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Daniel 3

Pe. Antônio Pereira de Figueiredo

1Fêz o rei Nabucodonosor uma estátua de ouro, que tinha setenta côvados de alto, e seis de largo, pô-la no campo de Dura, que era na província de Babilônia. 2Nestes, têrmos despachou Nabucodonosor correios para que se ajuntassem os sátrapas, os Magistrados, e os juízes, os capitães, e Os tiranos, e os prefeitos, e todos os príncipes das províncias, para se acharem presentes no dia da dedicação da estátua, que o rei Nabucodonosor tinha levantado. 3Então se ajuntaram os sátrapas, os magistrados, e os juízes, os capitães, e Os tiranos, e os senhores, que estavam constituídos nas primeiras dignidades, e todos os príncipes das províncias para concorrerem à dedicação da estátua, que o rei Nabucodonosor tinha levantado, e estavam em pé diante da estátua, que o rei Nabucodonosor tinha colocado: 4E o pregoeiro clamava em alta voz: A vós outros, povos, tribos, e gentes de tôdas as línguas, se vos ordena: 5Que no ponto em que ouvirdes o som da trombeta, e da flauta, e da cítara, da harpa, e do saltério, e da viola, e de todo o gênero de concertos músicos, prostrando-vos em terra, adoreis a estátua de ouro, que O rei Nabucodonosor levantou. 6Se algum porém não a adorar prostrado, será na mesma hora lançado numa fornalha de fogo ardente: 7E depois disto assim que os povos todos ouviram o som da trombeta, da flauta, e da cítara, da harpa, e do saltério, e da viola, e de todo o gênero de concertos músicos: Prostrando-se em terra todos os povos, tribos, e gentes de tôdas as línguas adoraram a estátua de ouro que o rei Nabucodonosor tinha levantado. 8E logo no mesmo tempo chegando uns homens caldeus: Acusaram aos judeus: 9E disseram ao rei Nabucodonosor: O" rei, vive eternamente: 10Tu, ó rei, passaste um decreto para que todo o homem, que ouvisse o som da trombeta, da flauta, e da cítara, da harpa, e do saltério, e da viola, e de todo o gênero de concertos músicos, se prostrasse em terra e adorasse a estátua de ouro: 11E que se algum não a adorasse prostrado, seria lançado numa fornalha de fogo ardente. 12Isto não obstante, há uns homens judeus, que tu constituíste superintendentes dos negócios da Província de Babilônia, Sidrac, Misac, e Abdénago: Êstes homens desprezaram, ó rei, o teu decreto: Êles não honram os teus deuses, nem adoram a estátua de ouro, que tu levantaste, 13Então Nabucodonosor, cheio de furor e de ira, mandou que lhe trouxessem à sua presença a Sidrac, Misac, e Abdénago: Os quais foram logo trazidos diante do rei. 14E o rei Nabucodonosor, pronunciando estas palavras, lhes disse: É verdade, Sidrac, Misac, e Abdénago, que vós não honrais os meus deuses, e não adorais a estátua de ouro, que eu erigi? 15Agora pois, se vós estais prontos para me obedecerdes, em todo o momento em que ouvirdes o som da trombeta, da flauta, da cítara, da harpa, e do saltério, e da viola, e de todo o gênero de concertos músicos, pros-trai-vos em terra, e adorai a estátua que eu fiz: Se porém a não adorardes, na mesma hora sereis lançados numa fornalha de fogo ardente: E quem é o Deus que vos poderá livrar da minha mão? 16Respondendo Sidrac, Misac, e Abdénago, disseram ao rei Nabucodonosor: Não há necessidade alguma que nós te respondamos neste particular. 17Porque deves saber que o nosso Deus, a quem nós adoramos, pode tirar-nos da fornalha do fogo ardente, e livrar-nos, ó rei, das tuas mãos. 18E se êle o não quiser fazer assim, fica tu entendendo, ó rei, que nós não honramos os teus deuses, nem adoramos a estátua de ouro, que erigiste. 19Então se encheu Nabucodonosor de furor: E se mudou o aspecto do seu semblante contra Sidrac, Misac, e Abdénago, e mandou que se acendesse a fornalha com um fogo seté vêzes mais ardente, do que se costumava acender. 20E deu ordem aos mais valentes soldados do seu exército que, ligados os pés a Sidrac, Misac, e Abdénago, os lançassem na fornalha de fogo ardente. 21E no mesmo ponto foram êstes três homens ligados, e lançados no meio da fornalha de fogo ardente, com as suas roupas e mitras, e sapatos, e vestidos: 22Porque o mandado do rei apertava: A fornalha porém estava sobremaneira acesa. E as chamas do fogo mataram aquêles homens que tinham lançado nelas a, Sidrac, Misac, e Abdénago. 23Entretanto êstes três homens, convém a saber, Sidrac, Misac, e Abdénago, cairam ligados no meio da fornalha de fogo ardente. O que segue não se encontra nos exemplos hebreus (). 24Mas êles passeavam pelo meio das chamas, louvando a Deus, e bendizendo ao Senhor. 25Azarias porém pôsto em pé fêz esta oração, e abrindo a sua bôca no meio do fogo disse: 26Bendito és Senhor Deus de nossos pais: E o teu nome seja louvado, e glorificado por todos os séculos: 27Porque tu és justo em tôdas as coisas que nos fizeste, e tôdas as tuas obras são verdadeiras, e os teus caminhos retos, e todos os teus juízos verdadeiros. 28Porque tens excitado justos juízos em todos os males, que fizeste vir sôbre nós e sôbre Jerusalém, cidade santa de nossos pais: Porque tu nos mandaste todos êstes castigos em verdade, e justiça, por causa de nossos pecados. 29Porque nós pecamos, e temos obrado iniquamente retirando-nos de ti: E nós delingúimos em tôdas as coisas: 30E não ouvimos os teus preceitos, nem os obser-vamos, nem guardamos, como tu nu-lo tinhas ordenado, para que fôssemos bem sucedidos: 31Assim todos os castigos, que fizeste vir sôbre nós, e todos os males, que nos tens feito padecer, tudo com verdadeira justiça o tens feito: 32E nos entregaste nas mãos de nossos inimigos iníquos, e malvadíssimos, e prevaricadores, e a um rei injusto, e o pior que há em tôda a terra. 33E agora não podemos abrir a bôca: Estamos feitos um motivo de confusão, e de opróbrio para os teus servos, e para os que te adoram. 34Não nos entregues para sempre, assim to pedimos, por amor do teu nome, e não destruas o teu testamento: 35Nem retires de nós a tua misericórdia, por amor de Abraão teu amado, e de Isaac teu servo, e de Israel teu santo: 36Aos quais disseste prometendo que multiplicarias a sua descendência como as estrêlas do céu, e como a areia, que está nas praias do mar. 37Porque nós, Senhor, estamos reduzidos a mais pequeno número, que tôdas as outras nações, e estamos hoje humilhados em tôda a terra, por causa de nossos pecados. 38E já entre nós não há príncipe, nem capitão, nem profeta, nem holocausto, nem sacrifício, nem oblação, nem incenso, nem lugar em que te ofereçamos as nossas primícias. 39Para podermos achar a tua misericórdia: Mas permite que sejamos por ti recebidos neste coração contrito, e neste espirito humilhado em que estamos. 40Assim se consome hoje na tua presença o nosso sacrifício, que te seja agradável, como fôra um holocausto de carneiros, e de touros, e como se te oferecêramos mil cordeiros gordos: Porque não há confusão para os que em ti confiam. 41E agora nós te seguimos de todo o coração, e nós te tememos, e buscamos a tua face. 42Não nos confundas: Mas obra conosco segundo a tua mansidão e segundo a multidão das tuas misericórdias.: 43E livra-nos por meio das maravilhas do teu poder, e dá glória, Senhor, ao teu nome: 44E sejam confundidos todos aquêles que fazem padecer males aos teus servos; êles sejam confundidos pela tua onipotência. e a sua fôrça se faça em migalhas: 45E saibam que só tu és o Senhor Deus, e glorioso sôbre a redondeza da terra. 46Entretanto os servos do rei, que os tinham lançado no fogo, não cessavam de acender a fornalha com betume, e estôpa, e pez. e molhinhos de vides. 47E a labareda se levantava quarenta e nove côvados acima da fornalha: 48E arrebentou ela por fora e abrasou os caldeus. que achou próximos à fornalha. 49O anjo do Senhor, porém, desceu com Azarias e seus companheiros à fornalha e desviou da fornalha a chama do fogo. 50E fêz que soprasse no meio da fornalha uma como fresca viração acompanhada de orvalho, e o fogo os não tocou de modo algum, nem incomodou, nem lhes causou a menor moléstia. 51Então aquêles três como a uma mesma bôca louvavam a Deus na fornalha, e o glorificavam, e o bendiziam, dizendc: 52Tu és bendito, Senhor Deus de nossos pais: E digno de todo o louvor, e cheio de glória, e elevado por cima de tudo em todos os séculos: E bendito o santo nome da tua glória: E digno de todo o louvor, e levantado por cima de tudo em todos os séculos. 53Tu és bendito no santo templo da tua glória: e levantado por cima de todo o louvor, e de tôda a glória em todos os séculos. 54Tu és bendito no trono do teu reino: E elevado por cima de todo o louvor, e por cima de tôda a glória em todos os séculos. 55Tu és bendito, tu que vês o fundo dos abismos, e estás assentado sôbre os querubins: E tu és digno de todo o louvor, e elevado por cima de tôda a glória em todos os séculos. 56Tu és bendito no firmamento do céu: E digno de todo o louvor, e de tôda a glória em todos os séculos. 57Obras do Senhor; bendizei tôdas ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 58Anjos do Senhor, bendizei ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 59Céus, bendizei ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 60Águas que estais por cima dos céus, bendizei tôdas ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 61Exércitos do Senhor, bendizei todos ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 62Sol, e lua, bendizei ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 63Estrêlas do céu, bendizei ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 64Chuvas, e orvalhos, bendizei todos ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 65Espíritos de Deus, bendizei todos ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 66Fogos, e calores do estio, bendizei ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 67Frios, e rigores do inverno, bendizei ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 68Orvalhos, e geadas, bendizei ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 69Gelos, e frialdades, bendizei ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 70Caramelos, e neves, bendizei ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 71Noites, e dias, bendizei ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 72Luz, e trevas, bendizei ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 73Relâmpagos, e nuvens, bendizei ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 74A terra bendiga ao Senhor: Ela o louve, e sôbre-exalte por todos os séculos. 75Montes, e outeiros, bendizei ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 76Plantas que brotais da terra, bendizei tôdas ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 77Fontes, bendizei ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 78Mares, e rios, bendizei ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 79Baleias, e peixes, todos os que se movem nas águas, bendizei ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 80Aves do céu, bendizei tôdas ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 81Alimárias selvagens, e mansas, bendizei ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 82Filhos dos homens, bendizei ao Senhor: Lou-vaio e sobreexaltai-o por todos os séculos. 83Bendiga Israel ao Senhor: Êle o louve e sobre-exalte por todos os séculos. 84Sacerdotes do Senhor, bendizei ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 85Servos do Senhor, bendizei ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 86Espíritos e almas dos justos, bendizei ao Senhor Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 87Santos e humildes do coração, bendizei ao Senhor Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. 88Hananias, Azarias, Misael, bendizei ao Senhor: Louvai-o e sobreexaltai-o por todos os séculos. Porque êle nos tirou do inferno, e nos salvou da mão da morte, e nos livrou do meio das chamas ardentes, e nos tirou do meio do fogo. 89Dai graças ao Senhor, porque êle é bom: Porque a sua misericórdia abrange o decurso 'de todos os séculos. 90Vós, homens religiosos, bendizei todos ao Senhor Deus dos deuses: Louvai-o e rendei-lhe ações de graças, porque a sua misericórdia abrange o decurso de todos os séculos. O que se disse até aqui, não se acha no hebreu: E o que pusemos, foi tomado da Edição de Teodocião. 91Então o rei Nabucodonosor ficou todo espantado, e levantou-se de repente, e disse para os grandes da sua. córte: Não lançamos nós no meio do fogo três homens atados? Êles, respondendo ao rei, disseram: Assim é, ó rei. 92Ao que êle respondeu, e disse: Contudo eis-aí estou eu vendo quatro homens soltos, e passeando no meio do fogo, e nada há de lesão nêles, e o aspecto do quarto é semelhante ao filho de Deus. 93Então se chegou Nabucodonosor à porta da fornalha de fogo ardente, e disse: Sidrac, Misac, e Abdénago, servos de Deus excelso, saí, e vinde. E logo Sidrac, Misac, e Abdénago saíram do meio do fogo. 94E tendo-se ajuntado os sátrapas, e os magistrados, e os juízes, e os grandes da côrte do rei, olhavam atentamente para aquêles homens, vendo que o fogo não tinha tido poder algum sôbre os seus corpos, e que nem um só cabelo da sua cabeça se tinha queimado, e que não aparecia sinal algum nas suas roupas e que nem por êles o cheiro de chamusco tinha passado. 95Então Nabucodonosor, rompendo nesta exclama-ção, disse: Bendito seja o Deus dêles, sim o de Sidrac, Misac, e Abdénago, que enviou o seu anjo, e livrou os seus servos, que creram nêle: E que resistiram ao mandamento do rei, e que entregaram os seus corpos, para não servirem, e para não adorarem a outro algum deus, que o Deus que êles adoram. 96Êste é pois o decreto que eu passo, que todo o homem de qualquer povo, tribo e língua que seja, o qual tiver proferido alguma blasfêmia contra o Deus de Sidrac, de Misac, e de Abdénago, pereça, e a sua casa seja destruída: Porque não há outro Deus, que assim possa salvar, senão êste. 97Então promoveu o rei em dignidade a Sidrac, Misac, e Abdénago, na província de Babilônia. 98O REI NABUCODONOSOR a todos os povos, a tôdas as gentes, e nações, de qualquer língua, que habitam em tôda a terra, a paz seja em vós outros multiplicada. 99O Deus Excelso fêz prodígios, e maravilhas na minha presença. A mim pois me aprouve publicar 100os seus prodígios, porque são grandes: E as suas maravilhas, porque são estupendas: Porque o seu reino é um reino eterno, e o seu poder se estende de geração em geração.

Texto bíblico da tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1725–1797), em domínio público, conforme a edição de 1950 da Editora das Américas (São Paulo), com Nihil Obstat e Imprimatur, na ortografia daquela edição. Numeração dos versículos segundo a Vulgata. Sem as notas de rodapé.

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