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Atos dos Apóstolos 9

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Saulo, pois, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, se apresentou ao príncipe dos sacerdotes. 2E lhe pediu cartas para as Sinagogas de Damasco: Com o fim de levar presos a Jerusalém quantos achasse desta profissão, homens e mulheres. 3E indo êle seu caminho, foi coisa fatível que se avizinhasse a Damasco: E sùbitamente o cercou ali uma luz vinda do Céu. 4E caindo em terra ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? 5Êle disse: Quem és tu, Senhor? E êle lhe respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues: Dura coisa é para ti recalcitrar contra o aguilhão. 6Então, tremente e atônito, disse: Senhor, que queres tu que eu faça?. 7E o Senhor lhe respondeu: Levanta-te, e entra na cidade, e aí se te dirá o que convém fazer. A êsse tempo aqueles homens, que o acompanhavam, estavam espantados, ouvindo sim a voz, mas sem ver ninguém. 8Levantou-se pois Saulo da terra, e tendo os olhos abertos, não via nada. les porém levando-o pela mão o introduziram em Damasco. 9E esteve ali três dias sem ver, e não comeu, nem bebeu. 10Ora, em Damasco havia um discípulo, que tinha por nome Ananias: E o Senhor numa visão lhe disse: Ananias. Êle acudiu dizendo: Eis-me aqui, Senhor. 11Eo Senhor lhe tornou: Levanta-te e vai ao bairro que se chama Direito: E busca em casa de Judas a um de Tarso chamado Saulo: Porque ei-lo aí está orando. 12(E viu um homem por nome Ananias, que entrava e que lhe impunha as mãos para recobrar a vista). 13Respondeu pois Ananias: Senhor, eu tenho ouvido dizer a muitos a respeito dêste homem, quantos males fêz aos teus Santos em Jerusalém: 14E êste tem poder dos príncipes dos sacerdotes de prender todos aqueles que invocam o teu nome. 15Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque êste é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante das gentes, e dos reis, e dos filhos de Israel. 16Porque eu lhe mostrarei quantas coisas lhe é necessário padecer pelo meu nome. 17E foi Ananias, e entrou na casa: E pondo as mãos sôbre êle, disse: Saulo irmão, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou para que recobres a vista e fiques cheio do Espírito Santo. 18E no mesmo ponto lhe caíram dos olhos umas como escamas, e assim recuperou a vista: E levantando-se foi batizado. 19E depois que tomou alimento, ficou então cont as fôrças recobradas. Alguns dias porém esteve com os discípulos, que se achavam em Damasco. 20E logo pregava nas Sinagogas a Jesus, que êste era o Filho de Deus. 21E pasmavam todos os que o ouviam, e diziam: Pois não é êste o. que perseguia em Jerusalém aos que invocavam êsse nome? E ao que veio cá não foi para os levar presos aos príncipes dos sacerdotes? 22Porém Saulo muito mais se esforçava, e con-fundia aos judeus que habitavam em Damasco, afirmando que êste era o Cristo. 23E passando muitos dias, os judeus juntos tiveram conselho para matá-lo. 24Porém Saulo foi advertido das suas ciladas. Guardavam pois até as portas de dia e de. noite, para ó matarem. 25E tomando conta dêle os discípulos de noite, o deslizaram pela muralha, metendo-o numa alcôfa. 26Tendo porém chegado a Jerusalém, procurava Saulo ajuntar-se com os discípulos, mas todos o temiam, não crendo que êle fôsse discípulo. 27Então Barnabé levando-o consigo, o apresentou aos Apóstolos: E lhes contou como havia visto ao Senhor no caminho e que lhe havia falado, e como depois em Damasco êle se portara com tôda a liberdade em nome de Jesus. 28E estava com êles em Jerusalém entrando, e saindo, e portando-se com liberdade em nome do Senhor. 29Falava também com os gentios, e disputava com os gregos: Mas êles tratavam de o matar. 30O que tendo sabido os irmãos o acompanharam até Cesaréia, e o enviaram a Tarso. 31Tinha então paz a igreja por tôda a Judéia, e Galiléia, e Samaria, e se propagava caminhando no temor do Senhor, e estava cheia da consolação do Espírito Santo. 32Aconteceu pois que andando Pedro visitando a todos, chegou aos. Santos, que habitavam em Lida. 33E achou ali um homem por nome Enéias, que havia oito anos jazia em um leito, porque estava paralítico. 34E Pedro lhe disse: Enéias, o Senhor Jesus Cristo te sara; Levanta-te, e faze a tua cama. E num momento se levantou. 35E viram-no todos os que habitavam em Lida, e em Sarona: Os quais se converteram ao Senhor. 36Houve também em Jope uma discípula, por nome Tabita, que quer dizer Dorcas. Esta se achava cheia de boas obras e de esmolas que fazia. 37E aconteceu naqueles dias, que depois de cair enferma, morresse. A qual, tendo-a primeiro lavado, a puseram num quarto alto. 38E como Lida estava perto de Jope, os discípulos ouvindo. que Pedro se achava lá, enviaram-lhe dois homens, rogando-lhe: Não te demores em vir ter conosco. 39E levantando-se Pedro foi com êles. E logo que chegou, o levaram ao quarto alto: E o cercaram tôdas as viúvas chorando, e mostrando-lhe as túnicas, e os vestidos, que lhes fazia Dorcas. 40Mas Pedro, tendo feito sair a todos para fora, pondo-se de joelhos, entrou a orar: E depois de se ter voltado para o corpo, disse: Tabita, levanta-te. E ela abriu os seus olhos: E vendo a Pedro, se assentou. 41Mas êlé a fêz levantar, dando-lhe a mão. E havendo chamado os santos, e as viúvas, lha entregou viva. 42E êste caso se fêz notório por tôda Jope: E foram muitos os que creram no Senhor. 43E aconteceu que Pedro se deixou ficar em Jope por muitos dias, em casa dum curtidor de peles, chamado Simão.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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