Baruc 3
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1E agora, Senhor Todo-poderoso, Deus de Israel, a alma entre angústias, e o espírito aflito clama a ti: 2Ouve, Senhor, tem compaixão, porque és um Deus misericordioso, e compadece-te de nós: Porque pecamos na tua presença. 3Porque tu permaneces eternamente, nós então havemos de perecer para sempre? 4Senhor Todo-poderoso, Deus de Israel, ouve presentemente -a oração dos mortos de Israel e a dos filhos daqueles que pecaram diante de ti, e não ouviram a voz do Senhor seu Deus, e se nos têm pegado êstes males. 5Não queiras lembrar-te das iniquidades de nossos pais, mas lembra-te do teu poder, e do teu nome neste tempo: 6Porque tu és o Senhor nosso Deus, e nós, Senhor, te louvaremos: 7Porque por isto puseste o teu temor em nossos corações, e a fim de que invoquemos o teu Nome, e te louvemos no nosso cativeiro, porquanto nos apartamos da maldade de nossos pais, que pecaram diante de ti. 8E eis-aqui estamos nós hoje no nosso cativeiro, em que nos puseste dispersos para sermos um objeto de afronta, e de maldição, e para sentirmos a pena do pecado, segundo tôdas as maldades de nossos pais, que se apartaram de ti, Senhor nosso Deus. 9Ouve, ó Israel, os mandamentos da vida: Aplica os teus ouvidos, para aprenderes a prudência. 10De onde vem, ó Israel, estares tu ao presente na terra dê teus inimigos? 11Tens envelhecido em terra estranha, contaminaste-te com os mortos: Estás confundido com os que descem ao inferno. 12Deixaste a fonte da sabedoria: 13Porque se tu tivesses andado pelo caminho de Deus, tu seguramente perseverarias numa paz eterna. 14Aprende onde está a prudência, onde está a virtude, onde está a inteligência: Para saberes ao mesmo tempo onde está a estabilidade da vida e do sustento, onde está o lume dos olhos, e a paz. 15Quem achou o lugar dela? e quem entrou nos tesouros dela? 16Onde estão os príncipes das gentes, e os que dominam sobre as alimárias, que estão sobre a terra? 17Os que brincam com as aves do céu? 18Os: que entesouram prata, e ouro, em que confiam os homens, e não têm fim os seus esforços de adquirir? os que lavram a prata e andam afadigados, e não têm têrmo as invenções das obras dêles? 19Exterminados foram, e desceram aos infernos, e outros se levantaram em lugar dêles. 20Êstes mancebos viram a luz, e habitaram sôbre a terra: Mas ignoraram o caminho da sabedoria, 21nem entenderam as suas veredas, nem seus filhos a receberam: Ela se retirou para longe da face dêles: 22Não foi ouvida na terra de Canaã, nem foi vista em Teman. 23Também os filhos de Agar, que buscam uma prudência, que vem da terra, êsses negociantes de Merra, e de Teman, e os fabulistas, e os esquadrinhadores da prudência e da inteligência: Mas êles não conheceram o caminho da sabedoria, nem fizeram menção das suas veredas. 24O' Israel, quão grande é a casa de Deus, e espaçoso O lugar da sua possessão! 25Êle é vasto, e não tem limites: E” elevado e imenso. 26Ali estiveram aquêles gigantes famosos, que houve desde o princípio, de grande estatura, destros na guerra. 27Não escolheu o Senhor a êstes, nem êles acharam o caminho da disciplina: Por isso pereceram. 28E porque não tiveram a sabedoria, pereceram pela sua imprudência. 29Quem subiu ao céu, e a recebeu a ela, e a tirou das nuvens? 30Quem atravessou o mar, e a achou? e a trouxe antes que o ouro escolhido? 31Não há ninguém que possa conhecer os seus caminhos, nem que busque com cuidado as suas veredas: 32Mas aquêle que sabe tôdas as coisas, a conhece, e a descobriu pela sua prudência: O que aparelhou a terra por uma eternidade, e a encheu de gados, e de quadrúpedes: 33O que envia a luz, e ela vai: E a chamou, e lhe obedece tremendo. 34E as estrêlas deram luz nas suas estâncias, e se alegraram: 35Foram chamadas, e disseram: Aqui estamos: E deram luz com alegria àquele que as fêz.? 36Este é o nosso Deus, e não será reputado outro diante dêle. 37Êste achou todo o caminho de ciência, e a deu a Jacó seu servo, e a Israel seu amado. 38Depois disto foi êle visto na terra, e conversou com os homens.