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1 Macabeus 4

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Então tomou Gorgias cinco mil homens de pr. e mil cavalos escolhidos: E descampou de noite. 2Para virem atacar o arraial dos judeus, e darem sobre êles de improviso: E os do país, que eram da guarnição da fortaleza, lhes serviam de guias. 3Chegou pois esta notícia aos ouvidos de Judas, e se levantou êle e os seus valentes para ir atacar o grosso das tropas do rei, que estavam em Íimaús. 4Porque uma parte dêste exército andava ainda dispersa fora do arraial. 5E veio Gorgias de noite ao arraial de Judas e não achou ali ninguém, e êle os buscava pelos montes, pois disse: Êstes fogem de nós. 6E tanto que foi dia, apareceu Judas na planície, acompanhado sômente de três mil homens: Que não tinham nem escudos nem espadas. 7E viram o campo forte dos gentios, e os coura-ceiros, e a cavalaria em tôrno dêles, e que todos eram destros para a guerra. 8Então disse Judas aos varões, que estavam com êle: Não tenhais mêdo desta grande multidão, e não temais o seu encontro. 9Lembrai-vos como nossos pais foram salvos no mar Vermelho, quando Faraó os perseguia com um grande exército. 10Gritemos pois agora ao céu: E o Senhor se compadecerá de nós, e se lembrará da aliança que fêz com os nossos pais, e quebrantará hoje êste exército diante de nossos olhos:. 11E tôdas as nações conhecerão que há um redentor e libertador de Israel. 12Neste comenos os estrangeiros levantaram os seus olhos, e viram que a gente de Judas vinha marchando contra êles. 13Ao mesmo tempo saíram eles do seu arraial para o combate, e os que estavam com Judas deram sinal com as trombetas. 14E travaram a batalha: E foram desfeitas as gentes e fugiram para o campo. 15Os derradeiros, porém, caíram mortos passados todos à espada, e os vencedores os perseguiram até Ge-zeron, e até os campos da Iduméia e de Azot e de Jamnia, e morreram dêles até três mil homens. 16E voltou Judas e o seu exército que o seguia. 17E êle disse à sua gente: Não vos deixeis levar do desejo da prêsa: Porque ainda temos inimigos com que pelejar. 18E porque Gorgias e o seu' exército está perto: de nós no monte: Mas conservai-vos agora firmes contrã nossos inimigos, e acabai de os derrotar e ao depois tomareis com segurança os seus despojos. 19E ainda Judas estava com a palavra na bôca, eis senão quando aparece um golpe êle gente, olhando de cima do monte. 20É Gorgias viu que os seus tinham sido postos em fugida, «e que haviam queimado o seu arraial: Porque o fumo, que aparecia. lhe fazia ver o que tinha acontecido. 21À vista do que tiveram eles muito mêdo, vendo também ao mesmo tempo que Judas e o seu exército esta-Yam no campo apercebidos para a batalha. 22E fugiram todos para as terras dos estrangeiros. 23E Judas voltou para tirar a prêsa do arraial e os seus. levaram muito ouro e prata, e muito jacinto, e púrpura marinha e grandes riquezas. 24E saindo dali, cantavam hinos, e bendiziam a Deus, chegando com o seu louvor até o céu, porque êle é bom, porque a sua misericórdia sc estende a todos os séculos. 25E por esta vitória foi grande a salvação que se alcançou em Israel naquele dia. 26E aquêles dos estrangeiros que escaparam, vieram de lá, e recontaram a Lisias tudo o que tinha acontecido. 27O que tendo êle ouvido, consternado no interior do seu espírito, desmaiou: Vendo que lhe não tinham saído as coisas como êle ideara contra Israel e como o rei lhe tinha encomendado. 28E no ano seguinte ajuntou Lisias um exército de sessenta mil homens escolhidos, e de cinco mil cavalos, para debelar os judeus. 29E marcharam para a Judéia e se acamparam junto a Betoron, e Judas lhes veio ao encontro com dez mil homens, 30E reconheceram êles que o exército inimigo era forte. e Judas fêz oração e disse: Bendito és, Salvador de Israel, tu que quebraste a fôrça do gigante por mão do teu servo Davi, e que entregaste o arraial dos estrangeiros nas mãos de Jônatas, filho de Saul, e do seu escudeiro. 31Mete agora êste exército de nossos inimigos entre as mãos do teu povo de Israel, e fiquem êles confundidos com as suas tropas e com a sua cavalaria. 32J nfunde-lhes terror e faze definhar a ousadia do seu valor e com o seu mesmo quebrantamento sejam destruídos. 33Deita-os abaixo por meio da espada dos que te amam: E todos os que conhecem o teu nome, publiquem os teus louvores nos seus cânticos. 34Depois disto deu-se a batalha: E caíram nela mortos cinco mil homens do exército de Lisias. 35Vendo pois Lisias a fuga dos seus, e a afouteza dos judeus, e que estavam dispostos ou a viver ou a morrer valorosamente, foi para Antióquia, e levantou novos seldados, para tornar a vir à Judéia com mais recrescido número de; tropas. 36Então disseram Judas e seus irmãos: Eis-aí estão nossos inimigos desfeitos: Vamos agora purificar e renovar o Templo. 37Logo se ajuntou todo o exército e subiram ao. monte Sião. 38E viram os santos lugares de todo desertos, e o altar profanado, e as portas queimadas, e nos átrios arbustos nascidos como sucede num bosque ou nos montes, e os quartos do templo todos destruídos. 39E rasgaram os seus vestidos. e fizeram grande pranto, e puseram cinza sôbre suas cabeças: 40E prostraram-se por terra de bruços, e deram sinal com trombetas e levantaram gritos ao céu. 41Então ordenou Judas certos homens, que pele- Jassemcontra os que estavam na fortaleza. cnguanto se purificavam os lugares santos. 42E escolheu sacerdotes sem mancha. religiosos observadores da lei de Deus. 43E limparam os santos lugares e levaram para uma paragem imunda as pedras de profanação. 44E Judas deliberou que faria êle do altar dos holocaustos, que tinha sido profanado. 45E ocorreu-lhes um bom conselho, que foi destruí-lo: Tremendo não viesse êle a ser-lhes um motivo de opróbrio, por causa de o terem contaminado os gentios, assim êles o demoliram. 46E puseram as suas pedras no monte do templo num lugar próprio, esperando que viesse algum profeta, que declarasse o que se devia fazer delas. 47E tomaram pedras inteiras segundo a lei, e fizeram com elas um altar novo conforme àquele que tinha havido dantes: 48E reedificaram o santuário e o que havia que reparar da parte de dentro da casa: E santificaram o templo e os átrios. 49E fizeram de novo vasos sagrados, e puseram no templo o candeeiro, e o altar dos perfumes, e a mesa. 50Puseram também o incenso sôbre o altar, e acenderam as lâmpadas, que estavam sôbre o candeeiro, e que luziam no templo. 51Puseram igualmente os pães sôbre a mesa, e suspenderam os véus, e enfim acabaram tudo o que tinham começado. 52É o dia vinte e cinco do nono mês (êste é o mês de Casleu) do ano cento e quarenta e oito, êles se levantaram antes de amanhecer: 53E ofereceram o sacrifício conforme a lei sôbre o novo altar dos holocaustos que tinham feito. 54No mesmo tempo, e no mesmo dia, em que o contaminaram os gentios, nesse mesmo foi êle renovado ao som de cânticos, e de citaras, e de liras, e de tímbales. 55E todo o povo se lançou com o rosto por terra, e adoraram, e em gritos, que chegavam até ao céu, bendisseram aquêle que lhes havia dado o feliz sucesso da sua emprêsa. 56E celebraram a dedicação do altar, por oito dias, e ofereceram holocaustos com alegria, e um sacrifício de ação de graças e de louvores. 57E enfeitaram a face exterior do templo com coroas de ouro, e com uns pequenos escudos: E dedicaram as entradas do templo, e os quartos dos lados, e puseram-lhes portas. 58E recresceu no povo mui grande contentamento. e baniu-se dentre eles o opróbrio das gentes. 59E ordenou Judas, e seus irmãos, e tôda a Igreja -de Israel, que se celebrasse o dia da Dedicação do Altar.a seus tempos, de ano em ano, por oito dias contados desde o dia vinte e cinco do mês de Casleu, com alegria e gôzo: 60E neste mesmo tempo fortificaram eles o monte Sião, e levantaram em tôrno altos muros, e fortes tôrres. tremendo não tornassem os gentios a vir outra vez, e o pisassem aos pés como tinham feito antes. 61E ali pôs Judas uma guarnição para o guardar. e fortificou-o para também segurar Betsura, a fim de ter o povo uma fortaleza nas fronteiras da Iduméia.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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