Atos dos Apóstolos 21
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E tendo-nos feito à vela depois que nos separa-mos dêles, fomos em direitura a Cóos, e no dia seguinte a Rodes e dali a Pátara. 2E como tivéssemos achado um navio, que passava à Fenícia, entrando nêle, nos fizemos à vela. 3E depois de estarmos à vista de Chipre, deixando-a à esquerda, continuamos a nossa derrota para as partes da Síria, e chegamos a Tiro: Porque aí se havia de descarregar o navio. 4E como achássemos discípulos, nos detivemos ali sete dias: Os quais inspirados pelo Espírito Santo diziam a Paulo que não subisse a Jerusalém. 5E passados poucos dias tendo partido dali iamos nosso caminho, acompanhando-nos todos com suas mulheres e com seus filhos até fora da cidade: E postos de joelhos na praia fizemos a nossa oração. 6E tendo-nos despedido uns dos outros, nos embarcamos: E êles voltaram para suas casas. 7Nós, porém, concluida a nossa navegação, de Tiro passamos a Ptolemaida: E havendo saudado aos irmãos, nos detivemos um dia com êles. 8E no dia seguinte, havendo partido dali, chegamos a Cesaréia. E entrando em casa de Filipe o evangelista, que era um dos sete, ficamos com êle. 9E tinha êle quatro filhas virgens. que profeta-vam. 10E como nos detivéssemos ali por alguns dias, chegou da Judéia um profeta, por nome Agabo. 11ste tendo vindo a nós, tomou a cinta de Paulo: E atando-se os pés e as mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim atarão os judeus em Jerusalém ao varão, cuja é esta cinta, e o entregarão nas mãos dos gentios. 12Quando ouvimos isto, nós e os que eram daquele lugar, lhe rogamos que não fôsse a Jerusalém. 13Então Paulo a resposta que deu foi dizendo: Que fazeis chorando e afligindo-me o coração? Porque eu estou aparelhado não só para ser atado, mas até para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus. 14E vendo que o não podíamos persuadir, não o importunamos mais, dizendo: Faça-se a vontade do Senhor. 15E depois dêstes dias, tendo-nos prevenido, subi-mos a Jerusalém. 16E alguns dos discípulos vieram também conosco desde Cesaréia, os quais levavam consigo a um Mnason de Chipre, discípulo antigo, para nos hospedarmos em sua casa. 17E chegados que fomos a Jerusalém, os irmãos nos receberam de boa vontade. 18E no seguinte dia foi Paulo em nossa companhia à casa de Tiago, onde se tinham congregado todos os anciãos. 19Havendo-os saudado, lhes contou uma por -uma tôdas as coisas que Deus tinha obrado entre os gentios por seu ministério. 20Êles porém depois que o ouviram, engrandeceram a Deus e lhe disseram: Bem vês, irmão, quantos milhares de judeus são os que têm crido, e todos são zeladores da lei. 21E têm ouvido dizer de ti, que ensinas ao judeus, que estão entre os gentios, que deixem a Moisés, dizendo que êles não devem circuncidar a seus filhos, nem andar segundo o seu rito. 22Pois que se há de fazer? certamente é necessário que a multidão se ajunte, porque ouvirão que tu és chegado. 23Faze pois o que te vamos a dizer: Temos aqui quatro varões, que têm voto sôbre si. 24Depois de haveres tomado êstes contigo, santifica-te com êles: E faze-lhes os gastos da cerimônia, para que rapem as cabeças: E saberão todos que é falso quanto de ti ouviram, e que pelo contrário segues o teu caminho guardando a lei. 25E acerca daqueles que creram dentre os gentios, nós temos escrito, ordenando que se abstenham do que fôr sacrificado aos ídolos, e de sangue, e de sufocado, e da fornicação. 26Então Paulo, depois de tomar consigo aquêles varões, purificado com êles, no seguinte dia entrou no templo, fazendo.saber o cumprimento dos dias da purificação, até que se fizesse a oferenda por cada um dêles. 27Mas quando estavam a findar os sete dias, aquêles judeus que se achavam ali da Ásia, tendo-o visto no Templo, amotinaram todo o povo e lhe lançaram as mãos, gritando: 28Varões de Israel, socorro: Êste é aquêle homem, que por tôdas as partes ensina a todos contra o povo e contra a lei, e contra êste lugar, até de mais a mais meteu os gentios no Templo e profanou êste santo lugar. 29Porque tinham visto andar com êle pela cidaue a Trófimo de Éfeso, creram que Paulo o havia introduzido no Templo. 30E se comoveu tôda a cidade, e se ajuntou um grande concurso de povo. E lançando mão de Paulo o arrastaram para fora do Templo e logo foram fechadas as portas. 31E procurando êles matá-lo, chegou aos ouvidos cio tribuno da coorte: Que tôda a Jerusalém estava amo-tinada. 32Êle havendo logo tomado soldados e centuriões correu a êles. Os quais, tendo visto ao tribuno e aos soldados, cessaram de ferir a Paulo. 33Então chegando-se o tribuno lançou mão dêle, e o mandou-atar com duas cadeias, e lhe perguntou quem era e o que havia feito. 34Mas nesta confusão de gente, uns gritavam duma sorte, outros doutra; e como por causa do tumulto não podia vir no conhecimento de coisa alguma ao certo, mandou que o levassem à cidadela. 35E quando Paulo chegou às escadas, foi necessário tomarem-no os soldados, êle grande que era a violência do povo. 36Porque era grande a aluvião que o seguia, dizendo a gritos: Mata-o. 37E quando começavam já a meter a Paulo na cidadela, disse ao tribuno: Desejara saber se me é permitido dizer-te duas palavras? O qual lhe respondeu: Sabes o grego? 38Porventura não és tu aquêle egípcio que os dias passados levantaste um tumulto e conduziste ao deserto quatro mil homens assassinos? 39E Paulo lhe disse: Eu na verdade sou homem judeu, natural de Tarso na Cilícia, cidadão desta não desconhecida cidade. Mas rogo-te que me permitas falar ao povo. 40E quando lho permitiu o tribuno, pondo-se Paulo em pé sôbre os degraus, fêz sinal ao povo com a mão, e tendo ficado todos num grande silêncio, falou então em língua hebraica, dizendo: