2 Macabeus 1
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1AOS IRMÃOS judeus, que estão espalhados pelo Egito, os judeus seus irmãos, que estão em Jerusalém, e que vivem no país da Judéia, lhes desejam saúde e boa paz. 2Deus vos encha de bens, e se lembre da sua aliança que fêz com Abraão, e Isaac, e Jacó, seus fiéis servos: 3E êle vos dê a todos um mesmo coração para que vós o adoreis, e façais a sua vontade com um coração grande, e um ânimo fervoroso. 4Êle abra o vosso coração para a sua lei, e para os seus preceitos, e êle vos dê a paz. 5Êle escute as vossas orações, e se reconcilie convosco, e vos não desampare no tempo mau. 6Pelo que nos diz respeito, nós aqui estamos agora ocupados em orar por vós. 7Sob o reinado de Demétrio, ano cento e sessenta e nove, nós outros judeus vos escrevemos na aflição, e violência dos males, que nos tinham sobrevindo êstes anos, desde que Jasão se retirou da Terra Santa, e do reino. 8Êles queimaram a porta e derramaram o sangue inocente: E nós fizemos oração ao Senhor, e fomos ouvidos, e oferecemos o sacrifício e a flor da farinha, e acendemos as lâmpadas, e pusemos os pães. 9Celebrai pois agora a festa dos tabernáculos do mês de Casleu. 10Ano cento e oitenta e oito, o povo, que está em Jerusalém, e na Judéia, e o senado e Judas, a Aristóbulo, mestre do rei Ptolomeu, que é da linhagem dos sacerdotes ungidos, e aos judeus que vivem no Egito, saúde e prosperidade. 11Livrados por Deus de grandes perigos, nós lhe rendemos grandiosas ações de graças, pela fortaleza que nos deu para pelejarmos contra um tal rei. 12Porque êle foi o que fêz sair da Pérsia aquela multidão de gentes, que pelejaram contra nós, e contra a cidade santa. 13Porquanto, achando-se na Pérsia o mesmo chefe, e com êle um exército imenso, pereceu no templo de Nanéia, enganado pelo fraudulento conselho dos sacerdotes da referida Nanéia. (S) 14Porque veio Antíoco em companhia de seus amigos ao seu templo, como para se desposar com ela, e para receber grandes somas de dinheiro a título de dote. 15E como os sacerdotes de N anéia lhe tivessem mostrado as tais somas, e êle houvesse entrado com uns poucos dentro do âmbito do templo fecharam logo o templo. 16Assim que entrou Antíoco: E depois de terem aberto uma oculta entrada do templo, arrojando pedras feriram o chefe, e os que com êle estavam, os esquarte-jaram, e cortadas as cabeças os deitaram fora. 17Em tudo e por tudo seja Deus bendito, que assim entregou os ímpios. 18Devendo nós pois celebrar no dia vinte e cinco do mês de Casleu a purificação do templo, julgamos que era necessário avisar-vos disso: Para que vós também celebreis tanto a festa dos Tabernáculos, como a festa do fogo que nos foi. dado quando Neemias, depois de ter edificado o templo e o altar, ofereceu nêle os sacrifícios. 19Porque quando nossos pais foram levados cativos para a Pérsia, os sacerdotes, que então eram tementes a Deus, tirando o fogo que estava sôbre o altar, o esconderam secretamente num vale, onde havia um poço alto, e sêco, e o guardaram ali, de sorte que a todos ficasse incógnito o lugar. 20Tendo-se passado pois muitos anos, foi Deus então servido que Neemias fôsse enviado à Judéia pelo rei da Pérsia: Mandou êle que os netos daqueles sacerdotes, que tinham escondido o fogo, o fôssem buscar: E não acharam fogo, como êles mesmos no-lo disseram, mas uma água crassa. 21Então mandou o sacerdote Neemias que tirassem êles desta água, e lha trouxessem: Ordenou-lhes que com a mesma água se fizessem aspersões sôbre os sacrifícios, que estavam postos em cima, e sôbre a lenha, e sôbre o que se achava pôsto em cima. 22E logo que se isto fêz, e veio o tempo em que raiou o sol, que havia estado antes nublado, se acendeu um grande fogo, de maneira que todos ficaram maravilhados. 23Entretanto todos os sacerdotes estavam fazendo oração, enquanto o sacrifício se consumava, principiando Jônatas, e respondendo os outros. 24E a oração que fazia Neemias, era desta maneira: SENHOR Deus, Criador de tôdas as coisas, terrível, e forte, justo, e misericordioso, que és o só bom rei. 25O só excelente, o só justo, e todo-poderoso, e eterno, que livras a Israel de todo o mal, que escolheste a nossos pais, e os santificaste: 26Recebe êste sacrifício por todo o teu povo de Israel, e guarda a tua herança, e santifica-a. 27Congrega a todos os nossos irmãos dispersos, livra os que estão debaixo da escravidão dos gentios, e olha favoravelmente para os que estão feitos um objeto de desprêzo, e de abominação: Para que as nações conheçam que tu és nosso Deus. 28Aflige os que nos oprimem, e os que nos ultrajam com soberba. 29Estabelece o teu povo no teu santo lugar, como o disse Moisés. 30Entretanto os sacerdotes cantavam hinos, até que o sacrifício fôsse acabado. 31E acabado que foi o sacrifício, ordenou Neemias. que com o que restava daquela água fôssem borrifadas as pedras maiores. 32O que depois de feito, se acendeu delas uma grande chama: Porém ela foi consumida pelo lume, que resplandeceu do altar. 33E tanto que êste sucesso se fêz público, contaram ao rei dos persas, como no lugar, onde os sacerdotes, que tinham sido levados cativos, haviam escondido o fogo, se tinha achado uma água, com a qual Neemias, e os que estavam com êle, tinham purificado os sacrifícios. 34E considerando nisto o rei, e examinando com. diligência o caso, fêz ali um templo, para memória do que tinha acontecido. 35E tendo-se assegurado dêste prodígio, deu aos sacerdotes muitos bens, e lhes fêz muitos e diversos presentes, que êle lhes distribuía por sua própria mão. 36E Neemias chamou a êste lugar Neftar, que quer dizer, Purificação. Mas há muitos que o chamam Nefi.