Cântico dos Cânticos 4
Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
1O espõso. O' como és formosa, amiga minha, como és bela! Os teus olhos são como os das pombas, sem falar no que está escondido dentro. Os teus cabelos são como os rebanhos das cabras, que subiram do monte de Galaad. 2Os teus dentes são como os rebanhos das ovelhas tosquiadas, que subiram do lavatório, tôdas com dois cor-deirinhos gêmeos, e nenhuma há estéril entre elas. 3Os teus lábios são como uma fita de escarlate: E o teu falar, doce. Assim como é o vermelho da romã partida, assim é o nácar das tuas faces, sem falar no que está escondido dentro. 4O teu pescoço é como a tôrre de Davi, que foi edificada com seus baluartes: Dela estão pendentes mil escudos, tôda a armadura dos esforçados. 5Os teus dois peitos são como dois filhinhos gêmeos da cabra montesa, que se apascentam entre as açucenas, 6até que sopre o dia, e declinem as sombras, eu irei ao monte de mirra, e ao outeiro do incenso. 7Tôda tu és formosa, amiga minha, e em ti não há mácula. 8Vem do Líbano, espôsa minha, vem do Líbano, vem: Serás coroada do alto de Amaná, do cume de Sanir e de Hermon, das cavernas dos leões, dos montes dos leopardos. 9Tu feriste o meu coração, irmã minha espôsa, tu feriste o meu coração, com um dos teus olhos, e com um cabelo do teu pescoço. 10Que lindos são os teus peitos, irmã minha espôsa! os teus peitos são mais formosos do que o vinho, e o cheiro dos teus bálsamos excede o de todos os aromas. 11Os teus lábios, ó espôsa, são como um favo, que distila doçura, o mel e o leite estão debaixo da tua língua: E o cheiro dos teus vestidos é como o cheiro do incenso. 12Jardim fechado és, irmã minha espôsa, jardim fechado, fonte selada. 13As tuas produções são um jardim de romãs com frutos de macieiras. Chipres com o nardo, 14o nardo e o açafrão, a cana aromática e o cinamomo com tôdas as árvores do Líbano, a mirra e o áloi com todos os bálsamos da primeira estimação. 15A fonte dos jardins: O poço das águas vivas, que com ímpeto correm do Líbano. 16A espôsa. Levanta-te, Aquilão, e vem tu, vento do meio-dia, assopra de todos os lados ao meu jardim e corram os seus aromas.