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Abdias 1

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Visão de Abdias. Isto diz o Senhor Deus a Edom: Nós o ouvimos do Senhor, e êle já mandou o seu legado às gentes: Levantai-vos, e conspiremos todos contra Edom, para lhe apresentarmos batalha. 2Olha que te fiz pequenino entre as gentes: Tu és desprezível em extremo. 3A soberba do teu coração te elevou a ti, que labi-tas nas fendas dos rochedes, que elevas o teu trono: Que dizes dentro no teu coração: Quem me derribará em terra? 4Se te remontares como águia, e se puseres o teu. ninho entre os astros: Eu te a;-rancarci de lá, diz o Senhor. 5Se uns ladrões, se uns salteadores entrassem de noite em tua casa, como te não deixarias tu estar em silêncio? Não se contentariam êles de te levar o que lhes bastasse? Se entrassem outros a vindimar-te a tua vinha, não te deixariam êles ao menos um cacho? 6Como esquadrinharam êles a Esaú, investigaram cs seus esconderijos? 7Êles te perseguiram até o ponto de te lançarem fora dos teus confins: Todos os varões teus aliados zom-baram de ti: Os varões de paz que se diziam teus amigos, se levantaram contra ti: Os que comem contigo, te armarão traições à falsa fé: Em Edom não há prudência. 8Acaso não é naquele dia que eu hei-de perder os sábios da Iduméia, diz o Senhor, e que eu hei-de expulsar a prudência do monte de Esaú? 9E os teus valentes do meio-dia serão tomados de mêdo, de maneira que morrerá todo o varão no monte de Esaú. 10Por causa da mortandade, e pelo agravo que fizeste a teu irmão Jacó, cobrir-te-á a confusão, e perecerás para sempre. 11No dia em que saíste contra êle, quando os estrangeiros levavam cativo o seu exército, e os estranhos entravam pelas suas portas, e deitavam sortes sôbre Jerusalém: Tu também eras como um dêles. 12Mas tu não zombarás mais de teu irmão no dia do seu trabalho, no dia em que êie fôr levado para fora do seu pais: Nem tc tornarás a alegrar sobre os filhos de Judá no dia da sua perdição: Nem se gloriará a tua bôca no dia da angústia. 13Nem entrarás pela porta do meu povo no dia da sua ruína: Nem tampouco zombarás tu dos seus males no dia da sua desolação: Nem serás enviado contra o seu exército no dia do seu desbarato. 14Nem te postarás nas saídas para matares aos que fugirem: E nãc encerrarás aos restos dos seus habitantes no dia da sua tribulação. 15Porque o dia do Senhor está perto sébre tôdas as gentes: Far-se-á contigo, como tu fizeste aos outros: Êle fará cair sôbre a tua cabeça a pena que tens merecido. 16Porque assim como vós bebestes sôbre o meu santo monte, assim também beberão de continuo tôdas as gentes: E elas beberão, e sorverão, e virão a ser como se nunca fôssem. 17Mas a salvação achar-se-á no monte de Sião, e êle será santo: E a casa de Jacó possuirá aos que a tinham possuído. 18Porque a casa de: Jacó será um fogo, e a casa de José uma chama, e a casa de Esaú uma palha sêca; que serão abrasados por êles, e êles os devorarão: E não ficarão relíquias da casa de Esaú, porque o Senhor é o que falou. 19E os que estão ao meio-dia, e os que habitam nas planícies dos filisteus, herdarão o monte de Esaú: E eles serão senhores do país de Efraim, e do território de Samaria: E Benjamim possuirá a Galaad. 20E o cativeiro dêste exército dos filhos de Israel, todos os lugares dos cananeus até Sarepta: E o cativeiro de Jerusalém, que está no Bósforo, possuirá as cidades do meio-dia. 21E os salvadores subirão ao monte de Sião, para julgarem o monte de Esaú: E ficará o reino ao Senhor.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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