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2 Macabeus 2

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Ora nas relações do profeta Jeremias se acha escrito que êle aos que iam da Judéia para um país estrangeiro, lhes mandou que tomassem o fogo: Como já ficou indicado, e como êle o prescreveu aos que eram levados cativos. 2E o mesmo profeta lhes deu a lei, para que êles se não esquecessem dos preceitos do Senhor, nem se ex-traviassem nos seus espíritos vendo os ídolos de ouro, e de prata, e os seus adornos. 3E dando-lhes outros avisos semelhantes a êstes os exortava a que não apartassem do seu coração a lei. 4Continha-se outrossim no mesmo escrito, como êste profeta por ordem particular que tinha recebido de Deus, mandou que levassem com êle o tabernáculo, e a arca, até que chegasse ao monte, a que Moisés tinha subido, e do qual êle viu a herança de Deus. 5E tendo ali chegado Jeremias, achou naquele lugar uma caverna: E meteu nela o tabernáculo, e a arca, e o altar dos perfumes, e tapou-lhe a entrada. 6Alguns porém dos que o seguiam, se chegaram juntos para notarem êste lugar: E não puderam achá-lo. 7E quando isto soube Jeremias, repreendendo-os, disse: Sabei que êste lugar ficará incógnito, até que Deus reuna a congregação do povo, e se lhe mostre propício: 8E então descobrirá o Senhor estas coisas e aparecerá a majestade do Senhor, e ver-se-á uma nuvem, como também se manifestava a Moisés, e assim como apareceu a Salomão quando pediu que o templo fôsse santificado pelo grande Deus. 9Porque então fazia êle resplandecer magnificamente a sua sabedoria: E êle ofereceu o sacrifício da dedicação, e da consumação do templo, como quem estava cheio de sabedoria. 10E assim como Moisés orava ao Senhor, e desceu, fogo do céu e consumiu o holocausto, por semelhante modo também orou Salomão, e desceu fogo do céu, que consumiu o holocausto. 11E Moisés disse pelo motivo de que se não comeu a hóstia que era oferecida pelo pecado, foi ela consumida. 12Também Salomão da mesma sorte celebrou por oito dias a dedicação. 13E estas mesmas coisas: se achavam nos escritos, e memórias de Neemias: E êle as descreveu como quem, formando uma biblioteca, ajuntará de diversos países livros, assim os dos profetas, como os de Davi, e as cartas dos reis, e o que tocava aos seus dons. 14E do mesmo modo também Judas Macabeu recolheu tudo o que se havia perdido durante a guerra, que nos sobreviera, e esta coleção nós a temos nas nossas mãos. 15Se vós pois desejais êstes escritos, mandai pessoas que vo-los possam levar. 16Nós pois vos escrevemos, estando a ponto de celebrar a purificação: E vós fareis bem se celebrardes esta festa. 17Porque Deus, que livrou o seu povo, e que restituiu a todos a herança, e o reino, e o sacerdócio, e o lugar santo, 18conforme o tinha prometido na lei, esperamos que cedo nos fará misericórdia, e nos tornará a ajuntar de todos os países, que estão debaixo do céu, no seu santo lugar. 19Pois que êle nos livrou de grandes perigos, e purificou o seu templo. 20Nós pois temo-nos proposto escrever o que toca a Judas Macabeu, e a seus irmãos, e sôbre a purificação do grande templo, e a respeito da dedicação do altar: 21E também acêrca das batalhas que se deram sob Antíoco, ilustre, e sob seu filho Eupator: 22E sôbre as manifestas aparições que tiveram do céu aquêles que pelejaram pelos judeus com tanto valor, que sendo poucos, se fizeram senhores de todo o país: E puseram em fugida um grande número de bárbaros. 23E recobraram o mais famoso templo que há em todo o mundo, e livraram a cidade da escravidão, restituíram ao seu vigor as leis, que tinham sido abolidas, tendo-se-lhes o Senhor mostrado propício com evidentes provas da sua bondade: 24E além disto o que Jasão de Cirene compreendeu em cinco livros, procuramos nós epitomar num só volume. 25Porquanto considerando a multidão de livros, e a dificuldade que encontram os que querem aplicar-se às narrações das histórias por causa da multidão dos sucessos, 26procuramos em benefício dos que desejarem com efeito ler esta nossa, que ela lhes servisse de recreação do espírito: E para comodidade dos estudiosos, que êles a pudessem entregar mais facilmente à memória, e pudesse geralmente ser útil a todos os que a folhearem. 27Mas na verdade pelo que diz respeito a nós, que nos encarregamos de fazer o resumo desta obra, não é ligeiro trabalho que temos tomado, antes porém uma emprêsa cheia de vigílias, e de suor. 28Como aquêles que dispõem um banquete, e procuram lisonjear o gôsto dos outros, assim nós, pelo proveito que daqui muitos podem tirar, levamos de boa vontade esta fadiga. 29E deixando correr a afirmação da verdade de cada um dos fatos por conta dos autores que os referem, nós com isso tomamos à nossa o resumi-los segundo foi nossa tenção. 30Porque assim como um arquiteto, que empreende edificar uma casa nova, deve pôr o cuidado em regular tôda a sua fábrica: E o que trata de a pintar, há de inquirir o que é acomodado para o seu ornato: Da mesma sorte se deve julgar também de nós. 31Porquanto quem compõe uma história, deve recolher diferentes espécies de que ela se teça, e distribuir cada uma delas por sua ordem, e examinar com indivi-duação cada uma de suas partes: 32Mas a quem faz um resumo, se deve permitir que siga a brevidade no que escreve, e fuja dilatar-se em longos discursos. 33Nós pois começaremos daqui a nossa narração: Para prefação baste só o que temos dito: Porque seria uma loucura sermos difusos na prefação da história, e sucintos no corpo dela.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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