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Daniel 10

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1No terceiro ano de Ciro, rei dos persas, foi reve-,!ada a Daniel chamado Baltasar uma palavra verdadeira, e ttina grande fortaleza: E êle entendeu o que lhe foi dito: Porque é necessário haver inteligência nas visões. 2Nestes dias, eu Daniel chorava todos os dias por três semanas. 3Não comi nêles pão algum agradável ao gôsto e nem carne nem vinho entraram na minha bôca, nem ainda me untei de algum óleo: Menos que se não cumprissem os dias destas três semanas. 4No dia vinte e quatro, porém, do primeiro mês estava eu ao pé do grande rio, que é o Tigre. 5E levantei os meus olhos e olhei: E eis-que vi um homem vestido de roupas de linho, e cingido pelos rins com um cinto de puríssimo ouro: 6E o seu corpo era como uma pedra crisólita e o seu rosto como uma aparência de relâmpago e os seus olhos pareciam uma lâmpada ardente: E os seus braços e todo o resto do corpo até aos pés, eram como uma semelhança de arame luzente: E o som das suas palavras era como o estrondo de uma multidão de homens. 7E eu, Daniel, vi só esta visão: E os varões, que estavam comigo, não a viram: Mas sôbre êles caiu um extraordinário terror e fugiram para uns lugares escuros. 8Tendo eu, pois, ficado sózinho, vi esta grande visão: E não ficou vigor em mim, antes se mudou até o meu semblante, e fiquei murcho e não me assistiram fôrças algumas, 9E ouvi o som das suas palavras: E ouvindo-o jazia deitado sôbre o meu rosto, todo espavorido e o meu rosto estava rente da terra. 10Então, eis-que uma mão me tocou e me levantou até ficar sôbre os meus joelhos, e sôbre as juntas das minhas mãos. 11E a mesma voz me disse: Daniel, varão de desejos, entende as palavras que eu te venho dizer e levanta-te em pé: Porque eu fui agora enviado a ti. E depois que êle me disse isto, me pus eu em pé todo tremente. 12E êle me disse: Não tenhas mêdo Daniel, porque desde o primeiro dia em que tu aplicaste o teu coração à inteligência, para te afligires pela mortificação na presença do teu Deus, foram escutadas as tuas palavras: E eu vim por teus rogos. 13E o príncipe do reino dos persas me resistiu por vinte e um dias: E eis-que veio em meu socorro Miguel, um dos primeiros príncipes, e eu fiquei lá junto ao rei dos persas. 14E eu vim para te ensinar as coisas que estão para suceder ao teu povo nos últimos dias, porque o cumprimento desta visão ainda está para dias. 15E ao tempo que êle me dizia estas palavras, abai-xei eu o rosto para a terra e fiquei calado. 16E eis-que aquêle que tinha a semelhança de um filho de homem, me tocou os lábios: E eu, abrindo a minha bôca, falei e disse ao que estava em pé diante de mim: Meu Senhor, com a tua vista se relaxaram as minhas juntas, e não me ficou fôrça alguma. 17E como poderá o servo de meu Senhor falar com o meu Senhor? Porque em mim não ficou fôrça alguma, até se me tapa a respiração. 18Aquele pois que eu via debaixo da aparência de um homem, me tornou a tocar e me confortou, 19e disse: Não temas, varão de desejos: A paz seja contigo: Tem vigor e sê robusto. E quando êle ainda me falava, recobrei eu as fôrças e disse: Fala, meu Senhor, porque tu me fortaleceste. 20Então me disse êle: Acaso, sabes tu por que eu vim a ti? e agora voltarei eu a pelejar contra o príncipe dos persas: Quando eu saía, apareceu o príncipe dos gregos, que entrava. 21Mas eu te anunciarei presentemente o que está expresso na escritura da verdade: E em tôdas estas coisas ninguém me ajuda, senão Miguel, que é o vosso príncipe.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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