Atos dos Apóstolos 5
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1Um varão pois por nome Ananias, com sua mulher Safira, vendeu um campo: 2E com fraude usurpou certa porção do preço do campo, consentindo-o sua mulher: E levando uma.parte a pôs aos pés dos Apóstolos. 3E disse Pedro: Ananias, por que tentou satanaz o teu coração para que tu mentisses ao Espírito Santo, e reservasses parte do preço do campo? 4Porventura não te era livre ficar com êle, e ainda depois de vendido, não era teu o preço? Como puseste logo em teu coração fazer tal? Sabe que não mentiste aos homens, mas a Deus. 5Ananias, em ouvindo porém estas palavras, caiu e expirou. E fundiu-se um grande temor em todos os que isto ouviram. 6Levantando-se pois uns mancebos, o retiraram, e levando-o dali para fora o enterraram. 7E passado que foi quase o espaço de três horas, entrou também sua mulher, não sabendo o que tinha acontecido. 8E Pedro lhe disse: Dize-me, mulher, se vendestes vós por tanto a herdade? E ela lhe disse: Sim, por tanto. 9Pedro então disse para ela: Por que vos haveis por certo concertado para tentar o Espírito do Senhor? Eis aí estão à porta os pés daqueles que enterraram à teu - marido, e te levarão a ti. 10No mesmo ponto caiu a seus pés, e expirou. E aqueles moços entrando, a acharam morta: E a levaram, ea enterraram junto ao seu marido. 11E difundiu-se um grande temor por tôda a igreja, e entre todos os que ouviram êste sucesso. 12E pelas mãos dos Apóstolos se faziam muitos milagres, e prodígios entre a plebe. E estavam todos unà-nimes no pórtico de Salomão. 13E nenhum dos outros ousava ajuntar-se com cics, mas o povo lhes dava grandes louvores. 14E cada vez se aumentava mais a multidão dos homens, e mulheres, que criam no Senhor. 15De maneira que traziam os doentes para as ruas, e os punham em leitos e enxergões, a fim de que, ao passar Pedro, cobrisse sequer a sua sombra alguns deles, e ficassem livres das suas enfermidades. 16Assim mesmo concorriam enxames deles das cidades visinhas a Jerusalém, trazendo os seus enfermos, e os vexados dos espíritos imundos: Os quais todos eram curados. 17Mas levantando-se o príncipe dos sacerdotes, e todos os que com êle estavam (que é a seita dos saduceus) se encheram de inveja e ciume: 18E fizeram prender aos Apóstolos, e os mandaram meter na cadeia pública. 19Mas o Anjo do Senhor, abrindo de noite as portas do cárcere, e tirando-os para fora, lhes disse: 20Ide, e, apresentando-vos no templo, pregai ao povo tôdas as palavras desta vida. 21Os quais, tendo ouvido isto, entraram ao amanhecer no templo, e se punham a ensinar. Mas chegando o príncipe dos sacerdotes, e os que com êle estavam, convocaram o conselho, e a todos os anciãos dos filhos de Israel: E enviaram ao cárcere para que fossem ali trazidos. 22Mas tendo lá ido os ministros, e como, aberto o cárcere, os não achassem, depois de voltarem deram a notícia, 23dizendo: Achamos sim o cárcere fechado com tôda a diligência, e os guardas postos diante das portas: Mas abrindo-se não achamos ninguém dentro. 24Quando porém ouviram esta novidade, os magistrados do templo, e os príncipes dos sacerdotes estavam perplexos sôbre o que teria sido feito deles. 25Mas ao mesmo tempo chegou um que lhes deu esta notícia: Olhai que aqueles homens, que metestes no cárcere, estão postos no templo, e doutrinando ao povo. 26Então foi o magistrado com os seus ministros, e os trouxe sem violência: Porque temiam que o povo os apedrejasse. 27E logo que os trouxeram, os apresentaram no conselho. E o príncipe dos sacerdotes lhes fêz a seguinte pergunta, 28dizendo: Com expresso preceito vos mandamos que não ensinasseis neste nome e isto não obstante, eis aí tendes enchido a Jerusalém da vossa doutrina: E quereis lançar sôbre nós o sangue dêsse homem. 29Mas dando Pedro a sua resposta, e os Apóstolos disseram: Importa obedecer mais a Deus do que aos homens. 30O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, a quem vós destes a morte, pendurando-o num madeiro. 31A êste elevou Deus com a sua destra por Príncipe, e por Salvador, para dar o arrependimento a Israel, e a remissão dos pecados. 32E nós somos. testemunhas destas palavras, e também o Espírito Santo, que Deus deu a todos os que lhe obedecem. 33Quando isto ouviram, enraiveciam-se, e formavam tenção de os matar. 34Mas levantando-se no conselho um fariseu por nome Gamaliel, doutor da lei, homem de respeito em todo o povo, mandou que saissem para fora aqueles homens por um breve espaço, 35e lhes disse: Varões israelitas, atendei por vós, reparando no que haveis -de fazer acerca dêstes homens. 36Porque há uns tempos a esta parte que se levantou um certo Teodas, que dizia ser êle um grande homem, a quem se acostou o número de quatrocentas pessoas com pouca diferença: O qual foi morto: E todos aqueles que o acreditavam foram desfeitos e reduzidos a nada. 37Depois dêste levantou-se Judas Galileu nos dias em que se fazia o arrolamento do povo, e levou-o após si, mas êle pereceu: E foram dispersos todos quantos a êle se acostaram. 38Agora pois enfim vos digo, não vos metais com êstes homens, e deixai-os: Porque se êste consêlho, ou esta obra vem dos homens, ela se desvanecerá. 39Porém se vem de Deus, não a podereis desfazer, porque não pareça que até a Deus resistis. E êles seguiram o seu conselho. 40E tendo chamado aos Apóstolos, depois de os haverem feito açoitar, lhes mandaram que não falassem mais no nome de Jesus, e os soltaram. 41Porém êles saíam por certo gozozos de diante do conselho por terem sido achados dignos de sofrer afrontas pelo nome de Jesus. 42E todos os dias não cessavam de ensinar, e de pregar a Jesus Cristo no templo, e pelas casas.