: 59Porque melhor nos é morrer combatendo em campal batalha, do que ver os males da nossa gente, e a destruição de tôdas as coisas santas. 60Mas cumpra-se o que fôr vontade de Deus no céu.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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