1 Reis 25
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo · Nas Bíblias atuais: 1 Samuel
1E faleceu Samuel, e todo o Israel se juntou a chorá-lo, e o enterraram na sua casa em Ramata. E Davi se retirou para o deserto de Faran. 2Havia porém no deserto de Maon um homem, que tinha as suas possessões no Carmelo, e êste homem era muito rico, e tinha três mil ovelhas, e mil cabras: E sucedeu fazer-se a tosquia do seu gado no Carmelo. 3Chamava-se pois o tal homem Nabal, e sua mulher chamava-se Abigail: E era esta uma mulher prudentíssima e formosíssima: Seu marido porém era um homem duro, e péssimo, e malicioso: E vinha da linhagem de Caleb. 4Como pois Davi tivesse sabido no deserto que Nabal fazia a tosquia do seu rebanho, 5enviou lá dez mancebos, -e disse-lhes: Subi ao Carmelo, e ide a casa de Nabal e saudai-o da minha parte cortêsmente. 6E dir-lhe-eis: Paz seja a meus irmãos, e a ti, e a paz seja à tua casa, e paz seja a tudo o que tens. 7Eu ouvi dizer, que os teus pastores, que viviam conosco no deserto, estão na tosquia: Nós nunca os molestamos, nem a êles lhes faltou nunca coisa alguma do rebanho, por todo o tempo que estiveram conosco no Carmelo. 8Pergunta-o aos teus criados, e eles to dirão. Agora pois achem teus servos graça diante de teus olhos: Pois. viemos em tão bom dia: Dá a teus servos, e a Davi teu filho, qualquer coisa que tiveres à mão. 9E chegando os criados de Davi, disseram a Nabal tôdas estas coisas da parte cie Davi: e ficaram calados. 10Respondendo pois Nabal aos criados de Davi, disse: Quem é Davi? e quem é o filho de Isai? Hoje não se vê outra coisa senão servos que fogem a seus amos. 11Pegarei eu portanto no meu pão, e na minha água, e na carne das reses, que matei para os que tosquiam as minhas ovelhas; dá-las-ei a uns homens, que eu não sei de onde são? 12Voltaram pois os criados de Davi a tomar o seu caminho, e tendo chegado, lhe contaram tôdas as palavras que Nabal lhes tinha dite. 13Então disse Davi à gente: Tome cada um a sua espada. E cingiram todos as suas espadas, e cingiu também Davi a sua: E foram seguindo a Davi perto de quatrocentos homens: E ficaram duzentos com a equipagem. 14E um dos criados de Nabal noticiou a Abigail, sua mulher, dizendo: Sabe que Davi enviou do deserto mensageiros, para cumprimentarem a nosso amo: e êle os repeliu muito vilãmente: 15Êstes homens têm-nos sido muito úteis, e nunca nos foram molestos: E enquanto nós vivemos com eles no deserto, nada se perdeu: 16Êles nos serviam como de muro, assim de noite como de dia, por todo o tempo que nós apascentamos entre êles os rebanhos. 17Portanto considera, e vê o que deves fazer: porque o mal está de todo decretado contra teu marido, e contra a tua casa, e êle é um filho de Belial, de maneira que ninguém é ousado a falar-lhe. 18Apressou-se pois Abigail, e tomou duzentos pães, e dois odres de vinho, e cinco carneiros cozidos, e cinco alqueires de farinha, e cem cachos de passas de uvas, e duzentas pastas de figos secos, e pôs tudo em cima de jumentos: 19E disse aos seus criados: Ide adiante de mim: Que cu vos seguirei logo: E não disse nada disto a Nabal, seu marido. 20Montada pois num jumento, a tempo que descia pelas faldas do monte, descia também Davi com a sua gente para ela: e Abigail se encontrou com êles: 21E disse Davi: Em verdade que de nada me serviu ter eu conservado no deserto tudo o que era dêste homem, sem que se lhe perdesse nunca coisa alguma: E êle me tornou mal por bem. 22Deus trate com todo o seu rigor os inimigos de Davi, se eu até amanhã deixar viva coisa que seja dêle, ainda a um dos que urinam à parede. 23Mas Abigail tanto que viu Davi, apressou-se, e desceu do jumento, e prostrou-se diante de Davi sobre o seu rosto, e fêz-lhe uma profunda reverência, 24e lançou-se a seus pés, e disse: Sôbre mim caia, meu senhor, esta iniquidade: Peço-te que permitas à tua escrava falar-te: E ouve o que te diz a tua serva. 25Não faça abalo, te peço no coração de meu senhor, e de meu rei a injustiça de Nabal: Porque como o denota o seu nome, é um insensato, e a loucura está com êle: Mas eu, tua escrava, não vi os criados que tu, meu senhor, enviaste. 26Agora pois, meu senhor, viva o Senhor, e viva a tua alma, pois que o Senhor te impediu que não viesses derramar sangue, nem te vingasses pela tua mão: E sejam agora como Nabal os teus inimigos, e os que buscam fazer mal a meu senhor. 27Portanto aceita esta bênção, que a tua escrava te trouxe a ti, meu senhor, e reparte dela com os que te seguem, meu senhor. 28Perdoa a tua escrava êste pecado: Porque certissimamente o Senhor estabelecerá em ti, meu senhor, uma casa permanente, pois que por êle combates, meu senhor: Não se ache pois culpa em ti por todos os dias da tua vida. 29Porque se em algum tempo se levantar alguém para te perseguir, e buscar a tua alma, será a alma do meu senhor guardada como no ramalhete dos que vivem no Senhor teu Deus: E a alma de teus inimigos será arrojada, como com giro e ímpeto de funda. 30Quando o Senhor pois te tiver feito a ti, meu senhor, todos os bens que êle predisse de ti, e te tiver estabelecido por general sôbre Israel, 31não terás no coração êste pesar, nem êste remorso, meu senhor, de que derramaste o sangue inocente, e de que te vingaste a ti mesmo: E quando o Senhor tiver feito a meu senhor estes bens, lembrar-te-ás da tua escrava. 32E Davi respondeu a Abigail: Bendito seja o Senhor Deus de Israel, que te enviou hoje a meu encontro, e bendita a tua palavra, 33e bendita tu, que me tolheste hoje o derramar sangue, e vingar-me pela minha mão. 34De outro modo juro pelo Senhor Deus de Israel, que me impediu que te não fizesse mal: Que se tu não vieras logo ao meu encontro não teria ficado nada com vida até amanhã em casa de Nabal, ainda um dos que urinam à parede. 35Aceitou pois Davi da sua mão tudo o que Abigail lhe tinha trazido, e disse-lhe: Vai-te em paz para tua casa, bem vês que fiz o que me pediste, e que honrei a tua presença. 36E voltou Abigail para Nabal, e eis que achou que êle fazia em sua casa um banquete, como um banquete de rei, e que o seu coração nadava em alegria: Porque tinha bebido vinho com excesso: E não lhe quis falar nem pouco nem muito até pela manhã. 37Ao outro dia muito cedo quando Nabal tinha já digerido o vinho, contou-lhe sua mulher tudo o que se tinha passado, e o seu coração ficou como morto interiormente, imóvel como uma pedra. 38E passados dez dias, feriu o Senhor a Nabal, e êste morreu. 39E tendo Davi ouvido a morte de Nabal, disse: Bendito seja o Senhor, que me vingou do avilanado modo cem que Nabal se houvera comigo, e preservou a seu servo do mal, e fêz que a iniquidade de Nabal recaísse sobre a sua cabeça. Entretanto enviou Davi mensageiros a Abigail, que lhe falassem, que êle a queria tomar por sua mulher. 40E vieram os mensageiros de Davi ter com Abigail ao Carmelo, e lhe falaram, dizendo: Davi nos en viou a ti, para te significar que êle deseja casar contigo. 41No mesmo ponto se lançou Abigail por terra, e disse: Eis-aqui a tua criada, que será uma escrava. para lavar os pés aos criados de meu senhor. 42E levantando-se depressa Abigail, montou num jumento, e foram com ela cinco moças, criadas suas, e seguiu os mensageiros de Davi: E êle casou com ela. 43E Davi se desposou também com Aquinoão, que era de Jezrael: E foi uma e outra sua mulher. 44Saul porém tinha dado Micol, sua filha, mulher de Davi, a Falti, filho de Lais, que era de Galim.