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Daniel 14

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Daniei pois comia à mesa do rei, que o tinha elevado em honra sôbre todos os seus amigos. 2Ora entre os babilônios havia um ídolo chamado Bel: E com êle se gastavam todos os dias doze astabes da flor da farinha e quarenta ovelhas e seis ânforas de vinho. 3O rei também adorava este ídolo e todos os dias o ia adorar: Daniel porém adorava o seu Deus. E o rei lhe disse: Por que não adoras tu a Bel? 4Daniel lhe respondeu, dizendo: Porque eu não adoro os ídolos, que são feitos por mãos dos homens, mas sim o Deus vivo, que criou o céu e a terra e que tem debaixo do seu poder tudo o que tem vida. 5E o rei lhe disse: Não te parece a ti que Bel é um Deus vivente? Tu não vês como êle come e como bebe cada dia? 6E Daniel lhe respondeu sorrindo-se: O' rei, não te enganes: Porque êsse ídolo é de lôdo por dentro e de metal por fora, e êle nunca comeu. 7Então o rei todo irado chamou os sacerdotes de Bel, e lhes disse: Se vós me não disserdes quem é o que come tudo o que se gasta com Bel, morrereis. 8Mas se vós mostrardes que Bel é quem come estas viandas, morrerá Daniel, porque blasfemou contra Bel. E Daniel disse ao rei: Faça-se segundo a tua palavra. 9Ora os sacerdotes de Bel eram setenta, sem falar em suas mulheres, nas suas crianças, e em seus filhos. O rei, pois, foi com Daniel ao Temp 10E os sacerdotes de Bel lhe disseram: Olha que nós saímos para fora: E tu, ó rei, faze pôr as viandas e dar o vinho e fecha a porta do Templo e sela-a com o teu anel: 11E quando entrares pela manhã, se não achares que Bel tem comido tudo, sem recurso algum morreremos, ou morrerá Daniel que mentiu contra nós. 12Êles porém nada se lhes dava disto, porque tinham feito debaixo da mesa do Altar uma entrada secreta, e sempre entravam por ali, e comiam tudo. 13Logo pois que os sacerdotes saíram, fêz o rei pôr as viandas diante de Bel: Daniel mandou aos seus criados que lhe trouxessem cinza, e êle a espalhou por todo o Templo diante do rei, fazendo-a passar por um crivo: E ao sair fecharam a porta do Templo: E tendo-a selado com o anel do rei se foram. 14Mas os sacerdotes entraram de noite, segundo o seu costume, e suas mulheres, e filhos: E comeram e beberam tudo. 15E o rei se levantou ao romper da manhã, e Daniel com êle. 16E o rei lhe disse: Está inteiro o sêlo? Êle respondeu: Está inteiro, ó rei. 17E logo o rei tendo. aberto a porta, vendo a mesa sem nada, exclamou em alta voz dizendo: Tu és grande, ó Bel, e não há em ti engano algum. 18E Daniel começou a rir: E deteve o rei para não passar mais adiante: E lhe disse: Vê êste pavimento, considera de quem são estas pegadas. 19E disse o rei: Eu vejo pegada de homens, e de mulheres, e de crianças. E se encheu de ira o rei. 20Então mandou prender os sacerdotes, e suas mulheres, e filhos: E eles lhes mostraram as portinhas secretas, por onde entravam, e vinham comer tudo o que estava sôbre a mesa. 21O rei pois os mandou matar, e entregou o ídolo de Bel ao arbítrio de Daniel: Que o destruiu a êle, e ao seu Templo. 22Havia também naquele lugar um grande dragão, e os babilônios o adoravam. 23E o rei disse a Daniel: Eis-aí está que tu não podes dizer agora que êste não seja um Deus vivente: Pois adora-o. 24E Daniel lhe respondeu: Eu adoro o Senhor meu Deus: Porque êle é que é o Deus vivente: Êste porém não é Deus vivente. 25E tu. ó rei, dá-me licença, e -eu matarei êste dragão, sem espada, nem vara. E o rei lhe disse: Eu ta dou. 26Daniel pois tomou um tanto de pez, e de gordura, e uns pelos, cozeu tudo junto: E fêz umas pelotas, e as meteu pela bôca ao dragão, e o dragão arrebentou. E Daniel disse: Eis-aí a quem vós adoráveis. 27Os babilônios; tendo sabido isto, se indignaram fortemente: E tendo-se ajuntado contra o rei, disseram: O rei está feito judeu: Êle destruiu a Bel, êle matou o dragão, e fêz tirar a vida aos sacerdotes. 28Êles pois, tendo vindo ao palácio do rei, lhe disseram: Entrega-nos Daniel, se não nós te mataremos a ti, ea tôda a tua casa. 29Viu pois o rei.que apertavam com êle fortemente: E constrangido da necessidade, lhes entregou Daniel. 30Êles o lançaram no lago dos leões, e estava ali havia seis dias. 31Havia porém no lago sete leões, e cada dia se lhes davam dois corpos, e duas ovelhas: Mas por então não lhos deram, a fim de que êles devorassem a Daniel. 32Neste mesmo tempo estava o profeta Habacuc em Judéia, e êste tinha feito um môlho, e migado nêle uns pães dentro de um caldeirãozinho: E ia levá-los ao campo aos ceifeiros que lá trazia. 33Então disse o Anjo do Senhor a Hababuc: Leva. a Babilônia êsse jantar que tens, para o dares a Daniel, que lá está no lago dos leões. 34E Habacuc respondeu: Senhor, eu nunca vi Babilônia, e não sei onde é o lago. 35Então o Anjo do Senhor o tomou pelo alto da cabeça, e tendo-o pelos cabelos dela, o levou com apressada atividade do seu espírito até Babilônia, e o pôs sôbre o lago. 36E Habacuc gritou mui de rijo, dizendo: Servo de Deus, toma o jantar que Deus te mandou. 37E Daniel respondeu: O” Deus, tu te lembraste de mim, e não desamparaste os que te amam. 38E levantando-se comeu Daniel. O Anjo do Senhor, porém, restituiu logo Habacuc ao seu lugar. 39Ao sétimo dia veio pois o rei para chorar a Daniel: E chegou-se ao lago, e olhou para dentro, e eis-que vê a Daniel assentado. no meio dos leões. 40Então deu um grande grito o rei, dizendo: Tu és grande," ó Senhor Deus de Daniel. E fê-lo tirar do lago dos leões. 41Ao mesmo tempo fêz lançar no mesmo lago aos que tinham maquinado a sua perdição, e foram devorados diante dêle num momento. 42Então disse o rei: Todos os que habitam em tôda a terra, reverenceiem com temor a Deus de Daniel: Porque êsse é o Salvador, que faz prodígios, e maravilhas sobre a terra: O que livrou a Daniel do lago dos leões.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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