Atos dos Apóstolos 10
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Havia pois em Cesaréia um homem, por nome Cornélio, que era centurião da coórte, que se chama Italiana, 2cheio de religião e temente a Deus com tôda a sua casa, que fazia muitas esmolas ao povo, e que estava orando a Deus incessantemente: 3ste viu em visão manifestamente, quase à hora da Noa, que um anjo de Deus se apresentava diante dêle e lhe dizia: Cornélio. 4E êle fixando nele os olhos, possuido de temor, disse: Que é isto, Senhor? Êle, porém, lhe respondeu: As tuas orações e as tuas esmolas subiram para ficarem em lembrança na presença de Deus. 5Envia pois agora homens a Jope e faze vir aqui a úm certo Simão, que tem por sobrenome Pedro: 6Êste se acha hospedado em casa dum certo Simão, curtidor de peles, cuja casa fica junta ao mar: Êle te dirá o que te convém fazer. 7E logo que se retirou o anjo que lhe falava, chamou a dois dos seus domésticos, e a um soldado temente a Deus, daqueles que estavam às suas ordens: 8E havendo-lhes contado tudo isto, os enviou a Jope. 9E no dia seguinte, indo êles seu caminho e estando já perto da cidade, subiu Pedro ao alto da casa a fazer oração perto da hora de sexta. 10E como tivesse fome, quis comer. Mas ao tempo que lho preparavam, sobreveio-lhe um rapto de espirito: 11E viu o Céu aberto, e que descendo um vaso, como uma grande: toalha, suspenso pelos quatro cantos, era feito baixar do Céu à terra. 12Na qual havia de todos os quadrúpedes, e dos reptis da terra, 13E foi dirigida a êle uma voz, que lhe disse: Levanta-te, Pedro, mata e come. 14E disse Pedro: Não, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum, nem imunda. 15Ea voz lhe tornou segunda vez a dizer: Ao que Deus purificou não chames tu comum. 16E isto se repetiu até três vezes: E logo o vaso se recolheu ao céu. 17E enquanto Pedro entre si duvidava sôbre o que seria a visão: Eis que os homens, que tinha enviado Cornélio, perguntando pela casa de Simão, chegaram à porta. 18E havendo chamado, perguntavam se estava ali hospedado Simão, que tinha por sobrenome Pedro. 19E considerando Pedro na visão, lhe disse o espírito: Eis aí três homens que te procuram: 20Levanta-te pois, desce e vai com êles sem duvidar: Porque eu sou o que os enviei. 21E descendo Pedro para ir ter com os homens, lhes disse: Aqui me tendes, que eu sou a quem buscais: Qual é a causa. por que aqui viestes? 22Responderam êles: O centurião Cornélio, homem justo e temente a Deus, e que disto mesmo logra o testemunho de tôda a nação dos judeus, recebeu resposta do santo anjo, que te mandasse chamar a sua casa, e que ouvisse as tuas palavras. 23Pedro pois, fazendo-os entrar, os hospedou. E levantando-se ao seguinte dia, partiu com êles: E alguns dos irmãos, que viviam em Jope, o acompanharam. 24E ao outro dia depois entrou em Cesaréia. E Cornélio os estava esperando,. havendo convidado já aos seus parentes, e mais íntimos amigos. 25E aconteceu que quando Pedro estava para entrar, saiu Cornélio a recebê-lo: E prostrando-se a seus pés o adorou. 26Mas Pedro o levantou, dizendo: Levanta-te, que eu também sou homem. 27E entrou falando com êle, e achou muitos que haviam concorrido: 28E lhes disse: Vós sabeis como é coisa abominável. para um homem judeu o juntar-se ou unir-se a um estrangeiro: Mas Deus me mostrou que a nenhum homem chamasse comum ou imundo. 29Por isso, sem duvidar, vim logo assim que fui chamado. Pergunto, pois, por que causa me chamaste? 30E disse Cornélio: Hoje faz quatro dias que es-: tava orando em minha casa à hora de Noa, e eis que se me pôs: diante um varão, vestido de branco, e me disse: 31Cornélio, a tua oração foi atendida, e as tuas esmolas foram lembradas na presença de Deus. 32Manda pois a Jope, e faze vir a um Simão, que tem por sobrenome Pedro; êle está hospedado em casa de Simão, curtidor de peles, à borda do mar. 33Em consequência disto, enviei logo a buscar-te, e tu fizeste bem em vir. Agora, porém, nós todos estamos na túa presença, para ouvir tôdas as coisas quantas o Senhor te ordenou que nos dissesses. 34Então Pedro abrindo.a sua bôca, disse: Tenho na verdade alcançado que Deus não faz acepção de pessoas. 35Mas que em tôda a nação aquele que o teme e obra o que é justo, êsse lhe é aceito. 36Deus envioú a sua Palavra aos filhos de Israel, anunciando-lhes a paz por meio de Jesus Cristo: (este é o Senhor de todos). 37Vós sabeis que a Palavra foi enviada por tôda a Judéia, pois começando desde a Galiléia, depois do batismo, que pregou João, 38sabeis que a Palavra mencionada é Jesus de Nazaré: Como Deus o ungiu do Espírito Santo e. de virtude, o qual andou fazendo bem e sarando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com êle, 39E nós somos testemunhas de tudo quanto fêz na região dos judeus e em Jerusalém, ao qual êles mataram, pendurando-o num madeiro. 40A êste ressuscitou Deus ao terceiro dia, e quis que se manifestasse, o 41não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia ordenado antes: A nós, que comemos e bebemos com êle, depois que ressuscitou dentre os mortos. 42E nos mandou pregar aô povo, e dar testemunho de que êle é o que por Deus foi constituído Juiz de vivos e mortos. 43A êste dão testemunho todos os profetas, de que todos os que crêem nele recebem perdão dos pecados por meio do seu Nome. 44Estando Pedro ainda proferindo estas palavras, desceu o Espírito Santo sôbre todos os que ouviam a palavra. 45E se espantaram os fiéis que eram da circuncisão, os quais tinham vindo com Pedro, de verem que a graça do Espírito Santo foi também derramada sôbre os gentios. 46Porque êles os ouviam falar diversas línguas e engrandecer a Deus. 47Então respondeu Pedro: Porventura pode alguém impedir a água para que não sejam batizados êstes que receberam o Espírito Santo, assim também como nós? 48E mandou que êles fossem batizados em nome do Senhor Jesus Cristo. Então lhe rogaram que ficasse com êles por alguns dias.