Atos dos Apóstolos 22
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Varões irmãos, e padres, ouvi a razão que presentemente vos dou de mim. 2E quando ouviram que lhes falava em língua hebraica, o escutaram com maior silêncio. 3E disse: Eu pelo que toca à minha pessoa sou judeu, que. nasci em Tarso de Cilícia, e me criei nesta cidade, instruído aos pés de Gamaliel, conforme a verdade da Lei de nossos pais, zelador da Lei, assim como todos vós também o sois no dia de hoje: 4Eu o que persegui êste caminho até à morte, prendendo, e metendo em cárceres a homens, e mulheres. 5Como o príncipe dos sacerdotes, e todos os anciãos me são testemunhas, dos quais havendo também. recebido cartas para os irmãos, ia a Damasco com o fim de os trazer dali presos a Jerusalém, para que fossem casti À 6Mas aconteceu que indo eu no caminho, e achando-me já perto de Damasco à hora do meio-dia, de repente me cercou uma grande luz do Céu: 7E caindo por terra, ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? 8E eu respondi: Quem és tu, Senhor? E o que falava-me disse: Eu sou Jesus Nazareno a quem tu persegues. 9E os que estavam comigo viram sim a luz, mas não ouviram a voz daquele que falava comigo. 10Então disse eu: Senhor, que farei? E o Senhor me respondeu: Levanta-te, vai a Damasco, e lá se te dirá tudo o que deves fazer. 11E como eu ficasse cego pelo intenso clarão daquela luz, tendo sido pelos que me acompanhavam levado pela mão, cheguei a Damasco. 12E um certo Ananias, varão segundo a Lei, que tinha o testemunho de todos os judeus que ali assistiam: 13Vindo ter comigo, e pondo-se-me diante me disse Saulo irmão, recebe a vista. E eu no mesmo ponto o vi a êle. 14E êle me disse: O Deus de nossos padres te predestinou para que conhecesses a sua vontade, e visses ao Justo, ouvisses a voz da sua bôca: 15Porque tu serás sua testemunha diante de todos os homens, das coisas que tens visto e ouvido. 16E agora para que te demoras? Levanta-te, e recebe o batismo, e lava os teus pecados, depois de invocar o seu nome. 17E aconteceu que voltando eu para Jerusalém, e orando no Templo, fui arrebatado fora de mim, 18e vi ao que me dizia: Da-te pressa, e sai logo de Jerusalém, porque não receberão o teu testemundo de mim. 19E eu disse: Senhor, êles mesmos sabem que eu era o que metia em cárceres, e açoutava pelas Sinagogas aos que criam em ti: 20E quando se derramava o sangue de Estêvão, testemunha tua, eu estava presente, e o consentia, e guardava os vestidos dos que o matavam. 21E êle me disse: Vai, porque cu te enviarei às nações de longe. 22E os judeus o haviam escutado até esta palavra, mas levantaram então a sua voz, dizendo: Tira do mundo a tal homem: Porque não é justo que êle viva. 23E como êles fizessem alaridos, e arrojassem de si os seus vestidos, e lançassem pó ao ar, 24mandou o tribuno metê-lo na cidadela, e que o açoutassem, e lhe dessem tormento para saber por que causa clamavam assim contra êle. 25Mas tendo-o liado com umas correias, disse Paulo a um centurião, que estava presente: É-vos permitido açoutar a um cidadão romano, e que não foi condenado? 26Tendo ouvido isto, foi o centurião ter com o tribuno, lhe fêz aviso, dizendo: Que determinas tu fazer? 27E vindo o tribuno, lhe disse: Dize-me se tu és romano? E êle disse: Sim. 28E respondeu o tribuno: A mim custou-me uma grande soma de dinheiro alcançar êste fôro de cidadão. Então lhe disse Paulo: Pois eu sou-o de nascimento. 29Logo ao mesmo tempo se apartaram dêle os que o haviam de pôr a tormento. Também o tribuno entrou em temor, depois que soube que era cidadão romano, e porque o tinha feito liar. 30E aô dia seguinte, querendo saber com mais in-dividuação a causa que tinham os judeus para acusá-lo, o: fêz desatar, e mandou que se ajuntassem os sacerdotes, e todo o conselho, e produzindo a Paulo, o apresentou diante dêles.