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Daniel 11

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Eu porém desde o primeiro ano de Dario medo, trabalhava pelo ajudar a se estabelecer e a se fortificar. 2Mas agora eu te anunciarei a verdade. Eis-aí haverá ainda três reis na Pérsia, e o quarto se enriquecerá de excessivas riquezas mais que todos: E depois que se tiver feito com estas riquezas poderoso, concitará a todos contra o reino da Grécia. 3Mas enfim se levantará um rei forte, que dominará com grande poder E que fará o que lhe aprouver. 4E quando se achar no auge mais florente, o seu reino será destruído, e se repartirá pelos quatro ventos do céu: Mas isto não será entre os seus descendentes, nem segundo o poder com que êle dominou: Porque o seu reino será dilacerado, passando ainda a estranhos, não falando naqueles quatro. 5E o rei do Meio-Dia se fortificará: Mas um dos príncipes daquele primeiro rei será mais poderoso do que êle, e dominará sôbre muitos países: Porque o seu senhorio será grande. 6E alguns anos depois êles se aliarão um, com o outro, e a filha do rei do Meio-Dia passará ao rei do Aquilão, para travarem ambos amizade, mas esta princesa não se estabelecerá por um braço forte, nem a sua descendência subsistirá: E será entregue ela mesma, e os seus mancebos, que a conduziram, e que a tinham sustentado em diversos tempos. 7Mas do seu mesmo tronco sairá um arrebento: Que virá com um exército, e entrará na província do rei do Aquilão: E êle os vexará, e far-se-á senhor dêles. 8E de mais a mais levará cativos para o Egito os seus deuses, e as suas estátuas, e os seus vasos preciosos de prata, e ouro: Êle mesmo prevalecerá contra o rei do Aquilão. 9E o rei do Meio-Dia entrará no seu reino, e voltará depois para a sua terra. 10Seus filhos porém se estimularão com isto, e congregarão uma grande multidão de tropas: E um dêles marchará com grande presteza, e à maneira de inundação: E voltará, e encher-se-á de ardor, e pelejará contra as forças daquele. 11Mas o rei do Meio-Dia, vendo-se assim atacado, sairá em campanha, e pelejará contra o rei do Aquilão, e preparará um exército imenso, e lhe será entregue entre as mãos uma grande multidão de inimigos. 12E êle tomará uma grande multidão desta gente, e o seu coração se elevará, e êle fará passar muitos milhares ao fio da: espada, mas deixará a sua vitória imperfeita. 13Porque o rei do Aquilão tornará a vir, e ajuntará uma multidão de tropas muito maior do que antes: E depois de certos tempos e anos virá com muita pressa com um numeroso exército, e mui grandes fôrças. 14E naqueles tempos se levantarão muitos contra o rei do Meio-Dia: Os filhos também dos prevaricadores do teu povo se elevarão, para cumprirem a profecia, e êles cairão. 15E virá o rei do Aquilão, e levantará um baluarte, e tomará cidades fortificadissimas: E os braços do Meio-Dia não poderão aturar o' esfôrço, e os mais valentes dentre êles se levantarão para lhe resistir, e êles se acharão sem vigor. 16E vindo sôbre êle fará o que bem lhe aprouver, e não haverá quem possa subsistir diante da sua face: E êle entrará numa terra famosa, e esta será consumida debaixo da sua "mão. 17E êle se confirmará no desígnio de vir apoderar-se de todo o reino dêle, e fingirá que quer obrar de boa fé com êle: E dar-lhe-á em casamento sua filha, princesa de extremada formosura em comparação das outras mulheres, a fim de o perder: Mas não lhe sairá a coisa conforme o seu intento, e ela não será por êle. 18E êle encarará contra as ilhas, e tomará muitas delas: E fará deter o autor do seu opróbrio, e o seu opróbrio virá a cair sôbre êle. 19E voltará o seu rosto para o império da sua terra, e tropeçará e cairá, e não será achado. 20E um homem vilíssimo, e indigno da honra de rei, ocupará o seu lugar: E êle se consumirá em poucos dias, não no furor de alguma briga, nem em alguma batalha. 21E pôr-se-á no lugar dêste um homem desprezi-vel e não lhe será dada a honra de rei: E virá secretamente, e se apoderará do reino com engano. 22E os braços do combatente serão vencidos diante dêle, e ficarão esmigalhados: De mais a mais até o chefe: da Liga. 23E depois de feita esta amizade, usará com êle de engano: E subirá, e vencê-lo-á com pouca gente. 24E entrará nas cidades abundantes e ricas: E lhes fará o que nunca fizeram seus pais nem os pais de seus pais: Êle destruirá as rapinas e a prêsa, e as riquezas dêles, e formará projetos contra as mais fortes cidades: E isto até certos tempos: 25E será instigado o seu poder, e o seu coração contra o rei do Meio-Dia para o atacar com um grande exército: E o rei do Meio-Dia será provocado a sair à batalha com muitas tropas auxiliares, e sobremaneira fortes: Mas elas não perseverarão firmes, porque maquinarão desígnios contra êle. 26E os que comerem o pão com êle, o arruinarão, e o seu exército será oprimido: E um grande número dos seus cairão mortos. 27Também êsses dois reis terão o coração atento, a fazerem o mal um ao outro, e assentados à mesma mesa dirão palavras de mentira, mas eles não sairão com a sua: Porque ainda o fim se difere para outro tempo. 28E voltará para o seu país com muitas riquezas: O seu coração se declarará contra o Santo Testamento, e fará muitos males, e voltará para o seu país. 29No tempo determinado, êle voltará, e tornará a vir para o Meio-Dia: Mas esta última expedição não será semelhante à primeira. 30Porque os romanos virão contra êle em trirremes: E êle será ferido vivamente no seu pundonor e assim voltará, e conceberá uma grande indignação contra o Testamento do Santuário, e conforme ela assim fará: Depois tornará a vir, e empreenderá muitas coisas contra aquêles que tinham deixado o testamento do Santuário. 31E estarão da sua parte os braços de homens poderosos que violarão o Santuário da fortaleza, e farão cessar o sacrifício perpétuo: E porão no templo a abominação para desolação. 32E os ímpios prevaricadores do testamento usarão de disfarces com rebuçado engano: Mas o povo, que conhecerá ao seu Deus, perseverará constante, e fará o que deve. 33E os que fôrem doutos entre o povo, ensinarão a muitos: E êles padecerão os tormentos da espada, e da chama, e do cativeiro, e das rapinas que durarão muitos dias. 34E quando caírem arruinados, serão sustidos com o alívio de um pequenino auxílio: E muitos se ajuntarão a êles fingidamente. 35E dos sábios cairão alguns, para que sejam acri-solados, e purificados, e branqueados até o prazo assinalado: Porque ainda haverá outro tempo. 36E o rei fará como lhe der na vontade, e se elevará, e engrandecerá contra todo o deus; e falará insolentemente contra o Deus dos deuses, e sair-lhe-ão bem as coisas, até que a ira seja cumprida: Porque assim é que foi lavrado o decreto. 37E não terá respeito algum ao Deus de seus pais: E se mostrará apaixonado por mulheres; êle não curará de Deus algum, qualquer que êle seja: Porque se levantará contra tôdas as coisas. 38Mas venerará o deus Maozim no lugar que lhe terá escolhido: E enfeitará com ouro, e prata, e pedras preciosas, e com tudo o que há de custo, a êste Deus que seus pais ignoraram. 39E fortificará as suas praças com um deus estranho, pondo nelas a Maozim, que foi quem êle reconheceu, e levará a uma grande glória os seus adoradores, e lhes dará poder em muitas coisas, e lhes repartirá a terra gratuitamente. 40E o rei do Meio-Dia pelejará contra êle no tempo assinalado, e o rei do Aquilão marchará também contra êle como uma tempestade, com grande multidão de carroças, e de gentes a cavalo, e com uma grande armada, e entrará nas suas terras, assolá-las-á e passará. 41Depois êle entrará na terra gloriosa, e serão taladas muitas províncias: E só se salvarão das suas mãos estas, Edom e Moab, e as primeiras terras dos filhos de Amon. 42E estenderá a sua mão contra as outras provin-cias: E a terra do Egito não escapará. 43E êle se fará senhor dos tesouros de ouro e de prata, e de tudo o que há de precioso no Egito: Passará também ao través da Líbia e da Etiópia. 44E turbá-lo-á um rumor que virá do Oriente e do Aquilão: E êle tornará a vir com grandes tropas, para destruir é matar a muitos. 45E fixará a sua tenda em Apsadue entre os mares sôbre o ínclito e santo nome; E êle virá até à sumidade dêste monte, e ninguém lhe dará auxílio.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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