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4 Reis 19

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo · Nas Bíblias atuais: 2 Reis

1O que tendo ouvido o rei Ezequias, rasgou os seus vestidos, e cobriu-se de saco, e entrou na casa do Senhor. 2E mandou a Eliacim, mordomo-mor da sua casa, e a Sobna, secretário de estado, e aos mais velhos dos sacerdotes cobertos de sacos, ao profeta Isaías, filho de A mós. 3Os quais lhe disseram: Eis-aqui o que diz Ezequias: Êste dia é um dia de tribulação, e de increpação, e de blasfêmia: Os filhos chegaram ao ponto de nascer, porém a que está com as dores, não tem forças. 4O Senhor teu Deus talvez terá ouvido as palavras de Rabsaces, a quem enviou o rei dos assírios seu amo, para blasfemar o Deus vivo, e para o insultar com palavras, que o Senhor teu Deus ouviu: Faze pois oração ao Senhor por êste resto que ainda se acha. 5Foram pois os servos do rei Ezequias ter com Isaías. 6E Isaías lhes respondeu: Direis a vosso amo o seguinte: Não temas essas palavras, que ouviste, nas quais os servos do rei dos assírios me blasfemaram. 7Eu estou para lhe enviar um espírito, e êle ouvirá uma nova, e voltará para a sua terra, e eu o farei perecer à espada na sua terra. 8Voltou pois Rabsaces, e achou o rei dos assírios sitiando a Lobna: Porque tinha sabido que o rei se havia retirado de Laquis. 9E como Senaquerib tivesse ouvido aos que diziam de Taraca, rei da Etiópia: Olha que êle saiu para pelejar contra ti: E indo contra êle, enviou mensageiros a Ezequias, dizendo: 10Direis a Ezequias, rei de Judá: Vê não te seduza O teu Deus, no qual tens confiança: Nem digas: Jerusalém não será entregue nas mãos do rei dos assírios. 11Porque tu mesmo tens ouvido o que os reis dos assírios fizeram a tôdas as terras, e como se arruinaram: Acaso pois tu só te poderás salvar? 12Porventura os deuses das gentes livraram os povos, que meus pais devastaram, a saber, a Gozan, e a Haram, e a Resefe, e aos filhos de Eden, que estavam em Telassar? 13Que é feito do rei de Emat e do rei de Arfad, e do rei da cidade de Sefarvaim, de Ana e de Ava? 14Ezequias pois tendo recebido a carta da mão dos mensageiros, e lendo-a foi para a casa do Senhor, e estendeu a carta diante dó Senhor, 15e fêz a sua oração diante dele, dizendo: Senhor Deus de Israel, que estás assentado sôbre os querubins, tu és só o que és o Deus de todos os reis da terra: Tu fizeste o céu e a terra. 16Inclina a tua orelha, e ouve: Abre, Senhor, os teus olhos, e vê: Ouve tôdas as palavras de Senaquerib, que mandou se blasfemasse diante de nós o Deus vivente. 17E na verdade, Senhor, os reis dos assírios destruíram as nações e as terras de todos. 18E lançaram os seus deuses no fogo: Porque eles não eram deuses, mas obras das mãos dos homens, de pau e de pedra, e deram cabo deles. 19Salva-nos pois agora, Senhor nosso Deus, das suas mãos, para que todos os reinos da terra saibam que só tu és o Senhor Deus. 20Mandou pois dizer Isaías, filho de Amós, a Ezequias: Eis-aqui o que diz o Senhor Deus de Israel: Eu ouvi a oração que tu me fizeste tocante a Senaquerib, rei dos assírios. 21Eis-aqui o que o Senhor disse dele: A virgem filha de Sião te desprezou, e te escarneceu: Jerusalém sacudiu a sua cabeça por trás de ti: 22A quem insultaste, e de quem blasfemaste? Contra quem levantaste a tua voz, e ergueste ao alto os teus olhos? Contra o Santo de Israel. 23Tu blasfemaste o Senhor por meio dos teus ser-vos, e disseste: Com a multidão das minhas carroças, subi ao alto dos montes no cume do Líbano, e deitei abaixo os seus altos cedros, e as suas mais formosas, e as suas mais notáveis faias. E penetrei até os seus limites e até o bosque do seu Carmelo, 24eu o cortei. È bebi as águas estrangeiras e sequei com as plantas de meus pés tôdas as águas que estavam. fechadas. 25Tu logo não ouviste dizer o que eu fiz desde o princípio? Desde os dias antigos eu formei este projeto, e agora o executei: E as fortes cidades serviram de ruína dos outeiros que pelejam. 26E os que nelas habitam, abatidas as forças, se atemorizaram, e ficaram confundidos, tornaram-se como o feno dos campos, e como a erva verde dos telhados, que se secou antes de amadurecer. 27Eu previ a tua habitação, e a tua saída, e a tua entrada, e o teu caminho, e o teu furor contra mim. 28Tu te fizeste louco contra mim, e a tua soberba subiu até às minhas orelhas: Eu te porei pois um círculo nos teus narizes, e uma mordaça nos teus beiços, e te farei voltar pelo caminho por onde vieste. 29Tu porém, ó Ezequias, terás este sinal: Come neste ano o que achares: No seguinte ano, o que nascer por si mesmo: Mas no terceiro, semeai e recolhei: Plantai vinhas, e comei os frutos delas. 30E tudo o que ficar da casa de Judá, lançará raízes para baixo, e produzirá o seu fruto para cima. 31Porque de Jerusalém sairão as relíquias, e do monte de Sião o que será salvo: O zêlo do Senhor dos exércitos fará isto. 32Portanto eis-aqui o que do rei dos assírios diz o Senhor: Êle não entrará nesta cidade, nem despedirá setas contra ela, nem será investida pela fôrça dos escii-dos, nem será cercada de trincheiras. 33Êle voltará pelo caminho, por onde veio: E não entrará nesta cidade, diz o Senhor. 34E eu protegerei esta cidade, e á salvarei por amor de mim, e por amòr de meu servo Davi. 35Aconteceu pois que naquela noite veio o anjo do Senhor, e matou no campo dos assírios cento e oitenta e cinco mil homens. E Senaquerib tendo-se levantado ao amanhecer, viu todos estes corpos dos mortos: E retirando-se, foi-se, 36e retirou-se Senaquerib, rei dos assírios, e ficou em Nínive. 37E quando êle adorava no templo a Nesroc sett deus, Adramelcc e Sarasar, seus filhos, o mataram às estocadas, e fugiram para a terra dos armênios, e em lugar dele reinou seu filho Asaradon.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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