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Baruc 4

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Este é o livro dos mandamentos de Deus e a lei que subsiste eternamente: Todos os que a guardam, chegarão à vida: E os que a deixaram, cairão na morte. 2Converte-te, ó Jacó, e abraça esta lei, anda pelo caminho ao seu clarão em direitura do lume dela. 3Não entregues a outro a tua glória, nem a uma gente estranha a tua dignidade. 4Ditosos somos, ó Israel: Porque as coisas, que agradam a Deus, não são manifestas. 5Tem melhor ânimo, ó povo de Deus, memória de Israel: 6Vendidos haveis sido às gentes não para perdição: Senão pelo motivo de que em ira provocaste a Deus a iracúndia, fôstes entregues aos adversários. 7Porque tendes irritado aquêle que vos fêz, ao Deus eterno, sacrificado aos demônios e não a Deus. 8Porque vos esquecestes de Deus, que vos sustentou, e contristastes a Jerusalém vossa nutrice. 9Porque ela viu que vinha a ira de Deus sôbre vós, e disse: Ouvi, confinantes de Sião, porque Deus' me enviou uma grande aflição: 10Porque vi o cativeiro de meu povo, de meus filhos, e filhas, que lhes lançou em cima o Eterno. 11Pois eu os sustentei com alegria: E os despedi com dor e mágua. 12Ninguém se alegre sôbre mim, estando viúva, e solitária: Por muitos tenho sido desamparada por causa dos pecados de meus filhos, porque se desviaram da lei de Deus. 13E não souberam os seus preceitos, nem andaram pelos caminhos dos mandamentos de Deus, nem entraram com justiça pelas veredas da sua verdade. 14Venham os confinantes de Sião e façam menção do cativeiro de meus filhos, e filhas, que lhes lançou em cima o Eterno. 15Porque fêz vir sobre eles uma gente de longe, uma gente perversa, 16Os quais não respeitaram ao ancião, nem tiveram piedade dos pequeninos, e arrancaram os amados à viúva, e tirando-lhe os filhos a deixaram só. 17Eu pois em que vos posso ajudar? 18Porque aquêle que fêz vii' sôbre vós os males, êsse mesmo vos livrará das mãos de vossos inimigos. 19Andai, filhos, andai: Porque eu: fui deixada só, 20Despi-me do manto da paz, e vesti-me de saco de rogativa, e clamarei ao Altíssimo nos meus dias. 21Tende melhor ânimo, filhos, clamai ao Senhor, e livrar-vos-á da mão dos príncipes inimigos. 22Porque cu esperei no Eterno a vossa salvação: E veio-me um gôzo do santo pela misericórdia, que vos virá do Eterno nosso Salvador. 23Porque com chôro, e pranto vos vi partir: Mas o Senhor vos fará voltar a mim com gôzo. e alegria para sempre. 24Porque assim como as vizinhas de Sião viram vir de Deus o vosso cativeiro, assim verão também prontamente baixar da parte de Deus a vossa salvação, que vos sobrevirá com grande honra, e eterno esplendor. 25Filhos, suportai com paciência a ira. que veio sobre vós: Porque o teu inimigo te perseguiu, mas em breve verás a sua perdição: E subirás sôbre as suas cervizes. 26Os meus mimosos andaram por ásperos caminhos: Porque foram levados como um rebanho roubado por inimigos. 27Tende melhor ânimo, ó filhos, e clamai ao Senhor: Porque memória terá de vós aquêle que vos conduziu. 28Porque assim como a vossa mente se dirigiu a que vos desviásseis de Deus: Com um ardor dez vêzes maior o buscareis, quando de novo vos converterdes. 29Porque aquêle que vos enviou os males, êsse mesmo vos trará de novo uma alegria perdurável junta com a vossa salvação. 30Tem melhor ânimo, ó Jerusalém, porque a ti te exorta o que te deu o nome. 31Os malvados que te vexavam pereceram: E os que se congratularam na tua ruína, serão punidos. 32As cidades em que serviram teus filhos, serão castigadas: E a que deteve teus filhos. 33Porque assim como ela se regozijou na tua ruína, e se alegrou na tua queda, assim se contristará na sua desolação. 34E será cortada a algazarra da sua multidão, e a sua jactância se converterá em pranto. 35Porque o fogo lhes sobrevirá da parte do Eterno por largos dias, e pelos demônios será habitada por muito tempo. 36Olha, ó Jerusalém, para o Oriente, e vê o regozijo que te vem de Deus. 37Pois eis-aí vêm os teus filhos, os que enviaste dispersos, vêm congregados do Oriente até ao Ocidente, regozijando-se na palavra do santo para honra de Deus.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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