Cântico dos Cânticos 5
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1A espôsa. Venha o meu amado para o seu jardim, e coma o fruto das suas macieiras. O espôso. Eu vim para o meu jardim, irmã minha espôsa: Seguei a minha mirra com os meus aromas: Comi o favo com o meu mel; bebi o meu vinho com o meu leite: Comei amigos, e bebei, e embriagai-vos, caríssimos. 2A espôsa. Eu durmo, e o meu coração vela: Eis a voz do meu amado que bate, dizendo: O espôso. Abre-me irmã minha, amiga minha, pomba minha, imaculada minha: Porque a minha cabeça está cheia de orvalho. e me estão correndo pelos anéis do cabelo as gôtas das noites. 3A espôsa. Eu me despojei da minha túnica, como a vestirei eu? lavei os meus pés, como os tornarei a sujar? 4O meu amado meteu a sua mão pela fresta, e as minhas entranhas estremeceram ao estrondo que êle fêz. 5Eu me levantei para abrir ao meu amado: As minhas mãos distilaram mirra, e os meus dedos estavam cheios da mirra mais preciosa. 6Eu abri a minha porta ao meu amado, tirando-lhe o ferrôlho: Mas êle já se tinha ido, e era já passado a outra parte. A minha alma se derreteu assim que êle falou: Busquei-o, mas não o achei: Chamei-o, e êle me não respondeu. 7Acharam-me os guardas que rondam a cidade: Deram-me e feriram-me: Tiraram-me o meu manto os guardas das muralhas. 8Eu vos conjuro, filhas de Jerusalém, que se encontrardes ao meu amado, lhe façais saber que estou enferma de amor. 9As filhas de Jerusalém. Qual é o que tu chamas amado entre todos os amados, ó mulher a mais formosa de tôdas? Qual é o teu amado entre todos os outros, por cuja contemplação nos conjuraste tu dêste modo? 10A espôsa. O meu amado é cândido, e rubicundo, escolhido entre milhares. 11A sua cabeça é o ouro mais subido: Os seus cabelos são como os ramos novos das palmeiras, negros como um corvo. 12Os seus olhos são como as pombas, que, tendo os seus ninhos ao pé dos regatos das águas, estão lava-das em leite, e se acham de assento junto das mais largas correntes dos rios. 13As suas faces são como uns canteiros de plantas aromáticas, plantadas pelos que confeccionam os cheiros. Os seus lábios são uns lírios, que distilam a mais preciosa mirra. 14As suas mãos são de ouro feitas ao tôrno, cheias de jacintos. O seu ventre é de marfim, guarnecido de safiras. 15As suas pernas são umas colunas de mármore, que estão sustentadas sôbre bases de ouro. A sua figura é como a do Líbano, êle é escolhido como os cedros. 16A sua garganta é suavíssima, e todo êle é para se desejar: Tal é o meu amado e êle é verdadeiramente meu amigo, filhas de Jerusalém. 17As filhas de Jerusalém. Para onde foi o teu amado, ó tu, que és a mais formosa de tôdas as mulheres? para onde se retirou o teu amado? e nós o buscaremos contigo.